Nas próximas semanas, o preço do pescado deve subir em torno de 20% na Região Metropolitana de Belém (RMB). Pelo menos é o que especulam os vendedores, que além de preocupados com o custo do produto estão desanimados com o baixo fluxo de clientes a pouco menos de dois meses da Semana Santa. O movimento nas feiras e nos mercados da Grande Belém é cerca de 10% menor do que no mesmo período do ano passado. Segundo os comerciantes, o alto preço do produto, reajustado desde o último mês de dezembro, está afastando a clientela.
Os vendedores explicam que a prioridade dada pelos pescadores à exportação é o principal fator que contribui para a alavancada nos preços dos peixes no Pará. Em média, o lucro dos atravessadores chega a 40% - e o consumidor é quem paga a diferença. O tucunaré, por exemplo, que é comprado pelos peixeiros por R$ 10,00 o quilo, será vendido durante a Semana Santa por R$ 15,00 - o que representa um ganho de 50% em favor do vendedor. A solução apontada pelos comerciantes seria suspender a exportação do pescado paraense pelo menos 30 dias antes da Semana Santa.
Para Eliézer de Oliveira, que vende peixe há mais de 27 anos na feira da 25 de Setembro, o movimento deve melhorar um pouco nas próximas semanas. 'À medida que a Semana Santa se aproxima a procura vai aumentando. Isso ocorre todos os anos, embora estejamos sentindo o movimento meio fraco este ano', comenta.
O vendedor destaca que os clientes estão procurando cada vez menos o pescado, ao passo que os preços continuam subindo e afastando os consumidores. Eliézer conta que os peixes são provenientes, principalmente, dos municípios de Vigia, São Caetano, Bragança e Mosqueiro. Os mais procurados são as pescadas amarela, dourada e branca, além do filhote, da tainha e da gurijuba.
Consumidor reclama do preço alto e até perde hábito de compra
O comerciante Raimundo Oliveira está perdendo o hábito de comer peixe, principalmente por conta dos preços praticados nas feiras e nos mercados de Belém. Raimundo acredita que os valores devem aumentar bastante até a Semana Santa. 'Mesmo com os preços altos, temos que comprar - é uma questão de tradição', comenta. O comerciante afirma que se os pescados não saíssem do Estado, os preços seriam mais em conta.
Da mesma forma pensa a dona de casa Sandra Freitas. 'Está tudo muito caro. E deve aumentar ainda mais até o feriado. Não entendo estes valores, pois somos os maiores produtores do Brasil e pagamos um preço tão alto', reclama. Sandra comenta que, se aumentar ainda mais, deixará de servir o pescado no almoço da sexta-feira Santa.
Os consumidores não são os únicos a reclamar dos preços. Os atravessadores estão comprando mais caro e repassando o reajuste ao consumidor. Pelo menos é o que diz o peixeiro Raimundo Nonato Silva, o 'Japonês', que trabalha há mais de 40 anos no Ver-o-Peso. 'Peixes como a dourada e a pescada amarela chegam a um custo muito alto. Já a piramutaba e a pescada branca estão com preços menores. É grande a possibilidade dos pescadores aumentarem em 20% os preços. Se isso ocorrer, serão repassados para os clientes', avisa.