Servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) do Pará e de outros 23 Estados, mais o Distrito Federal, iniciaram ontem uma paralisação de 48 horas para pressionar o governo federal por melhorias trabalhistas. No Pará, dos 41 servidores do órgão, 32 aderiram ao movimento, de acordo com o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical). Comuns a outros órgãos federais já em greve, as reivindicações vão de aumento salarial de 26% a reestruturação da carreira e investimento no órgão. A paralisação motivou uma ação emergencial da CGU, que trouxe servidores do Estado do Paraná para compor os grupos de fiscalização do Programa Sorteio de Municípios, que faz auditorias nas cidades de Faro, São João da Ponta e Palestina do Pará. Hoje os analistas e técnicos de finanças e controle farão uma assembleia em frente ao prédio da Receita em Belém.
Durante a manhã de ontem, os trabalhadores se reuniram na sede do órgão, que ocupa o sétimo andar do prédio da Receita Federal em Belém, onde expuseram a pauta de reivindicações. Além das melhorias trabalhistas, os manifestantes exigem a contratação de servidores e aquisição de sede própria em diversos Estados. O órgão em Belém já cuida da compra de sede exclusiva para a CGU. Segundo o presidente do Unacon no Pará, Estevam Barbosa, em 2011 e 2012 "já aconteceram 20 reuniões com a Secretaria de Relações do Trabalho, do Ministério do Planejamento, mas em nenhuma delas houve uma proposta real do governo quanto às solicitações".
A pauta do movimento, segundo o Unacon, tem um direcionamento que ultrapassa as melhorias trabalhistas. Para Estavam Barbosa, "o fortalecimento da CGU é de suma importância para a sociedade brasileira porque o órgão fiscaliza os investimentos públicos, coibi fraudes e a má aplicação dos recursos, ou seja, ataca a corrupção". "Basta fazer um comparativo para concluirmos que há uma total desproporcionalidade na estrutura da CGU. A Receita Federal, por exemplo, tem 30 vezes mais servidores do que a Controladoria", ressaltou o presidente do sindicato. Outras reivindicações são aumento do auxílio-alimentação e creche para filhos de servidores. O reajuste salarial de 26% diz respeito às perdas inflacionárias de julho de 2010 até agora. Atualmente, o salário base de um servidor de nível médio é de R$ 3,5 mil.