Além de lucrar com a venda de produtos novos e seminovos, amigas se reúnem e fortalecem laços
Em tempos de sustentabilidade e crise econômica, muitas mulheres têm optado pela promoção de bazares para renovar o guarda-roupa e ganhar um dinheirinho extra - atitude que tem estimulado o consumo consciente e a reciclagem. Peças que foram usadas apenas duas ou três vezes e estão esquecidas no armário são trocadas por outras ou vendidas a um bom preço.
Uma pesquisa feita na Inglaterra comprovou que as mulheres utilizam apenas 20% do seu guarda-roupa, o restante é usado poucas vezes ou fica encalhado. Isso acontece porque as mulheres compram por impulso. Que atire a primeira pedra quem nunca comprou uma peça mais pelo bom preço do que pela necessidade real. Agora, em tempos de crise, parece que as mulheres encontraram uma forma de continuar adquirindo novidades, mas sem pesar no bolso. É cada vez mais comum o bazar entre amigas, onde peças seminovas podem ser trocadas ou vendidas a preços mais em conta. E parece que essa moda veio para ficar.
A fim de reunir as amigas, a psicóloga Mônica Lemos, a assistente social Aracy Farias e artesã Rita Ramos e mais duas amigas decidiram, há quatro anos, promover bazares, mas com roupas, bijuterias e produtos artesanais que elas mesmas compram e customizam. Além disso, elas vendem perfumes, cremes e caixas de presente. "Iniciamos o bazar como um forma de sempre estarmos juntas, para colocar a conversa em dia, receber as amigas e ganhar um dinheiro extra", diz Mônica.
Geralmente, o bazar entre as amigas é realizado em datas comemorativas, como o Carnaval, Dia das Mães, o Círio e, principalmente, no Natal. O local onde a venda ocorre varia de acordo com a disponibilidade de cada uma, pois acontecem nas residências delas. Segundo Mônica e Aracy, o bazar é divulgado por e-mail, facebook, folhetos impressos e mensagens pelo celular.
Todas as peças são previamente etiquetadas para facilitar a venda, além de ser preparado uma estrutura para que as clientes experimentem as roupas. "São sempre servidos lanchinhos gostosos para que nossa reunião seja sempre agradável", declara Mônica. Em média, elas tem um público de 40 clientes por bazar. "As clientes sempre comparecem e trazem amigas e familiares, porque gostam da qualidade e do preço dos produtos", conta Aracy.
As empreendedoras ressaltam que para organizar um bazar é preciso de uma preparação de pelo menos 15 dias, para que haja uma boa divulgação e, assim, mais pessoas saibam do evento e compareçam. Além disso, elas orientam: oferecer no bazar peças e acessórios diferentes sempre atrai o público. Os produtos vendidos devem possuir qualidade e bom preço para cativar a clientela, que geralmente se torna fiel ao bazar.
Jornalista cria brechó virtual e mantém comércio pelo Facebook
Já a jornalista Lene Tavares optou em fazer um brechó virtual. Ela criou um blog chamado "Já deu o que tinha que dar", onde posta imagens de roupas e acessórios que não usa mais e os vende. Uma ótima solução para pessoas que adoram comprar e já acumularam muita roupa no armário. É o caso da jornalista. "Eu quero abrir espaço no meu guarda-roupa para poder comprar mais. Algumas peças eu separo para doação e outras eu coloco a venda no blog", afirma. Lene conta que o negócio é lucrativo, mas não é sua fonte de renda. Pela falta de tempo, ela não se dedica tanto ao empreendimento.
Uma estratégia utilizada pela jornalista para a venda de suas peças é através do Facebook. Ela participa de um grupo na rede social chamado "Amamos Comprar" e lá já conheceu e fez amizades com várias mulheres que passaram a comprar seus trajes. Ela publica imagens das roupas e, junto, o link do blog, dando mais visibilidade ao seu comércio.
Nas legendas das suas fotos, ela informa o tamanho, a marca, o cumprimento e o preço do produto. Não há a possibilidade de experimentar a peça antes de comprá-la, pois Lene não conta com um espaço apropriado para isso. A compra é exclusivamente através do blog e, caso a compradora resida em Belém, a jornalista faz a entrega pessoalmente. Mas, se esta for de outro Estado, é estabelecido um preço para o frete e o produto é entregue pelos Correios.
Para entrar nessa empreitada, a indicação da jornalista é criar uma grande rede de contatos, tanto dentro do ramo como fora, para que o negócio sempre esteja sendo divulgado. Além de ser fundamental manter a qualidade do produto. "Não é porque a roupa é usada que ela tem que estar em mau estado. É preciso que as peças estejam conservadas", diz. Para chamar a atenção do público, ela ressalta que é necessário ter bom preço e criatividade nas postagens das fotos.
Como organizar venda em casa
O convite pode ser por e-mail. Convide com pelo menos uma semana de antecedência para que as participantes possam examinar com calma o seu guarda-roupa.
Examine o seu armário. Separe roupas em bom estado que você não usa há 1 ano. Tenha certeza de que se você não usou nesse período, dificilmente usará de novo.
Separe as roupas por grupos. Ex.: roupas de festa; casacos, calças, saias...
Não se esqueça de colocar preço nas peças. Facilitará muito a vida das compradoras.
Organize-se. Roupas bem apresentadas ficam mais bonitas. Certifique-se de que todas as roupas expostas estão lavadas e passadas.
Acessórios devem ficar em locais amplos, de fácil visualização e manuseio.
Disponibilize sacolinhas para que as amigas possam levar as compras para casa.
O programa pode ficar ainda mais completo se você contratar um maquiador ou uma consultora de estilo para dar dicas de maquilagem, moda...