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Museus guardam memória

Edição de 18/05/2010
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Hoje é dia propício para aprender e refletir sobre importância dessas instituições para a cultura nacional

Eles foram construídos para zelar pela memória cultural de um povo, por meio da identificação, recuperação, preservação e guarda de acervo. Mas alguns museus guardam verdadeiras raridades, ainda pouco conhecidas pelo grande público. Em Belém, Museu de Arte de Belém (Mabe), assim como os que compõem o Sistema Integrado de Museus são um passeio por obras raras, que guardam um valor inestimável para cultura mundial. Para comemorar o Dia Nacional dos Museus, celebrado neste dia 18 de maio, o Jornal Amazônia mostra alguns desses exemplares, obras inclusive do início do século passado, à disposição dos visitantes nos dias de hoje.

Com um acervo de cerca de 1,7 mil peças, entre pinturas, esculturas, móveis e adornos, uma das obras mais significativas do Mabe é a tela "Fundação de Belém" pintada em 1908, por Theodoro Braga a pedido do então intendente Antônio Lemos. A tela uma verdadeira certidão de batismo da cidade, fica à disposição dos visitantes e até hoje é uma das mais solicitadas no museu. "Sem dúvida é uma das obras raras que mais causam impacto nos visitantes. Para se ter uma ideia, somente este ano já recebi mais de cinco pedidos para que ela fosse fotografada", explica a diretora do Mabe, Daura Gomes.

A diretora cita ainda a tela "Os Últimos Dias de Carlos Gomes", de 1899, realizada a duas mãos por Domênico De Angelis e Capranesi e o "Brasão de Armas de Santa Maria de Belém", de 1894, além do retrato do intendente Gama Abreu, conhecido como Barão do Marajó, atribuído ao pintor francês Maurice Blaise. Entre as coleções, o destaque fica por conta das telas do artista plástico Antônio Parreiras. "Foram obras encomendas para o artista, que retratam as paisagens da cidade, como a Praça da República e o Bosque Rodrigues Alves e datam do final do século dezenove e início do século vinte", explica a diretora.

Entre as raridades mais recentes, Daura cita as telas da pintora paraense Antonieta Santos Feio (1897-1980), das décadas de 40 e 50, como a tela "Vendedora de Cheiro", tombada pelo Museu, é retrato de meio corpo de uma mulher negra em perfil, vestida com blusa branca e saia florida, com a mão direita segura um cesto de palha com cheiros de papel.

Atualmente, o museu está em reforma parcial, do telhado e forros e, por isso, as visitações das obras raras e do acervo em geral estão suspensas temporariamente. Mas para comemorar 8ª Semana Nacional dos Museus, o Mabe abre as portas com a exposição "Eu e o Homem", com 24 obras de 12 artistas que demonstram as diferenças de pintura, desenho, fotografia, objeto e mídias contemporâneas. O vernissage será hoje, a partir das 19h.

Acervos trazem surpresas e preciosidades

No Sistema Integrado de Museus (SIM) do Estado, o Museu de Arte Sacra possui um acervo composto por 598 peças constituídas de esculturas, pinturas, objetos litúrgicos, insígnias, indumentárias, pratarias entre outras. Entre as raridades, a diretora do SIM, Renata Maués destaca algumas obras. "Temos a Nossa Senhora do Leite, peça que ficou quase 30 anos desaparecida e hoje integra o acervo do museu e representa Maria amamentando o Menino Jesus. Os Anjos Tocheiros, do século 18, que foram construídos nas oficinas jesuítas, além do conjunto de objetos litúrgicos e esculturas que representam a devoção religiosa do povo paraense. Temos ainda Nossa Senhora do Rosário peça de fatura portuguesa, com excelente qualidade construtiva do período Barroco. Todos esses objetos representam parcela de nossa história", ressalta.

No Museu do Estado do Pará (MEP) estão as pinturas do início do século 20 como a "Fiandeira", "Interior de Cozinha",e as telas de Antônio Parreiras com destaque a pintura histórica "A Conquista do Amazonas" de tamanho monumental que foram confeccionadas para decorar as paredes do Palácio Lauro Sodré na época do Governo Augusto Montenegro.

Na Casa das Onze Janelas encontra-se um acervo possui aproximadamente 2.257 entre pintura, desenho, gravura, fotografia escultura, objetos e construção artística. "O museu é referência em arte moderna e contemporânea para o Norte e Nordeste e realiza exposições temporárias que possibilita ao artista o debate e a reflexão sobre a produção artística contemporânea. O acervo possui obras de artistas paraenses importantes, sendo difícil enumerar, pois são muitos, mas podemos citar alguns como Sarubi, Pastana, Rui Meira, Acácio Sobral, Emanuel Nassar e coleções que foram incorporadas por meio de doações como a coleção Funarte e coleção Banco Central", ressalta a diretora.

Grande parte das peças chegam aos museus através de doações e recebem tratamento especial. "Trabalhamos seguindo os princípios da conservação preventiva, com vistoria, acondicionamento e manuseio adequado para evitar que a peça se degrade ou sofra deterioração provocada por agentes externos. Isso evita que no futuro a peça sofra intervenção. É melhor trabalhar com a conservação pois a restauração só é feita em último caso", afirma.

O trabalho de recuperação das peças é feito por dois laboratórios, um de imaginária e outro de pintura que funcionam no Museu de Arte Sacra. "A equipe após analise do estado de conservação, de acordo com o diagnóstico, elabora a proposta de tratamento que é executada seguindo os princípios e critérios de conservação e tratamento de coleções", detalha.

Tesouros estão ao alcance do povo, mas cuidado é indispensável

A diretora do Mabe Daura Gomes ressalta que habitualmente, essas obras estão ao alcance da população, já que ficam expostas à visitação. "É claro que por se tratar de obras raras e de grande importância para a cidade, temos alguns cuidados nessa exposição, como o fato do visitante não poder tocar, manter uma cerca distância padrão, as visitas são acompanhadas por monitores e temos a vigilância da Guarda Municipal", enumera. E não é só. As obras recebem também um tratamento especial. "Dificilmente mudam de lugar, até porque algumas delas são muito pesadas. Procuramos mantê-las em temperatura regular para preservar as cores naturais, usar desumidificador, entre outros cuidados", descreve.

Apesar do zelo, nem sempre é possível manter as obras longe do ataque de vândalos. "Já tivemos sim, há muito anos, obras que acabaram sendo danificadas por visitantes e tiveram que passar por um processo de restauração, mas que já estão recuperadas totalmente. Isso acontece quase sempre porque as pessoas não sabem da relevância dessas obras para a cultura", acredita a diretora.

Renata Maues afirma que os museus que compõem o SIM também já enfrentaram situações parecidas. "Se não estou enganada em 2004 uma peça arqueológica foi roubada do interior do museu do Forte do Presépio, isso é um problema enfrentado em todos os museus brasileiros e que está sendo bastante discutido pelo setor buscando a criação de estratégias de combate ao tráfego de obras de arte, e melhoria dos sistemas de proteção do objeto museológico", disse.

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