aria dos Santos Pereira, de 52 anos, parou de trabalhar com medo das ameaças do ex-companheiro. Na manhã de ontem, ela procurou a delegacia de Santo Antônio do Tauá, município localizado no nordeste paraense, e registrou uma queixa contra Francisco Castro da Silva, de 47 anos. Ele foi preso em flagrante e confessou o crime. A mulher estava sendo ameaçada há quase um ano.
De acordo com o delegado Roberto Pereira Gaspar, presidente do inquérito, Francisco não aceitava a separação. "Ele sempre andava armado com facas e jurava que ia matar a ex-companheira", disse. O homem afirmou que começou a ameaçar a vítima depois de descobrir uma suposta traição.
O casal teve um relacionamento por oito anos, mas desde que as ameaças ficaram mais constantes, a vítima resolveu terminar a relação e sair de casa. Em depoimento, Maria disse que já havia sido agredida fisicamente. Ela também relatou que havia procurado a Polícia Militar e denunciado a violência outras vezes, mas Francisco conseguia se esconder e evitar a prisão.
O delegado afirmou que as informações da vítima foram fundamentais para a captura do acusado. Maria disse que o ex estava morando na antiga residência do casal, de onde se recusava a sair.
O cabo Nilson Rabelo da Silva e o delegado Gaspar montaram uma operação para capturar o agressor. Francisco notou quando os policiais se aproximaram da casa e fugiu pelos fundos. Ele atravessou um riacho que havia no quintal, mas foi preso alguns metros depois. Ele foi detido por volta das 13h, em um ponto localizado entre os bairros Quinta e Barro Branco, na periferia da cidade.
Inicialmente Francisco negou as acusações, mas, após ser interrogado, confessou o crime. Ao delegado, disse que tudo o que fez foi "por amor". Segundo ele, as crises de raiva que o levavam a ameaçar a ex-companheira ocorriam depois que ele consumia bebidas alcoólicas. Apesar de andar armado, ele disse que "só ameaçava (a vítima), mas não teria coragem para matá-la".
As investigações apontam que Francisco já havia tentado matar Maria várias vezes. De acordo com o delegado Roberto Gaspar, o acusado ia até a casa de Maria, "quebrava o portão, gritava e tentava entrar a força". A mulher chegou a parar de trabalhar e raramente saía de casa com medo do ex.
O acusado alegou estar arrependido, mas o crime já foi comunicado à Justiça e, por isso, ele vai ficar preso na carceragem da delegacia.