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Inez Donati: de contadora de história à autora de livros
Por Sâmia Maffra

O coelho Roni é muito distraído. Em uma manhã de sua vida, ele não
consegue lembrar de uma das datas mais importantes para um coelhinho. Em torno desse suspense ocorre a história do livro infantil o 'Coelhinho distraído', da escritora paraense e marinheira de primeira viagem Inez Donati.

No livro, ela mistura elementos da fauna e flora amazônicas para dar vida ao personagem Roni.  A história que surgiu para entreter os menores nas festas da família, foi baseada em um sobrinho de Inez que quando criança era inquieto como Roni.

A edição, que já foi lançada em São Paulo, será lançada no dia 5 de abril em Belém. E as crianças que participarem terão direito a lápis de cor e contação de história.

Ficou curioso para saber mais? Então leia o Balaio Virtual desta semana.

Portal ORM - Por que você resolveu escrever um livro para crianças? A idéia surgiu por que elas estão lendo menos?

Inez – Na verdade, a história desse livro é antiga. Quando meus filhos, sobrinhos e filhos de amigos eram crianças, eu costumava reuní-los em casa para montar peçinhas de teatro no Natal, na Páscoa e nos aniversários. Geralmente usava autores do teatro infantil mas, às vezes, inventava alguma coisa. E foi assim com a história do coelhinho distraído. Não tinha nenhuma peça escrita e bolei a história do coelho que se esquece da proximidade da Páscoa, usando como mote o papel tradicional dos coelhos na elaboração e entrega de ovos de chocolate.

Quanto à questão da leitura, não sei se as crianças hoje em dia leem menos do que as da minha infância. Eu lia bastante e faço o que posso para estimular a leitura nos outros, não só em crianças.

Portal ORM - Essa é a sua primeira experiência como escritora? Comente sobre o desafio.

Inez - É, de fato, um desafio. São muitos passos até ter um livro lançado ao público, mesmo tratando-se de um livro de literatura infantil. Não é minha primeira experiência como escritora, de todo modo, é a primeira que chega a este ponto de materialização, que é a entrega ao público. Mas tenho alguns balões de ensaio, e, se o coelhinho for bem recebido, talvez ele venha a ter companhia.

Portal ORM - Comente sobre a história do livro 'O Coelhinho Distraído'.

Inez - Roni, o coelhinho boa-praça, tem essa característica: é muito distraído. Quando ele percebe, pela conversa dos outros bichos, que tem alguma coisa no ar, ele passa a recordar as atividades do ano, festas como a junina, natalina e o carnaval. Festas que as crianças, seus ouvintes e leitores, também lembram, pela magnitude dos festejos.

A idéia é também lembrar essa trajetória do tempo pra criança, e o conforto das coisas boas e alegres que se repetem em períodos e sequências em seu pequeno tempo de vida: o carnaval, no início do ano, seguido da Páscoa, da quadra junina, da Semana da Criança e do Natal. Em Belém, as crianças teriam ainda o Círio na sequência.

Então, Roni não lembra da próxima festa, a Páscoa, e pensa, por exemplo, que é o Natal, corre para casa, apanha as luzes coloridas e começa a enfeitar um pinheirinho plantado em frente à toca da família Coelho. Ou, acha que é São João e começa a juntar gravetos para fazer uma fogueira, e assim por diante. Sempre cantando as músicas emblemáticas daquela comemoração.

Portal ORM - No livro você utiliza elementos amazônicos, como a
floresta e o ingá. Por que a escolha?

Inez - Em primeiro lugar porque sou paraense, de Belém, então essas coisas fazem parte de mim. Depois porque acho os nomes das nossas frutas muito sonoros, quase todas têm som aberto, gostosos de pronunciar. Uma amiga paulistana, que veio a Belém, ficava repetindo “taperebá”, “bacuri” “cupuaçu”, porque gostava de falar essas palavras. E a floresta é um elemento muito forte no imaginário da criança.

Portal ORM - No lançamento do livro em Belém e em São Paulo haverá uma contadora de história. Algum nome já escolhido para a capital paraense? Como será esse processo?

Inez - Não, ainda não escolhi a contadora de história para Belém. Devo fazer isso assim que aí chegar. Creio que o mais objetivo será procurar o pessoal de teatro, pois, pelo menos aqui em Sampa, contação de história é um nicho de trabalho dos profissionais de teatro. Há grupos organizados, cursos, etc. As crianças adoram, ficam quietinhas acompanhando a contação, e os pais aproveitam para descansar um pouco.

Portal ORM - As crianças também ganharão brindes ao comprar o livro?

Inez - Sim. Os que adquirirem o livro no dia do lançamento, levam junto
uma caixinha de giz de cera para darem um toque pessoal ao seu exemplar.

Portal ORM - Você se baseou em algum outro escritor para fazer sua história?

Inez - Não. Pelo menos, conscientemente não. Na verdade, a personagem
principal, o coelhinho, foi inspirada num sobrinho, com o nome parecido que era muito irrequieto, muito buliçoso quando criança. Na ocasião foi ele quem fez o papel do Roni, na peçinha.

Portal ORM - Quais escritores você admira?

Inez - Muitos. Eu destacaria Garcia Marques, Vargas Llhosa, Carlos
Drummont. No momento estou lendo 'Tempos interessantes', de Eric Hobsbawm, e estou apaixonada.

Portal ORM - Qual livro você aconselharia para todos lerem?

Inez - 'Cem anos de solidão', de Gabriel Garcia Marques.

Portal ORM - Você pretende lançar outras publicações voltadas para
crianças ou para o público mais velho?

Inez - Sim. Gostei da experiência com este livro e penso em continuar a
escrever para crianças e também para adolescentes.

 
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