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Caixa de Criadores: vitrine da criatividade paraense


A temporada de moda em Belém do Pará chegou. Depois de seis longos meses de espera, o Mercado de Moda Caixa de Criadores convida todos os estilistas, fashionistas, curiosos e admiradores do mundo da moda a participar desse universo mágico que a Estação das Docas vai se transformar, no período de 7 a 10 de junho.


O evento, que este ano reúne mais de 40 marcas de moda e design, já se consagrou como a vitrine da moda autoral paraense, pois a partir dele, muitos criadores tornaram-se independentes e conquistaram espaço dentro e fora do Pará, fortalecendo uma cadeia produtiva que envolve estilistas, costureiras, produtores, modelos, fotógrafos e maquiadores, além de gerar emprego e renda na área de confecção, artesanato, bijuteria e serigrafia. Nas oito edições realizadas, cerca de 100 marcas diferentes já participaram do evento e, em termos de desfiles, exposição e comercialização de produtos, o Caixa de Criadores chega à marca de 420 horas.

 

Nesta 9ª edição em clima de Copa do Mundo, o que inspira o coletivo de moda é o que o Brasil tem de diferente. Daí o tema, Brasileiríssimo,escolhido para mostrar essa diversidade cultural que o brasileiro e o paraense têm de sobra. Em entrevista ao Balaio Virtual dessa semana, Junior Oliveira, um dos cinco organizadores do Caixa de Criadores, fala sobre o fortalecimento da moda autoral paraense e conta as novidades do evento, entre elas, a participação de projetos sociais. Confira!


 
Portal ORM - Como surgiu o Caixa de Criadores?

 

Junior - O Caixa de Criadores surgiu, inicialmente, como um projeto de faculdade, meu e do Fernando Hage, um dos organizadores. Imediatamente, ele não saiu do papel para ser executado. Por isso, no final de 2006, a gente se reuniu junto com Clara Carneiro, Diogo Carneiro e Jaqueline Carvalho, para fazer um bazar, no antigo Café Imaginário. Essa ideia foi se estendendo, surgindo outras e, aí, a gente fez a primeira edição do Caixa, com 17 marcas participantes. Nesse tempo também foi lançado o curso de moda da Universidade da Amazônia (Unama). Então, como a gente tinha o projeto da faculdade, no mesmo formato que imaginávamos, uma programação e o nome aprovado, surgiu o Caixa de Criadores.


 
Portal ORM -Podemos dizer, então, que o Caixa é a vitrine da criatividade paraense?


Junior - É o lugar mais propício de você encontrar coisas diferentes, peças criativas, roupas, acessórios, objetos...então, acho que o Caixa de Criadores hoje é o espaço que se abre não só para a moda, mas também para o designer mostrar o que é produto e o que se cria na cidade. Então, a gente pode considerar que o Caixa de Criadores é a principal vitrine para esses novos criadores.


 
Portal ORM - Nesta 9ª edição, inspirada no tema ‘Brasileiríssimo’, quais as novidades do coletivo de moda?


Junior - Como vai estar todo mundo eufórico com a Copa do Mundo e o período do evento é um pouco antes, a gente fechou nesse tema ‘Brasileiríssimo’ para mostrar essa diversidade cultural que o brasileiro e o paraense têm de sobra para colocar em seus trabalhos. Então, nessa edição, a gente vem com um formato inovador nos estandes, que serão padronizados com madeira de reflorestamento, cedidas por meio da nossa parceria com a Cikel, e traz também o espaço dos novos criadores, porque a ideia do projeto é que as pessoas entrem e, futuramente, se tornem empresários. Outra novidade é o desfile paralelo ao evento. Antigamente, eles eram um ou dois dias antes e na sequência começava o Mercado. Nessa edição, são dois dias de desfiles simultâneos com o Caixa de Criadores. Contamos com a participação de mais de 40 marcas, sendo doze estreantes. 
 


Portal ORM - Como será a participação de projetos de responsabilidade social no Caixa de Criadores?


Junior - Nós temos a participação de quatro projetos, porque não adianta só ter o apoio de grandes empresas e não ter onde mostrar. O primeiro deles é o Costurando Sonhos, um trabalho com mulheres da comunidade do 40 Horas, desenvolvido pela Cikel e assistido pela Unama, onde alunos e professores do curso de moda dão suporte às costureiras. Contamos também com a presença da Imerys, que traz ao evento os projetos Iara e Arte da Ilha, no qual mulheres de pescadores e donas de casa do entorno de Barcarena recebem estímulo, treinamento e oportunidade de mostrar seus trabalhos. Outro projeto vem de Muaná, na Ilha do Marajó, onde as artesãs trabalham com a fibra do Tururi. Elas vem mostrar um trabalho bem diferenciado, mas já conhecido no Fashion Rio e no Capital Fashion Week. Finalmente, temos a produção da Fábrica Esperança, por meio da marca Angatu, onde a moda feminina é produzida por egressos do Sistema Penal do Estado.  

 

Portal ORM - Além de fugir das roupas em série, o que mais os visitantes podem conferir sobre a moda produzida no Pará?


Junior - Quem for ao Caixa de Criadores vai encontrar roupas exclusivas, peças únicas, acessórios diferenciados, entre bijuterias e bolsas. Além disso, terá uma exposição de fotografia, valorizando o trabalho feito por fotógrafos de moda paraense, afinal, dentro do mundo da moda é essencial ter um bom fotógrafo, e a programação musical, que conta com djs de vários coletivos da cidade, o que já virou uma ‘rotina’ de todas as edições. Falando em música, nesse sábado, dia 5, temos a festa de lançamento do Mercado de Moda, em parceria com a Meachuta. Vamos trazer os djs paulistanos Johnny Luxo e Leiloca Pantoja, na boate 7Seven, para começar a temporada de moda de Belém.


 
Portal ORM - A cada ano, o Caixa de Criadores ganha mais adeptos. Prova disso são as mais de 100 marcas que já participaram do evento. A que você atribui esse sucesso?


Junior - Isso é uma evolução de ordem natural das coisas. Na primeira edição nós tivemos que caçar as marcas. E a partir daí, as pessoas foram conhecendo e quem já produzia, mas não tinha oportunidade para vender, começou a nos procurar e cada vez mais temos essa adesão de várias marcas. Elas veem a repercussão que o evento dá e acabam vindo até nós com o interesse de participar. Dessas 100 marcas, algumas experimentaram e estão seguindo seu caminho, para outras serviu como alavanca, umas participam até hoje, então, fica nesse trânsito de marcas, porque a ideia é ter mesmo essa rotatividade.


 
Portal ORM - Por que participar do Caixa de Criadores?


Junior - Para a pessoa que tem uma marca ou um trabalho e quer mostrar em Belém, o Caixa de Criadores é a melhor vitrine para ter um bom retorno. Não é apenas um evento em que se vai comprar. Ele lança tendências, coleções. Então, para quem quer mostrar sua cara na cidade, com a moda ou o design, a melhor opção é o Caixa de Criadores.
 

 
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