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CONFIRA: Salas de Chat
01/09/2010 às 18h17
Apagou velinha!

Este blog está temporariamente fora do ar. Se você está acessando quarta, 1º de setembro, saiba que a blogueira que aqui escreve está fazendo aniversário e por conta disso nem se deu ao trabalho de dar as caras, mandar um email nem que seja com um texto de dois parágrafos sobre o tempo.

Se você está acessando quinta, este blog está se preparando para comemorar. As letras foram se encher de serifa, as frases saíram para encontrar umas as outras até dar rima e a imaginação já está debruçada sobre um copo em uma mesa de bar perdendo a linha. Nossa blogueira está perdida pela cidade, e torcemos aqui que a comemoração lhe renda alguma boa história para publicar aqui.


Se você está acessando na sexta, este blog ainda não dormiu. Os parágrafos estão virados, e a inspiração nem dá mais acordo de si. A festa não terminou, mesmo com as ideias tendo ficado pouco mais velhas, as linhas mais maduras.


Agora, se você acessou qualquer outro dia da semana que não seja esse, percebeu que este blog está de ressaca! E nossa blogueira continua nos devendo um texto, sumiu sem dar a menor satisfação, achando, no duro, que ainda tem idade pra passar uma semana comemorando aniversário. É isso mesmo, ela está ficando matusa! 28 anos, pronto falamos.


Então, caso você tenha notícias dela, avise que estamos a sua procura. E que a pior coisa é escritor que tenta falar de si como se fosse outra pessoa. Todo mundo sabe que nós, do Portal ORM, não escrevemos esse texto panaca.

Pô, Luly, vê se cresce!


P.S. Desculpa, gente, sai pra comemorar e já volto.


24/08/2010 às 13h00
Insípido

Acordo com esse gosto amargo no céu da boca. Um gosto de outras vidas, outras peles, outros lances, outras histórias, ciúmes e secreções. O gosto de ontem, uma noite sem nenhum tempero, insossa. Como se tivesse acabado de devorar qualquer refeição sem sabor apenas para saciar o estômago faminto.

 

Dois copos de água com muito gelo para matar a sede e tirar o hálito de ressaca. O corpo que pende ao meu lado não me diz nada. Quem é? Sei o nome, claro. Lembro bem como chegamos ali, mas, por que chegamos?

 

A gente se encontrou num bar, meia dúzia de palavras ensaiadas dando vida a uma conversa completamente previsível, que ambos já tivemos incontáveis vezes só mudando os personagens. Àquela altura já devíamos ser mais ou menos atraentes um pro outro e mais alguns copos de whisky estaríamos irresistíveis.

 

Em duas horas essa patética dança do acasalamento já tinha nos levado a um quarto grotesco de um motel qualquer barato. Consegui prestar atenção no quadro horroroso na cabeceira da cama. Uma pintura a óleo, que parecia ter sido feita por uma criança. Era uma mulher nua tocando o rosto de um cisne triste. Algumas penas e plumas (do cisne?) cobriam pedaços do seu corpo e os dois juntos meio que formavam um coração. Tão bizarro que durante um tempo me perdi do que realmente estava acontecendo ali.

 

Não demorou muito. Tinha um preço aqueles vinte minutos. Eu não sabia. Devia ter desconfiado. Queria ir embora, ou mandar quem deveria embora. Mas o álcool confundia minha visão, colocava em um filme stop-motion meus movimentos e atrapalhava meu cérebro de enviar qualquer mensagem à minha boca. Dormimos abraçados, tentei escapar ao máximo daquilo, sem muito sucesso.

 

Agora o gosto azedo de um suor qualquer na boca. Dor de cabeça. Ressaca moral. Ressaca oral. Não tive coragem nem de olhar o rosto. Minha carteira vazia, vazia demais para pagar aqueles vinte horrendos minutos. Não sou disso. Não seria disso. Mas vesti as roupas por cima do corpo imundo de arrependimento e tentei fugir. Impossível. Liguei para a portaria e acertei o quarto. Ao menos isso. Quase dá errado, quando a campainha tocou. Mas aquele corpo estava bêbado demais de sono para dar acordo.

 

Em casa, nem a pasta de dente, nem o café sem açúcar tiraram aquele desgosto na boca. E ela liga. Após tanta espera, tanto sofrimento, tanta paciência, quando a desesperança me levou àquele bar de quinta, ela finamente liga. 'Estou com saudade', eu mais do que ninguém estava. 'O que você fez ontem?'. Nada. Estava só. Completamente só.

 


16/08/2010 às 11h45
O abominável monstro do consumo

- Coloca metade do valor no meu cartão, parcelado de 3x. Aí 200 reais eu te dou em dinheiro e os outros 200 em cheque, pode ser?

A cara da mulher do caixa diz tudo: não sabe nem como vai pagar e tá se atolando aqui de roupa, né perua?

Comigo, consumista assumida, não acontece diferente de como acontece com as outras mulheres. Entro na loja para comprar um sapato, mas aí vejo mais dois que são lindos, e eu estava justamente precisando de um sapato como aquele. Aí, acabo passando do lado das bolsas e, puxa, elas estão tão baratas... Combinam perfeitamente com aquelas blusinhas ali e, aaah! Preciso muito de uma calça skinny, tinha me esquecido, vou já procurar.

Meu alvo preferido são as lojas de departamento, não tenha dúvida. Porque em boutiques eu compro uma, duas peças, de forma moderada. Mas em lojas de departamento, onde tudo é barato, é possível fazer a festa pra montar mil looks, misturar coisas, por um preço fan-tás-ti-co. Quando me dou conta a sacola está abarrotada, já entrei e sai do provador 10 vezes, e 3 horas depois já fizemos o rapa nas araras. É quando começa a bater o desespero. É chegada a hora da revelação: o caixa.

Começo a fazer a recontagem das roupas, porque honestamente, após o frisson da pesca nos cabides, percebo que exagerei. O problema é que durante a conferida final vejo que é impossível deixar alguma coisa para trás porque EU PRECISO DE TODAS AQUELAS PEÇAS PRA SER FELIZ. Se eu deixar a sainha, a blusa não vai ter sentido e assim o sapato vai perder a sua alma gêmea que é aquele look. Eu já cheguei ao cúmulo de tirar roupa da sacola para diminuir a conta e no dia seguinte voltar à loja e pegar a peça de novo porque não conseguia encontrar nada para vestir(!). Tudo porque fiquei com a roupa na cabeça. Ok. Sou doente.

Mas voltemos ao caixa. A caminhada até a fila é penosa. Chega a ser constrangedora. Eu observo à minha frente. Uma senhora está com alguns jogos de cama, outra, de mãos dadas com a filha, segura três ou quatro conjuntos de roupa pra ela, uma jovem tem na sacola poucas peças, e assim vai. Eu carrego duas sacolas abarrotas. Tento enfiar tudo em uma só, mas não consigo. As roupas transbordam e vão caindo no chão, as pessoas na fila vão virando o pescoço pra olhar, algumas tentam me ajudar e imagino o que devem pensar de mim: perua em loja de departamento. Só faria sentido realmente uma sacola daquelas se eu tivesse doado todas as minhas roupas e precisasse refazer o guarda-roupa. É. Por isso que não gosto de fazer compra com amigas. Não quero ser julgada, não agüento aquele olhar de 'vai levar tudo isso'? Prefiro manter meu pecado escondido.

Chega a minha vez. É incrível como o semblante de uma mulher consumista muda ao chegar ao caixa. O olhar é de quem vai pra forca. O desejo passou. Entramos na loja. O êxtase também. Catamos tudo o que deu vontade. Agora, a ressaca. A moça do caixa pergunta logo:

- Forma de pagamento, senhora?

Po, não faz pergunta difícil.

- Eu acho que vou tirar uma parte em crédito, outra em débito.

Vale tudo, todo tipo de pagamento e negociação para levar tudo. Vou tentando fazer a conta mental, sem muita coragem de olhar a registradora, mas acabo olhando. Tá em 300. Vai dando uma aflição. Começo a suar frio, o beiço treme, mordo o lábio e aperto as mãos. Queria fugir. Será que preciso dessa blusa mesmo? Preciso. E essa saia? Ai, meu Deus. Por quê?

- 835 reais, senhora. Deseja parcelar?

Desejo morrer.

- Quer tirar o cartão da loja?

Não! Nada que me facilite mais a compra!

- É, não. Eu quero tirar um pedaço em débito neste cartão. Outra parte em débito nesse outro cartão. Quero apenas parcelar o mínimo aqui nesse outro.

A atendente deve achar que sou rica. Tudo em débito. Conta abarrotada. Não, não, minha cara. É que tirando em débito a culpa dura apenas algumas horas. Parcelado, a culpa vai durar três, quatro meses, mais tempo do que a minha paixão por cada roupa dessas. Passa tudo, vai! Não sei quanto vai me restar na conta, mas some com esse valor da minha frente.

Usar as roupas novas é um prazer indescritível. Homem nenhum pode entender. Tirar a etiqueta traz a sua estima de volta. Mas a culpa fica meio entranhada quando elogiam ou reparam que a roupa é nova! Claro, toda consumista que se preze sempre dirá 'menina, foi superbarato'. Mentira. Mas sempre diremos isso até pra nossa melhor amiga. Não temos coragem de admitir nem pra ela que gastamos o almoço do mês pra desfilar naquele salto incrível.

Aí, você olha o guarda-roupa com tanta peça nova que fica impossível escolher qual usar primeiro. Você quer sair todo dia, arrumar um programa novo de segunda a segunda pra estrear tudo o que comprou, mas VOCÊ ESTÁ LISA! Quando digo aos outros que eu odeio shopping, não estou sendo hipócrita. Eu odeio mesmo! Porque ele desperta em mim o monstro que tento manter adormecido.

- Amiga, tem uma festa hoje naquela boate nova! Vamo?

- Pô, não vai dar... É que eu to toda endividada de cartão, sabe... e tive que 'pagar umas contas' em débito... Contenção de despesas.

- Égua, Luly, toda vez tu tas enrolada. Como assim?

- Vai saber, amiga, vai saber...

Saldo: 30 peças novas. Conta zerada. E pelo menos 3 meses sem pisar no shopping.

 


30/07/2010 às 20h12
Complexo de Peter Pan

Agora eu dei pra ser tiazona. Lascou-se.

Tá bom, eu confesso vai. Andei pegando uns garotinhos. Mas o mercado dos homens mais velhos tá ficando saturado, gente, e ainda por cima, eles também procuram garotinhas. A gente fica meio sem público, até porque os tios como eu só colocam a cara na rua uma vez por semana (quase como eu tenho feito) e fica difícil realmente conhecer alguém interessante por telepatia. Então eu decidi dar uma chance aos garotos de 20 e poucos anos e olha, posso dizer que a nova geração vai dar trabalho.

Mas não é exatamente por isso que estou tiazona. É que não contente da vida ter-me afastado os pretendentes, ela também colocou na dispensa meus amigos e eu. É. Andamos cada vez mais atarefados, mais velhos e, obviamente, mais cansados. Só que talvez eu seja uma das únicas dos meus comparsas que ainda queria resistir à lei natural da vida e lutar contra o peso da idade. Eu continuo tentando, enquanto eles, sucumbem. E sendo assim me rendi também às garotinhas. Calma. Meu nível de desespero não está tão grande a ponto de mudar minha opção sexual. Eu simplesmente arrumei uma turma de amigas e amigos mais novos.

Minha nova amiguinha tem 20 anos. Sim. 20 aninhos, flor da idade, energia pra dar e vender. Ela pode tudo, sempre, a toda hora. Qualquer farra de segunda à segunda, com força ainda pra acordar todos os dias e trabalhar, além de ir pra faculdade à noite. Sua única limitação é o salário de estagiária que não dura a quantidade de farras que ela quer fazer. Gente boa. Gente muito boa. Minha funcionária, maluquinha, antenada, mesmo signo que eu. Me identifiquei. E lá estamos pra cima e pra baixo em busca da boemia perdida. Com ela, vou conhecendo outras pessoas novas e animadas. Encontro a ex de 20 aninhos do meu amigo, um balzaco que também se rendeu a juventude, e ela já me convida pra ficar com a turma dela na praia. Eu não fui, preferindo ficar com o pessoal da minha idade, o que foi um erro crasso, já que metade deles estava desanimado. Mas foi quando encontrei os amiguinhos do irmão mais novo da minha melhor amiga é que a noite ganhou ares de férias de verão.

Fim de semana passado, encontrei meu primo, que mora no Rio de Janeiro e está passando férias aqui. Ele tem 23 anos, nunca saiu comigo, nunca foi da minha turma. Mas convidei-o pra viajar comigo no fim de semana. Tenho certeza que ele achou que seria barca furada, mas aceitou. Por uns instantes também pensei que seria. Ele levou um amigo de 22 anos e lá na praia, mais umas amigas da mesma idade. Para meu espanto, foi o melhor fim de semana de todo esse verão. Nos identificamos, rimos, nos divertimos horrores! Ah, o viço da juventude! Enquanto o amigo trintão que eu tinha levado, se queixava de azia, tomava antialérgico, e vivia reclamando da fadiga, o primão agitava nos chamando pra night. Foi o pontapé pra que virássemos novos parceiros de noitada.

Enquanto minhas amigas mais velhas dormem às 22h, brigam com os respectivos namorados e fazem check up geral, eu parto pra farra com a molecada, tentando entender o dialeto deles. 'A noite tá tensa!', 'O que? Vocês não estão gostando?', 'Não, Luly, tenso quer dizer que a noite tá do cacete'. O amigo do meu primo me acha a coroa gostosa, eu devo ser uma espécie de Mrs. Robinson ou a mãe do Stiffler pra ele. Quando revelo minha idade, uma das meninas se espanta: VOCÊ VAI FAZER 28 ANOS??? Era como se eu fosse uma entidade. E solta: 'Cara, quando eu chegar aos 28 quero ficar assim que nem tu'. Epa. Eu tenho 5 anos a mais que ela só! Eu parecia uma peça de museu conservada do jeito que ela falava. Meu Deus, eu sou a Mercedes, personagem do Divã, da Martha Medeiros! 'EU TÔ NA VIBE!'.

Aí começo a sentir o peso da escolha. 'Pô, primo, eu já sai na terça e na quarta. Bora ver se consigo te encontrar quinta'. Claro que não. Deitei um pouco pra passar o cansaço e quando vi, antes das 23h já tinha apagado. É, não dá pra negar, por mais que eu queira, minha pilha vai descarregar. E quando eles ainda quiserem party all night long, eu vou querer um cantinho pra acabar de ler meu livro e descansar. E o que vou dizer pra não ser rejeitada pela turma cocota quando as costas doerem, o sono bater e eu precisar tomar energético para continuar? 'Gente, vou dormir que tá tenso'.

É, não da pra negar que cada um tem seu tempo. Ele é inexorável, não tem jeito. E por mais que eu queria que ele volte, ele só conhece uma direção e é para a frente. Enquanto isso, vou teimando em dar uma de Peter Pan, porque, honestamente, quanto mais perto chego dos 30 mais percebo que o tempo e eu só vamos ficando melhores e nos entendendo mais.

Talvez não tenha a mesma energia e animação de antes, mas ainda quero ganhar o mundo, descobrir mil coisas e ainda não sei nada da vida, o melhor é que não preciso pedir permissão para ninguém ou inventar desculpas, tenho meu próprio dinheiro e meu livre arbítrio para isso. Antes que eu forme uma família, ganhe filhos, antes que a vida me coloque em um lugar do qual eu não terei a menor vontade de sair, eu experimento tudo o que o acaso pode me dar. E aí sim, um dia vou poder dizer: 'Ah, tá bom. Cansei'.


Luly Mendonça tem 27 anos, e há três escreve para o PortalORM. Perfeccionista como todo virginiano, mentirosa como todo publicitário.
É redatora publicitária, repórter e coordenadora da Revista Estilo Patio Belém, dona de brechó e aspirante à escritora. Tudo o que você falar poderá ser usado contra você em uma de suas crônicas. Cuidado!
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