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27/11/2008 às 14h00
O coelhinho marrom
 

Em comentário ao post anterior, Rachel me perguntou o que eu acho de “Brown Bunny”, de e com Vincent Gallo, em cartaz (não sei até quando) no Moviecom Castanheira, dentro do projeto Moviecom Arte, que tem trazido pérolas a Belém. Ela fez a mesma pergunta para o Aerton “Mark Lewis” Martins em seu blog Cinema na Mangueirosa (link aí ao lado), mas elaborou mais e escreveu: “Só conheço uma pessoa que viu: meu ex-namorado e ele disse que é um filme que não é para todo o tipo de público e que infelizmente só foi visto por causa do burburinho em torno da já famigerada cena de sexo oral...”

O ex-namorado da Rachel tem razão e tem razão de novo. Não é um filme para todo tipo de público e foi mais procurado pela “famigerada cena de sexo oral” do que por qualquer outro motivo. Escrevi sobre o filme para a coluna ZOOM, faz tempo. Segue o texto, publicado em julho de 2005 no Liberal. No próximo domingo, falo mais sobre a relação entre o filme e a pornografia. Comecei meu texto abaixo dizendo que esta dilacerante obra-prima não chegaria a Belém. Acabou chegando, três anos depois. Antes tarde... 

O coelhinho marrom

“The Brown Bunny” não está em um cinema perto de você. Nem estará, apesar de ter sido recentemente exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo. Se por aqui é raro chegar um filme que fuja dos padrões - e, quando chega, é mal lançado (vejam o exemplo de Oldboy) -, que dirá um filme maldito. E o filme de Vincent Gallo é maldito entre os malditos.

Ao ser exibido em Cannes, há dois anos, foi vaiado pelo público e quase unanimemente vilipendiado pela crítica. Roger Ebert, o crítico mais popular dos Estados Unidos, saiu da sessão dizendo que era “o pior filme da história do festival”. A maioria dos críticos presentes concordou com ele. O tablóide inglês Screen International, que tabula as cotações dos filmes em competição, constatou que a do filme de Gallo foi a mais baixa na história do jornal.

Eu poderia citar o que outros críticos disseram, mas prefiro continuar com Ebert. Suas opiniões ilustram muito bem como pensa uma grande parcela da crítica internacional. Para Ebert, Gallo “devia estar louco ao (a) fazer o filme e (b) permitir que fosse exibido”. Ter sido selecionado para Cannes, segundo o crítico, levantou dúvidas sobre “o discernimento, até mesmo sobre a sanidade, dos programadores”.

A reação do diretor foi surpreendente. E patética. Chorou, pediu desculpas aos patrocinadores e declarou que o filme era “um desastre e uma perda de tempo”. Fiquei chocado, na época, ao ver um cineasta renegar seu filme desse modo. Só depois de ter assistido a “The Brown Bunny” compreendi como Gallo deve ter se sentido. A crítica pode malhar quanto quiser “Dark Water” que Walter Salles não vai se abalar nem um pouquinho. Salles pode se defender, como aliás já se defendeu antecipadamente, explicando que foi um trabalho de encomenda, uma experiência que ele não quer repetir. Difícil mesmo deve ser receber críticas tão duras a um trabalho tão intensamente pessoal, e corajoso, quanto o de Gallo.

Felizmente, o diretor não demorou muito a sair do torpor e passou a defender seu filme com veemência. Em uma entrevista ao jornal New York Post, ele chamou Ebert de “porco gordo”. A agressão não foi desmedida, levando em conta os argumentos ad hominem usados pelo crítico. Ebert admitiu estar acima do peso e retrucou que um dia deixará de ser gordo, mas que Vincent Gallo continuará sendo o diretor de “The Brown Bunny”. Melhor para Gallo que, além de magro, passará para a história como autor de um filme belo e injustiçado. Ebert, gordo ou magro, será sempre lembrado como um crítico medíocre.

“The Brown Bunny” é, ao mesmo tempo, um road movie e uma dolorosa história de amor. Mas é um  road movie de verdade, não um “Thelma & Louise” da vida. Pertence a um grupo seleto que inclui “Corrida Sem Fim”, de Monte Hellman, “No Decurso do Tempo”, de Wim Wenders, “Sem Destino”, de Dennis Hopper, e “Corrida Contra o Destino”, de Richard Sarafian. Como história de amor é dilacerante. A notória cena de felação explícita entre a atriz Chloe Sevigny e Vincent Gallo está longe de ser pornográfica. Poucas vezes um ato sexual foi mostrado de forma tão triste em uma tela de cinema. Talvez seja principalmente por essa cena que os críticos tenham confundido coragem com narcisismo.

“The Brown Bunny”, como eu já disse, é intensamente pessoal. Nos créditos iniciais, o espectador fica sabendo que o filme foi “escrito, dirigido, montado e produzido por Vincent Gallo” e, nos créditos finais, que Gallo também foi o diretor de fotografia. Além de acumular todas essas funções, Gallo também é o ator principal. E mostra o pênis no final. Isso é narcisismo? E se for? Como disse Jean-Luc Godard, que acha o filme magnífico, “Se um narcisista faz um bom filme, melhor ainda.” Basta lembrar das obras de Charles Chaplin, Eric Von Stroheim, Orson Welles, e do próprio Godard, para dar razão a ele.

Ainda assim, não vejo narcisismo em “The Brown Bunny”. O filme não é sobre Vincent Gallo, e sim sobre um personagem atormentado pelo remorso chamado Bud Clay. E é um poema audiovisual ou uma canção desesperada, sobre amor, solidão e saudade. E é também um quase estático road movie.

Bud atravessa os Estados Unidos, de New Hampshire à Califórnia, mas quando se está irremediavelmente empacado no passado, toda viagem é uma jornada que leva de um lugar qualquer para lugar nenhum.

“The Brown Bunny” é o melhor filme não exibido em Belém este ano.

 
 
 
20/11/2008 às 14h00
As regras do jogo
 

Superinterpretar é um vício desgraçado, mas subinterpretar também faz mal à saúde, não do intérprete, mas do que é interpretado. Isso vale para a interpretação de qualquer obra narrativa, mas vamos ficar no cinema. Filmes são bem mais do que quebra-cabeças, mas, até certo ponto, também são quebra-cabeças. E possuem equivalentes até mesmo à figura impressa na tampa da caixa de um quebra-cabeça tradicional. O gênero a que o filme pertence já dá uma pista de como o filme deve ser “montado”.

Outras pistas habituais são os trailers, as críticas, os filmes anteriores do diretor, o elenco principal, o país e a época em que foi produzido. Quem se arriscar a montar um filme de Federico Fellini rodado na Cinecittà na década de 60 como se fosse um faroeste hollywoodiano de John Ford da década de 50 vai ter problemas. Mas, ao contrário da figura na caixa do quebra-cabeça, essas pistas não estão disponíveis para todo mundo. E, é claro, existem pistas falsas. O único processo seguro é tentar descobrir como o filme “quer” ser montado. 

“Entre a intenção do autor e o propósito do intérprete”, afirma sabiamente Umberto Eco, “existe a intenção do texto”. E o texto, em nosso caso um filme, pode ter uma intenção que vá contra a expectativa de quem o produz, o dirige, o distribue, o exibe e, é claro, o vê. E é a intenção do filme que é violentada tanto por quem a superinterpreta quanto por quem a subinterpreta. Os primeiros buscam intenções ocultas e se regalam elaborando críticas ideológicas, sociológicas, feministas e por aí vai. Os últimos não querem saber de intenção nenhuma; não têm critérios, têm caprichos.

Mudando de metáfora, quem superinterpreta um filme age como alguém que resolvesse jogar xadrez e decidisse que seus cavalos não precisam andar em “L”, que seus peões podem agir como torres e suas torres como damas. E quem subinterpreta se contenta em admirar as peças e o tabuleiro, achando que não têm outra função que não seja decorativa. Ambos podem até se divertir, mas jogar que é bom, nada.

 
 
 
17/11/2008 às 14h00
Trilogia da culpa
 

A obra de David Lynch como um todo é prova de que a psicanálise pode até não funcionar como processo terapêutico, mas muitas vezes é crucial no processo de criação artística. No caso da trilogia informal composta por “Estrada Perdida” (Lost Highway, 1997), “Cidade dos Sonhos” (Mulholland Dr., 2001) e “Império dos Sonhos” (Inland Empire, 2006), o diagnóstico dos sintomas exibidos pelos protagonistas é o mesmo: culpa. Não complexo de culpa, culpa mesmo. Mas a dificuldade em fechar o diagnóstico já começa em saber quem é, afinal de contas, o paciente, ou seja, o protagonista.

 

Em “Estrada Perdida”, Lynch materializa a dissociação do saxofonista Fred Madison que, por não conseguir viver com a culpa de ter barbaramente assassinado e desmembrado a esposa, vira, literalmente, outra pessoa. Em “Cidade dos Sonhos”, a negação da culpa também passa pela dissociação, com a fracassada Diane Selwyn assumindo, em devaneio, o papel da promissora Betty Elms para não ter que encarar o fato de que mandou matar a sua amada.

 

O primeiro filme é mais confuso que o segundo porque Fred não assume o que fez. Ele termina, mais uma vez literalmente, fugindo de qualquer responsabilidade. Diane não tem essa sorte e se mata. E seu suicídio é a chave azul que desvenda o enigma da trama. Para Lynch, a psicanálise não é apenas ineficaz como processo terapêutico, é mortal. Há certas culpas que não podem ser perdoadas e não tem divã nem livro de auto-ajuda que resolva. Melhor se perder nas curvas das estradas perdidas que atravessam as cidades do império dos sonhos.   

 

“O Império dos Sonhos”, assim como “Cidade dos Sonhos”, é um filme sobre “a woman in trouble”. E os problemas dela são a própria fábrica do filme. E isso vale para os outros dois da trilogia. “Estrada Perdida” só não é um filme estilisticamente dividido ao meio porque, desde o início, o ponto de vista emocional e artístico é o do protagonista, é subjetivo. Já estamos na cabeça dele antes mesmo que ele cometa o crime, até porque no mundo do filme não há nem antes nem depois, como deixa claro o “diálogo” por interfone de Fred consigo mesmo. Nem há em “Cidade dos Sonhos” uma cena que possa ser seguramente identificada como flashback e não devaneio. Há momentos em que o sonho se aproxima mais da lembrança, como a cena da festa na casa do diretor de cinema, mas apenas se aproxima. Nada nos filmes da trilogia é apresentado objetivamente, tudo é filtrado.

 

Ângelo Meira Mattos me mandou em email na semana passada sobre “Império dos Sonhos”. Ele e um amigo já estão com a chave do enigma na mão. Seguem trechos do email:

 

“Após uma conversa com um amigo meu e assistir ao filme novamente, para mim ficou mais clara a triste e sombria história de uma polonesa e seus devaneios ante uma televisão num quarto de hotel. Será que é isso mesmo? Como se chega a essa suposição, acredito que por intuição a partir de elementos mostrados no filme - como o próprio Lynch sugere ao público nas suas entrevistas.

 

A impressão do meu amigo, com que concordo, é de que havia apenas uma protagonista real na história e ela era polonesa. A Laura Dern era apenas uma projeção dessa personagem. A polonesa se projetou nela naquele quarto de hotel, ao assistir ao filme ou série que passava na televisão. Talvez a protagonista estivesse sob efeitos de drogas ou tenha se auto-hipnotizado.  

 

Outro aspecto é que acredito que a protagonista tivesse sido ou ainda é prostituta. E meu amigo acredita que ela tenha feito aborto. A história, pois, seria de uma prostituta polaca que perdeu o marido e o filho. O tormento da protagonista decorre da perda de seu filho e marido e da culpa que sente ao trair o marido dia após dia, quando vende o seu corpo aos sucessivos clientes. Amargurada dentro de um quarto de hotel (talvez o quarto nº 47), ela projeta na personagem da TV seus sonhos e medos.

 

Quanto aos sitcons em que aparecem os coelhos, acredito que seja uma cena que transmite a autopunição da protagonista pelo sarcasmo – daí advêm os risos e aplausos da ‘platéia’.

 

Teria que ver mais vezes o filme para destrinchar e tentar compreender outros elementos.

Aguardo tua resposta para saber se tiveste a mesma impressão.”

A história de “Império dos Sonhos”, assim como a dos dois outros filmes da trilogia, é mesmo muito “triste e sombria”. A mulher em apuros é a Lost Girl. Descobrindo quem é a protagonista, os sintomas começam a fazer sentido. Como se chega a essas suposições? Assistindo ao filme de olhos bem abertos, como Ângelo e seu amigo fizeram, não saindo por aí dizendo que o filme é uma beleza, mas não tem pé nem cabeça.

 

 
 
 
11/11/2008 às 14h00
As viúvas do Adolfo
 

Certa vez sugeri, num texto da coluna Zoom, um slogan para a terrinha que fez certo sucesso entre meia-dúzia de leitores: 'Belém, Terra do Moviecom, onde tem de tudo, só não tem filme bom'. De lá para cá, fico feliz em dizer, muita coisa mudou. É verdade que o Moviecom continua monopolizando o circuito comercial, o circuito alternativo 'oficial' continua meio careta e muitos filmes interessantes continuam não entrando em cartaz em Belém. Mas não é só Belém que sofre desse mal. No teatro nova-iorquino, quando o circuito off-Broadway começou a ficar tão sem graça quanto o mainstream, surgiu o circuito off-off-Broadway. E, assim como em outras capitais brasileiras, a programação de cinema mais estimulante de Belém vinha sendo a do circuito off-off-Circuitão.

Graças a uma nova geração de cinéfilos (e, às vezes, a programas como o Torrent e o Emule), o espaço cineclubista, antes ocupado por gente como Pedro Veriano e Adolfo Gomes, voltou a ser preenchido, com exibições de filmes em DVD tanto em salas de cinema como o Cine Líbero Luxardo (com as lotadas Sessões Malditas organizadas pelas duplas formadas por Aerton 'Mark Lewis' Martins e Fábia Martins, Max Andreone e Cauby Eric), quanto em auditórios como os do CEFET (pelo pessoal do Trashformação), da Casa da Linguagem e da UEPA (pela Associação Paraense dos Jovens Críticos de Cinema, capitaneada por Mateus Moura e Miguel Haoni). São jovens, como diz Haoni, da empreendedora APJCC, que não se contentam em ser 'viúvas do Adolfo Gomes'. E que talvez não tenham idade para sentirem-se viúvas do Pedro Veriano.

'As Viúvas do Adolfo' seria, aliás, um nome perfeito para um bloco de carnaval. Permitam-me até sugerir o percurso: a concentração poderia ser na Cidade Velha, onde um dia funcionaram o cinema Universal e o Guarani. Depois, o bloco sairia desfilando por outros bairros que tiveram salas de cinema, como o de Nazaré - onde funcionavam o Poeira (depois Cinema Nazaré), o Iracema (depois Nazaré 2) e o Moderno -, seguindo por São Braz (onde funcionava o Independência), Pedreira (sede do Paraíso) e terminando na Praça Brasil, do saudoso Cinema São João, do qual, aliás, não sinto saudade nenhuma, porque quando fechou suas portas eu acho que ainda nem tinha nascido.

Semana passada, porém, o representante por excelência, e por exclusão, do Circuitão, o Moviecom, passou a perna na garotada e começou a exibir no que eles chamam circuito Moviecom Arte, e que desta vez fez jus ao nome, o desde já maldito 'Império dos Sonhos', de David Lynch sobre o qual já falei por alto no blog de cinema do portal ORM. Isso depois do Moviecom pôr em cartaz, em circuito normal, o não menos maldito 'Encarnação do Demônio', de José Mojica Marins.

Se o Moviecom continuar exibindo filmes assim, precisarei mudar o slogan da terrinha para algo como 'Belém, paraíso da cinefilia, onde até no Moviecom passa filme bom, quem diria?' Por isso aconselho às viúvas do Adolfo, do Pedro, ou de seja lá quem for, que enxuguem de vez suas lágrimas. Ou que, pelo menos, virem viúvas alegres e comecem a preparar suas fantasias para o próximo carnaval. Abram alas para 'As Viúvas do Adolfo' aí, gente!

 
 
 
05/11/2008 às 16h30
Com pé e com cabeça
 

A grande estréia da semana em Belém é a de “Império dos Sonhos”, de David Lynch, no circuito MOVIECOM ARTE, que desta vez fez jus ao nome. Lynch não dirige “filmes de arte”, mas é um artista. David Bordwell diz que a característica mais comum do filme de arte, como um gênero à parte, é usar a ambigüidade como chave mais importante de interpretação. “Na dúvida, leia-se com o máximo de ambigüidade”. 

Quando não se pode afirmar que algum elemento do típico filme de arte é motivado por necessidades dramáticas (tal coisa aconteceu para que outra acontecesse), realistas (tal coisa aconteceu porque coisas assim acontecem na “vida real”) ou transtextuais (tal coisa aconteceu porque se espera que coisas assim aconteçam neste tipo de filme), a explicação mais comum é dizer que a motivação da “tal coisa” é propositalmente ambígua e deixar por isso mesmo.

Décadas de ambíguos filmes de arte acostumaram mal a crítica e o público desses filmes. Lynch é um dos cineastas que mais sofrem por isso. “O filme não tem pé nem cabeça, mas é maravilhoso”. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi e li algo assim sobre um filme qualquer do Lynch, de “Eraserhead” a “Império dos Sonhos”. É como se alguém escrevesse que “O Sexto Sentido” tem um final “aberto”, que o doutor Malcolm Crowe pode ou não ser um fantasma. 

Mais ainda do que um praticante da ambigüidade pela ambigüidade, Lynch às vezes é considerado um cineasta experimental, que dirige filmes sem narrativa. “Erasehead”, por exemplo, uma clara alegoria da angústia causada pelo sexo, do medo de ter um relacionamento estável e do pavor de ter filhos, muitas vezes é tratado como uma simples justaposição de imagens acachapantes, filme para se ver puxando fumo. 

A recepção de crítica e público à “Cidade dos Sonhos” foi um marco da incompreensão. Simpatizo bem mais com quem pediu o dinheiro de volta ou fez piquete em salas de cinema protestando contra o filme por supostamente não ter pé nem cabeça do que com os acéfalos que diziam ter adorado o filme justamente por não ter pé nem cabeça. 

“Império dos Sonhos” é cinema narrativo, assim como todos os outros longas-metragens de Lynch. É a história de “a woman in trouble”, como diz o slogan. Resta ao espectador descobrir quem é a mulher e qual é o problema. E a graça está em ver como Lynch nos impede de pensar sobre isso. Assim como “Cidade dos Sonhos” e “Estrada Perdida”, “Impérios dos Sonhos” é um filme decapitado e esquartejado, mas a cabeça e o pé estão lá, é só procurar. 

 
 
 
Vanessa Liborio

Ronaldo Passarinho é documentarista, jornalista e tradutor. Assinou, por dez anos, a coluna ZOOM do jornal O Liberal, foi redator da revista Cinética e do Jornal do Brasil. Seus dois primeiros livros como tradutor devem ser lançados ainda este ano. Seu novo blog, Contos da Escuridão , traz traduções inéditas para obras-primas do horror e do sobrenatural

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