Já escrevi para a coluna ZOOM sobre o alucinadamente superestimado 'REC', de Jaume Balagueró e Paco Plaza. Li críticas elogiando o filme, não só como o melhor do gênero exibido este ano, mas como um dos melhores da década. Ou dos últimos vinte anos. Ou, juro, de todos os tempos. Ou eu não vi o filme direito ou tem gente por aí que assistiu a poucos filmes de horror.
'REC' não tem vísceras nem para entrar em listas de melhores filmes de zumbi. Pelo visto, a referência desse povo é 'Extermínio', de Danny Boyle. Precisam conhecer melhor Romero, Fulci, Deodato... Até o quase sempre medíocre Antonio Magheriti dá um banho de sangue e estilo na dupla espanhola com 'Cannibal Apocalypse', assinando como Anthony M. Dawson.
No próximo domingo, vou escrever sobre 'Os Estranhos', do estreante Bryan Bertino. É doloroso falar mal de filmes do meu gênero favorito que entram em cartaz por aqui. São tão poucos. A maioria é lançada diretamente em dvd. Mas não dá para elogiar 'Os Estranhos'. Está certo que é filme de estreante, mas não precisava ser tão amadorístico. Bertino não tem nenhuma noção de ritmo. A tensão é inversamente proporcional à progressão da trama. Quanto mais perigo o casal de protagonistas corre, mais chato o filme fica. É o que dá ficar na dúvida entre rodar um filme de horror convencional ou um clone de 'Violência Gratuita', de 1977, dirigido por Michael Haneke, que clonou seu próprio filme no ano passado.
Dois outros estreantes, David Moreau e Xavier Palud, se deram bem melhor seguindo as convenções do gênero em 'Eles', de 2006, lançado em dvd no Brasil, que parte da mesma premissa de 'Os Estranhos'. Mas esse é o assunto da coluna do próximo domingo.
Na falta de bons filmes de horror em cartaz no cinema este ano, o melhor que apareceu por aqui deve ser mesmo 'Arquivo X – Eu Quero Acreditar', de Chris Carter. Perdi na telona, mas não fiquei nem um pouco chateado em vê-lo na telinha. Não é bom cinema, nem quer ser, mas é um ótimo telefilme e faz jus aos melhores episódios da série, ao contrário do longa-metragem anterior, que é uma bagunça.
Dizem que o teatro é a arte do ator, assim como o cinema é, com certeza, a arte do diretor. A televisão fica no meio do caminho. Assim como no teatro, na tevê quem escreve é mais importante do que quem dirige (apesar do ego dos diretores de televisão ser geralmente, mas nem sempre, menor que o dos diretores de teatro). E o ator tem mais tempo de desenvolver seu personagem, seja pelos longos ensaios na preparação das peças, seja pela duração das temporadas de séries de televisão.
O que mais interessa no segundo longa-metragem para o cinema da série 'Arquivo X' é a relação entre Fox Mulder e Dana Scully, mesmo quando não estão juntos em cena, como ocorre na maior parte do filme. Graças aos muitos anos em que interpretaram os agentes do FBI, David Duchovny e Gillian Anderson sentem-se tão à vontade na pele de Mulder e Scully quanto quem veste uma roupa velha e confortável, dessas de ficar em casa.
Chris Carter sabe de tudo isso e foi muito esperto em abandonar a pirotecnia do primeiro longa e se concentrar no que mais interessava na série, os protagonistas. E também não se esqueceu de contar uma boa história de horror, do subgênero cientista maluco, com direito a vislumbres de um vilão que parece um cruzamento de dois discípulos na vida real do fictício doutor Frankenstein, os cirurgiões Serge Voronoff e Robert White. Isso sem falar em um mediúnico padre pedófilo. Mas não há porque ir ao cinema para conhecer esses sujeitos. São ótimos convidados para receber em casa, na telinha. |