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02/09/2010 às 12h56
Second life
 

Mais uma vez, desculpem o sumiço e os comentários não respondidos. Foi por uma boa causa. Meu médico disse que, para largar o cigarro, eu precisava evitar os hábitos que me levavam a fumar. Não fumo quando escrevo, mas fumo quando reviso. Ou melhor, fumava. Também sinto vontade de fumar quando acordo e depois de comer, mas não posso deixar de dormir nem de me alimentar. O jeito foi parar de escrever. Aliás, tenho evitado até ligar o PC.

 

A única boa lembrança que trago de 'Voltar a Morrer', o filme de 1991, dirigido e estrelado por Kenneth Brannagh (que é um grande ator, mas um diretor medíocre), é um diálogo em que o personagem de Robin Williams diz para o de Brannagh que a pessoa deve assumir se é ou não fumante e encarar as consequências. Olá, meu nome é Ronaldo e eu sou fumante. Serei até morrer, mesmo que jamais leve outro cigarro à boca. Mas prefiro não encarar as consequências.

 

Tudo me levava a fumar na vida em que levo. Portanto decidi trocar de vida. Pirulito na boca, seguindo o exemplo do velho e bom Kojak, e controle do Xbox 360 nas mãos. Esta foi a minha receita. Criei uma 'second life'. Várias vidas alternativas, na verdade. Fui o comandante Shepard em 'Mass Effect' e 'Mass Effect 2' e um guerreiro em 'Dragon Age'. Depois mudei de sexo e fui a comandante Shepard nos dois 'Mass Effect' e uma bruxa em 'Dragon Age'. Fui mulher, mas fui lésbica. Os jogos da Bioware geralmente permitem relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

 


O tratamento está no fim e estou saindo aos poucos da minha 'second life'. É estranho o mundo aqui fora, sem alienígenas ou dragões para matar.

 


 

 
 
 
26/08/2010 às 13h11
Doeu
 

Eu me emocionei já nos créditos. A fonte da letra, as cores, a música. Os créditos dos filmes de faroeste spaghetti são incomparáveis. Minto, eu me emocionei antes mesmo que as luzes se apagassem, quando uma moça da organização da mostra 'Faroeste Spaghetti: o Bang-Bang à Italiana' disse que a cópia, em 35mm, só seria exibida uma vez, por ser rara.

 

Naquele instante, o mundo digital em que vivo, em que vivemos, explodiu em milhões de bits e bytes ao meu redor. A fragilidade da película, que se desgasta sempre que entra no projetor, me deixou com um nó na garganta. Aí entraram os créditos, com aquele grafismo e aquelas cores que todo cinéfilo que se preza carrega no seu imaginário. E começou o filme, em glorioso Technicolor e Techniscope, a imagem tão larga que parecia se estender pelas paredes da pequena sala de cinema do Centro Cultural do Banco do Brasil, aqui no Rio de Janeiro.

 

Nunca mais, eu juro, assistirei a 'O Dia da Desforra' em casa. A obra-prima de Sergio Solima precisa ser vista em uma sala de cinema. A plateia aplaudiu quando a sessão terminou. Não fizemos mais do que nossa obrigação. Os três duelos finais arrancaram gritos e sussurros dos espectadores. Quando Lee Van Cleef encara um pistoleiro alemão e a trilha sonora de Morricone entra com 'Für Elise', de Beethoven, muita gente na sala deve ter descoberto que o cinema auto-reflexivo não nasceu com Tarantino. É o cinema de gênero em toda a sua glória, sem filtros, na veia. É cinema que não faz gênero e, por isso, não envelhece. É cinema.

 

Voltei. Depois explico o sumiço.

 

 
 
 
07/07/2010 às 13h35
Baile de máscaras
 

Nem só de futebol vive o homem, mas queria saber quem agendou a mostra Descobrindo o Cinema Filipino, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, justamente durante a Copa. Começou no dia 29 de junho e vai até 15 de julho. Como os filmes passam mais de uma vez, eu talvez consiga tirar o atraso a partir desta quinta-feira, parando no fim de semana para assistir aos últimos jogos.

 

O cinema filipino é quase desconhecido por aqui e merece ser descoberto. Só fiquei chateado por não ver na programação gente como Gerard de Leon e Eddie Romero, mestres do horror na terra de Imelda Marcos. É o velho preconceito contra filmes de gênero. Há filmes de Lav Diaz na mostra, cineasta conhecido por redefinir a expressão longa-metragem com obras de oito, nove horas de duração, mas não seu único filme de ficção-científica e ação, o inusitado e comovente “Hesus Rebolusyonaryo”, acessível tanto por ser de gênero quanto por durar pouco menos de duas horas.

 

Quando a mostra terminar, falo sobre os filmes que vi. Desde o começo da Copa, só fui ao cinema uma vez, para assistir a “Kick-Ass — Quebrando Tudo”, de Matthew Vaughn. Pelo estilo, é um genérico de Quentin Tarantino. Quando entra o tema de “Por Uns Dólares a Mais”, composto por Ennio Morricone, a referência não é Sergio Leone. É o Vaughn citando o Tarantino, que costuma citar o Leone. “Bad Reputation”, sucesso de Joan Jett nos anos 80, toca por ser exatamente o tipo de música que Tarantino usaria para aquele tipo de cena.

 

O protagonista decide virar super-herói, mesmo sem superpoderes, e se pergunta por que ninguém pensou nisso antes. Mark Millar começou a publicar as histórias em quadrinhos que deram origem ao filme em 2008, um ano depois do lançamento de “Mirageman”, de Ernesto Díaz Espinoza, que responde a pergunta de Dave Lizewski, o Kick-Ass. Não interessa se Millar assistiu ao filme chileno. Achado não é roubado. O problema é que Kick-Ass não é um personagem tão interessante quanto Mirageman, principalmente para quem viu o original. E aí entra o verdadeiro achado de Millar: a dupla Big Daddy e Hit-Girl, pai e filha que são clones de Batman e Robin. 

 

A ironia de “Kick Ass”, tanto os quadrinhos quanto o filme, é que a trama se torna mais divertida quando abandona a premissa do homem comum fantasiado de super-herói após a entrada de uma dupla de super-heróis mais ou menos tradicionais. O que não acontece no filme de Espinoza, que leva a premissa até o fim porque seu herói não é mero saco de pancada. Pelo contrário, é muito bom de briga e remete ao super-herói mexicano Santo, el enmascarado de plata, ídolo da luta livre e defensor dos fracos e oprimidos nas horas vagas. Falando nisso, o Santo esteve na presente na Copa. Sempre que o México jogava, dezenas de torcedores davam adeus para as câmeras usando a máscara do herói nacional, nas mais diversas cores, para confusão dos locutores e comentaristas brasileiros, que não sabiam do que se tratava.

 

Big Daddy e Hit-Girl são ainda mais carismáticos no cinema do que nos quadrinhos, graças a Nicolas Cage e Chloe Moretz, perfeitos nos papéis. Depois que entram em cena, o filme cai sempre que saem. No final, espetacular, Kick-Ass vira coadjuvante da Hit-Girl. Melhor para o espectador. Apesar de ser derivativo, ou justamente por causa disso, o filme é uma delícia. Em uma cena, emula um First-Person Shooter, game de tiro em primeira pessoa. Fiquei emocionado. E eu nem gosto de FPS.

 

Voltando à Copa, a última sexta-feira foi um dia de fortes emoções. Não pela despedida do Brasil, que já era anunciada faz tempo, mas pelo jogaço entre Uruguai e Gana. Suárez tirando a bola do gol com a mão, Gyan errando o pênalti no fim da prorrogação, Loco Abreu cobrando pênalti de cavadinha... E daí a seleção brasileira ter voltado mais cedo para casa? Já foi tarde. O importante é que emoções eu vivi, como diria Roberto Carlos. O compositor, não o jogador.

 

 
 
 
23/06/2010 às 12h00
Cinema em campo
 

De quatro em quatro anos, troco o cinema pelo futebol. Nasci remista e botafoguense, assim como nasci católico e libriano, mas não sou praticante. Não consulto os astros, não frequento igrejas nem estádios. Mas abro exceções. Volta e meia dou uma olhada no horóscopo ou vou à missa de casamento de algum amigo e, quando começa a Copa do Mundo, visto literalmente a camisa e torço pela seleção brasileira. Mas não me limito a ver os jogos do Brasil, assisto a quantos puder.

 

Toda partida conta uma história. Como se fosse um filme. Há jogos chatos, que dão sono, com personagens sem carisma e sem motivação. Outros surpreendem, com pelo menos uma das seleções compensando deficiências táticas e técnicas com a raça e a alegria de jogar bola. Igualzinho a um filme. Há jogos que são anunciados como blockbusters e deixam muito a desejar. Outros, pelos quais ninguém dava nada, divertem do início ao fim.

 

Os gêneros se misturam. Uma mesma partida pode apresentar lances dramáticos, cômicos, trágicos, farsescos... Cenas de injustiça folhetinesca seguem-se a sequências melodramáticas de redenção. E há momentos de poesia pura, como quando, depois de uma dividida na esfuziante goleada de 7 a 0 que Portugal deu na Coréia do Norte, a bola subiu nas costas do Cristiano Ronaldo e se escondeu sobre a cabeça do atacante, que não sabia onde a Jabulani tinha ido parar. Provando a máxima de que a bola procura os craques, ela veio se depositar aos pés do jogador, que marcou o gol e abriu um sorriso, tanto pela alegria de ter aberto o tubo de ketchup quanto por ter achado, como disse depois, que foi um gol engraçado. A Jabulani se comportou como um personagem de animação. Lembrei do Gene Kelly dançando com o camundongo Jerry. Um lance que justificou a câmera lenta em imagens de alta definição.

 

Toda Copa do Mundo tem seus heróis e vilões ocasionais, que podem inverter os papéis em campeonatos seguintes. Vilões este ano, até agora, foram a França e a Suíça. A primeira, pelo papelão dentro e fora do campo; a segunda, por redefinir a expressão jogar pelo empate, mais preocupada em não levar do que em fazer gols. Por definição, toda equipe que enfrentar o Brasil é a vilã da vez. Podem ser vilões patéticos, como a Coréia do Norte; desleais, como a Costa do Marfim; ou simpáticos, como Portugal.

 

Vilã perene, pelo menos por aqui, é a Argentina. Mas é uma vilã que fascina os adversários, assim como os grandes vilões dos filmes de Hitchcock, que por vezes são mais interessantes que os heróis. Tomara que cruze com o Brasil na final. Heróis que se dão ao respeito merecem adversários à altura. Só estou chateado por não estar em Belém, vendo os jogos ao lado do meu pai. Ele é mais comentarista que Falcão, Júnior e Casagrande juntos. Fica para a próxima, pai, nos estádios brasileiros. Promessa é dívida.

 

Agora vou para a concentração. Ainda tem muitos jogos cinematográficos pela frente.

 

 

 
 
 
10/06/2010 às 16h46
O artista
 

Não gosto de misturar as coisas. Já disse no post anterior o que penso de Roman Polanski, o monstro. Agora chegou a vez do artista. “O Escritor Fantasma” não é um bom filme, mas traz a assinatura do cineasta impressa em cada plano. Assim como “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese, o filme de Polanski é sabotado por um roteiro ordinário, baseado em um romance ordinário. O que vale é a atmosfera criada pelo cineasta, que é um mestre do horror.

 

Com admirável economia, deixando o virtuosismo para o final, Polanski insere o ghost writer do título em um ambiente sombrio, claustrofóbico, digno de um filme de terror. Poucos cineastas evocam com tanto sucesso o isolamento do protagonista em um ambiente aparentemente mundano. A Rosemary de “O Bebê de Rosemary”, o doutor Richard Walker de “Busca Frenética” e o escritor fantasma de seu novo filme são personagens sufocados pela banalidade do mal, sozinhos em um mundo burocrático de recepcionistas e secretárias.

 

Assim como no magistral “Busca Frenética”, a influência mais palpável de “O Escritor Fantasma” é o Alfred Hitchcock de thrillers como a segunda versão de “O Homem que Sabia Demais” e “Cortina Rasgada”. Infelizmente, desta vez Polanski errou a mão na condução da trama. E, como diretor, ele tem, sim, responsabilidade sobre o material que filma, mesmo que não assine o roteiro.

 

Em thrillers hitchcockianos, há um jogo sofisticado de troca de informações entre o espectador e o filme. Às vezes sabemos mais, outras menos, do que os protagonistas. Isso gera interesse e suspense. Em “Cortina Rasgada”, por exemplo, descobrimos antes de Sarah Sherman que seu amado, o professor Armstrong, não é um desertor. Ficamos ansiosos para que ela saiba disso, também, e o momento da revelação é simplesmente sublime.

 

“O Escritor Fantasma” nos deixa o tempo todo no escuro. Sabemos tanto quanto o protagonista, e o que sabemos nunca é muito interessante. Tudo acontece nos bastidores, à espera da revelação final. É como um MacGuffin às avessas, em que algo que deveria ter mais importância para os personagens do que para o espectador acaba sendo o cerne da trama.

 

O grande equívoco de “O Escritor Fantasma”, tanto o romance de Robert Harris, que também é autor do roteiro, quanto o filme de Polanski é tratar um whodunit como um thriller, desobedecendo as convenções de ambos sem dar nada de novo em troca. Mas é um filme de Roman Polanski, dirigido com suprema elegância e rigor, e isso não é pouca coisa. Veja o filme, esqueça o livro.

 

 

 
 
 
07/06/2010 às 13h46
O artista e o monstro
 

Em 1974, o austríaco Jack Unterweger estuprou, espancou e matou uma moça de 18 anos, estrangulada com o próprio sutiã. Ele foi condenado à prisão perpétua. Na prisão, escreveu poemas, contos para crianças e sua autobiografia, que mais tarde viraria filme. Crentes de que a arte a tudo e a todos redime, intelectuais austríacos, entre os quais a futura ganhadora do prêmio Nobel de literatura, Elfriede Jelinek, engajaram-se na luta para libertar Unterweger.

 

Deu certo. Ele saiu da cadeia em 1990 e virou uma celebridade nacional. Apareceu em capas de periódicos e participou de mesas redondas na televisão. Um ano depois, foi contratado por uma revista austríaca para escrever sobre crime e prostituição nos Estados Unidos e na Áustria. Na mesma época, prostitutas começaram a aparecer mortas em Los Angeles e Viena.

 

Em uma reviravolta macabra, que parece coisa de ficção, Unterweger cobriu para a revista os assassinatos que ele próprio cometeu. Foi acusado de 11 homicídios e condenado por 9 deles. Jurou que se mataria antes de voltar para a prisão. Foi condenado e cumpriu a promessa. Torço para que Jelinek e seus colegas tenham perdido pelo menos uma noite de sono pensando nas vítimas do artista que ajudaram a libertar. 

    

Roman Polanski, ao que se sabe, não matou ninguém. Mas, em 1977, entupiu de álcool e drogas uma garota de 13 anos na casa de seu amigo Jack Nicholson, em Los Angeles, antes de molestá-la sexualmente. Um crime hediondo. Ele fugiu para a França. Intelectuais do mundo inteiro pediram, e continuam pedindo, que os Estados Unidos perdoem o cineasta. Afinal, ele dirigiu tantos filmes bons depois daquele lamentável incidente... Foi redimido pela arte. Agora surgiu outra denúncia. A atriz Charlotte Lewis diz que ele a fez passar pelo teste do sofá em 1986, quando ela tinha apenas 16 anos. Torço para que Polanski não resolva dirigir uma nova versão de “Lolita”.

 

Arte não é passe livre para sair da cadeia. Como artista, Polanski merece o lugar que ocupa entre os maiores cineastas vivos. Como estuprador, merece ir para o xadrez e ponto final. Depois falo aqui sobre seu novo filme, “O Escritor Fantasma”. Sou fã do cineasta, mas deixo uma questão hipotética para quem tem pena dele. Você tem uma filha adolescente e ela lhe pergunta: “Adivinhe quem vem para jantar?”. O que você faria se a resposta fosse “o tio Polanski”?

 


 

 
 
 
26/05/2010 às 12h42
Lei & Ordem
 

E a Palma de Ouro foi para o Joe, que é como o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul gosta de ser chamado no Ocidente. O prêmio é certamente merecido. Nem que seja pelo conjunto da obra, apesar de Joe ter apenas 39 anos e meia dúzia de longas no currículo. Seus trabalhos seguem as principais tendências dos chamados “filmes de festival” contemporâneos: o minimalismo, a narrativa elíptica e fragmentada, a prevalência do sensorial sobre o dramático, os planos saturados, o mutismo dos personagens e por aí vai. Há quem adote esses procedimentos por modismo, como filhotes temporãos de Antonioni e Tarkovski, e há quem os empregue legitimamente, seja como reação a normas que não os satisfazem ou porque lhes parece o modo mais natural de se expressar.

 

À primeira vista, os filmes de Weerasethakul se parecem com os produzidos por nomes de destaque no cinema atual, como Hou Hsiao-hsien, Claire Denis, Jia Zhang-ke, Shinji Aoyama, Hong Sang-soo, Lisandro Alonso e Tsai Ming-liang, entre outros. Mas, assim como todos esses cineastas diferem profundamente entre si, ele segue um caminho próprio. Goste-se ou não de seu cinema, Joe é “the real thing”.

 

Mudando de assunto, foi cancelada uma das melhores séries de episódios relativamente independentes da história da televisão americana: “Lei & Ordem”. Juro que não sou nostálgico, mas senti um aperto no peito quando ouvi a notícia. Tão grande que não consigo evitar o clichê de dizer que a TV está mais pobre. Foram vinte temporadas, com altos e baixos, é claro, mas de uma excelência que faria Adorno se revirar no túmulo. Não por acaso, era uma das séries favoritas de Paulo Francis.

 

Todo fã de “Lei & Ordem” tem sua escalação preferida de policiais e promotores. Apesar de admirar todos os personagens - de Max Greevey a Cyrus Lupo, de Ben Stone a Michael Cutter -, meu dream team é formado por Lennie Briscoe (Jerry Orbach, a cara da série), Mike Logan (Chris North, o Mr. Big de “Sex and the City”) e a tenente Van Buren (S. Epatha Merkerson), entre os que investigam os crimes, e Jack McCoy (o grande Sam Waterston), Claire Kincaid (Jill Hennessy) e Adam Schiff (Steven Hill), entre os que processam os acusados.

 

“Lei & Ordem” era uma série escrita por e para adultos que sabem que nada é preto e branco na vida; que as virtudes públicas não justificam, mas muitas vezes compensam, perante a lei, os vícios privados; que lei e ordem não são sinônimos de justiça e isenção, mas que, no mundo imperfeito em que vivemos, alguém tem que fazer o trabalho sujo.

 

Por seu rigor estrutural, com cada episódio partido ao meio; por deixar à mostra as imperfeições dos protagonistas; por fugir repetidas vezes do melodrama, da consolação, das soluções fáceis; por tratar de temas adultos de forma adulta, “Lei & Ordem” foi o argumento mais forte que a TV aberta já apresentou contra a Escola de Frankfurt. Caso, infelizmente, encerrado. 

 

 
 
 
Vanessa Liborio

Ronaldo Passarinho é documentarista, jornalista e tradutor. Assinou, por dez anos, a coluna ZOOM do jornal O Liberal, foi redator da revista Cinética e do Jornal do Brasil. Seus dois primeiros livros como tradutor devem ser lançados ainda este ano. Seu novo blog, Contos da Escuridão , traz traduções inéditas para obras-primas do horror e do sobrenatural

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