09/09/2011 às 13h25
A capital do thriller – parte 1
 

1999 foi o annus mirabilis do cinema de gênero na Coreia do Sul. “Shiri - Missão Terrorista”, de Kang Je-gyu, bateu o recorde estabelecido em 1997 por “Titanic” nas bilheterias locais. Mas um blockbuster só não faz verão, e outros três filmes sul-coreanos entraram na lista dos dez maiores sucessos de bilheteria daquele ano no país, dois dos quais são thrillers: “Tell Me Something” e “Nowhere to Hide”.

 

Em 2001, as produções locais já respondiam por 50% do mercado. Em 2003, oito dos dez filmes mais vistos no país foram “made in Korea”. Este ano, até agora, há seis filmes sul-coreanos entre os dez mais, contra quatro dos Estados Unidos. Pouquíssimas cinematografias podem se orgulhar de fazer frente assim a Hollywood.

 

 

Boa parte da produção é voltada para melodramas e comédias, mas nenhum outro país lançou tantos bons thrillers nos últimos anos quanto a Coreia do Sul. No começo da década passada, houve quem celebrasse o ímpeto do cinema sul-coreano anunciando que o país seria a “nova Hong Kong”, a nova capital do cinema de gênero, mas cineastas como Bong Joon-ho, Park Chan-wook e Kim Jee-woon ultrapassaram as expectativas.

 

Em pouquíssimo tempo, os thrillers sul-coreanos alcançaram uma sofisticação técnica raramente vista nos filmes da era de ouro de Hong Kong. Sua ação mais realista e sua ousadia temática e estilística os aproximam mais do cinema japonês e do norte-americano da década de 70.

 

Durante as próximas semanas, vou listar aqui, em ordem cronológica, os thrillers mais interessantes feitos na Coreia do Sul desde 1999. Uso o termo “thriller” de forma mais ou menos abrangente. Entrarão na lista filmes policiais, de ação e de gângster, mas não filmes de horror, de guerra ou de artes marciais. Se o filme não tiver sido lançado no Brasil, darei o título internacional, em inglês, seguido pelo original entre parênteses. 


 

 
 
 
Vanessa Liborio

Ronaldo Passarinho é documentarista, jornalista e tradutor. Assinou, por dez anos, a coluna ZOOM do jornal O Liberal, foi redator da revista Cinética e do Jornal do Brasil. Seus dois primeiros livros como tradutor devem ser lançados ainda este ano. Seu novo blog, Contos da Escuridão , traz traduções inéditas para obras-primas do horror e do sobrenatural

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