23/02/2012 às 12h53
Empresas refazem guias de conduta para balizar comportamento de jornalistas nas redes sociais

Estreia do Corinthians na Libertadores, quarta-feira passada. Sai o primeiro gol, do Deportivo Táchira, já no primeiro tempo. No Twitter, um jornalista da Folha comemora: 'Eu disse que o ano ia começar a ficar divertido. (Agora só falta a obra do estádio desabar)'


Reação de um seguidor: 'Torcer contra, beleza; tirar sarro, tudo bem; pedir por uma tragédia é coisa de imbecil'.
Resposta: 'Ui'.


O diálogo retrata bem os perigos das mídias sociais. Basta pensar e teclar. Talvez nem precise pensar... Em apenas 140 caracteres, dá para ofender a segunda maior torcida do Brasil, desejar um acidente e desdenhar de um leitor.


No dia seguinte, foi a vez de um apresentador da Rede Globo, que tem 1,5 milhão de seguidores, soltar impropérios na internet. Ele xingou de 'babaca', 'otário', 'tribufu' e 'retardado' quem o provocou.


É a festejada interação jornalista/público que Twitter, Facebook & cia. permitem hoje. Não se trata de negar os ganhos que essas novas mídias trouxeram à reportagem: ficou fácil medir a repercussão de determinados assuntos, recolher sugestões de pauta, fazer contato com especialistas e obter informações de pessoas que vivem sob ditaduras ou em situações extremas.

 

O problema é administrar o caos. As redes sociais vivem do imediatismo (não há a mediação de um editor), da mistura do pessoal/profissional e da egolatria.
As principais empresas de comunicação estão discutindo adendos aos seus códigos de conduta, numa tentativa de colocar baias seguras, mas eis uma tarefa insana.

 

A SkyNews baixou, no último dia 7, uma orientação que proíbe os jornalistas de retransmitir mensagens que não sejam produzidas pela Redação. É uma tentativa de evitar a propagação de notícias falsas ou que fujam dos padrões editoriais da empresa, mas também de impedir que se faça propaganda dos concorrentes na internet.

 

Na BBC, a nova orientação é não mais correr para o Twitter sempre que houver uma informação nova. A prioridade é avisar a chefia da Redação, numa forma de restabelecer o controle sobre os repórteres.

 

Nos EUA, a CNN suspendeu, no último dia 8, um comentarista que, também movido pela adrenalina do esporte, tuitou uma mensagem considerada homofóbica: 'Se um cara vai na sua casa ver o Super Bowl e fica todo animado com a propaganda de cueca do David Beckham para H&M, encha ele de porrada'.

 

No comunicado em que anuncia a suspensão, a CNN ressalta que aquele tipo de linguagem não é compatível com os 'valores e a cultura da organização'.
Na Folha, as regras são muito genéricas, dizem apenas que o jornalista deve evitar:


1) manifestar posições partidárias e políticas;
2) antecipar reportagens que serão publicadas ou divulgar bastidores da Redação, a menos que seja decisão do jornal;
3) emitir juízos que comprometam a independência ou prejudiquem a imagem da Folha;
4) o jornalista deve agradecer a eventuais críticas e indicações de possíveis erros e encaminhá-las ao superior hierárquico.


Sobre o caso do jornalista que torceu contra o Corinthians e o seu estádio, a Secretaria de Redação avalia que o profissional violou o item 3 do código acima, ou seja, prejudicou a imagem do jornal.


Assegurar a presença da marca Folha nas mídias sociais, que muitos creem vitais para o futuro da imprensa, e não perder a identidade é um tremendo desafio. Regras demais podem tornar as mensagens anódinas a ponto de parecerem despachos de agências de notícias.


Mas talvez um quinto mandamento, retirado do guia de mídia social da BBC, fosse útil por aqui: 'Todas as recomendações podem ser resumidas em: 'não faça nada estúpido''.

 


Por Suzana singer - ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

Envie seu comentário - (0) Comentários da coluna

Criado na década de 90 o PRO-TV tem o objetivo de complementar a formação acadêmica de estudantes. Por meio do contato entre profissionais e alunos, o principal desafio é equilibrar os experimentos e a prática diária encurtando o caminho entre a universidade e o mercado de trabalho.

Através do estágio rotativo, os participantes do PRO-TV conhecem os bastidores da notícia feito pela Rede Liberal de Televisão. A experiência permite a possibilidade de adquirir uma visão do jornalismo praticado pelos profissionais da empresa.

O programa é voltado a estudantes que cursam a partir do segundo semestre do curso de Jornalismo, com facilidade para o trabalho em equipe e interesse em aprender como desenvolver as habilidades profissionais e pessoais no ambiente de trabalho.

 

A nova coordenadora do Pró-TV é a jornalista Alessandra Barreto. Formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), trabalha no jornalismo desde 1996. Tem experiência com impresso, rádio, TV e assessoria de imprensa. Desde 1999 integra a equipe de jornalista da TV Liberal. Já passou pelas editorias do Bom Dia Pará, Jornal Liberal 1ª edição. Há cinco anos exerce a função de editora do Núcleo de Rede. Agora o desafio é compartilhar sua experiência com a equipe de estagiários da emissora.

 
 
 
01/06/2013 a 30/06/2013

01/05/2013 a 30/05/2013

01/04/2013 a 30/04/2013

01/03/2013 a 30/03/2013

01/02/2013 a 30/02/2013

01/01/2013 a 30/01/2013

01/11/2012 a 30/11/2012

01/10/2012 a 30/10/2012

01/09/2012 a 30/09/2012

01/08/2012 a 30/08/2012

01/07/2012 a 30/07/2012

01/06/2012 a 30/06/2012

01/05/2012 a 30/05/2012

01/03/2012 a 30/03/2012

01/02/2012 a 30/02/2012

01/01/2012 a 30/01/2012

01/12/2011 a 30/12/2011

01/11/2011 a 30/11/2011

01/10/2011 a 30/10/2011

01/09/2011 a 30/09/2011

01/08/2011 a 30/08/2011

01/07/2011 a 30/07/2011

01/06/2011 a 30/06/2011

01/05/2009 a 30/05/2009

01/04/2009 a 30/04/2009

01/03/2009 a 30/03/2009

01/02/2009 a 30/02/2009

01/01/2009 a 30/01/2009

01/12/2008 a 30/12/2008

01/11/2008 a 30/11/2008

01/09/2008 a 30/09/2008

01/06/2008 a 30/06/2008

01/05/2008 a 30/05/2008

01/03/2008 a 30/03/2008

01/02/2008 a 30/02/2008