Edição: Belém, Quinta, 02/09/2010   
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Mulher
São duas amigas ou duas irmãs?

Edição de 14/05/2006

Mesmas roupas, carreiras e um relacionamento perfeito

Enquanto uma pergunta se pode usar aquela bolsa preta, a outra pede um livro emprestado para um trabalho na faculdade. Quem seriam as personagens desta cena? Duas amigas, duas irmãs... Essas, com certeza, seriam as respostas mais prováveis antes de se chegar à real. O caso acima, na verdade, descreve o atual relacionamento de muitas mães e suas filhas.

As mesmas roupas, as mesmas carreiras, gostos parecidos. Todas essas características reunidas significam uma mera obra do acaso ou seria a genética aprontando mais uma das suas? Nos últimos 30 anos, o relacionamento entre mãe e filha mudou consideravelmente. Ainda na década de 70, em meio a uma Ditadura Militar e o choque cultural entre as gerações, várias barreiras foram colocadas entre elas, dando origem a muitos conflitos familiares e pouco diálogo. Com o passar do tempo, conversa e psicologia, o quadro melhorou para o bem da saúde e da harmonia familiar.

Atualmente, o que mais se vê nos filmes, na televisão e nos lares, são mães e filhas amigas e até confidentes. É o que acontece na casa da advogada Susana Coimbra. A proximidade é visível entre ela e sua filha Andrea, que é estudante de Direito. As duas confessam que a admiração é mútua. 'Sou fã número um da minha mãe. Nosso dia é bem corrido, mas quando eu tenho chance, fico horas batendo papo com ela', conta Andrea. Susana concorda e quando questionada se o fato de ser advogada influenciou na escolha da faculdade da filha, a mãe explica: 'Não acredito que eu tenha influenciado a Andrea a fazer vestibular para Direito. Apenas cheguei a sugerir o curso a ela por perceber que, desde pequena, Andrea sempre foi muito contestadora. Hoje em dia, vejo que ela está no caminho certo'.

Muito mais do que solidificar o relacionamento, as dicas e os ensinamentos passados de mãe para filha permitem que elas utilizem as informações trocadas na vida pessoal e até mesmo na profissional, gerando um aprimoramento constante nessas áreas. É o caso de Marta Pereira de Deus e sua filha Alessandra de Deus Oliveira, ambas consultoras da Natura. Marta tem 30 anos de experiência com venda direta e, há 13 anos, revende produtos da fabricante brasileira de cosméticos. Todo esse tempo lhe deu base para trabalhar com um cadastro de clientes conhecidos e fidelizados. Além disso, a consultora se destaca pela sua eficiência: 'Lembro que comecei na Natura numa quarta-feira. No mesmo dia, visitei possíveis clientes e conquistei 35 pedidos. E, em uma semana, todos os clientes já estavam com os produtos desejados', lembra.

O sucesso da estratégia e todo o conhecimento sobre vendas que Marta acumulou inspirou a filha Alessandra a seguir o mesmo caminho. Há 6 anos, Alessandra se tornou consultora Natura e vem pondo em prática a atividade que aprendeu com a mãe. 'Percebi que o estilo de trabalho da minha mãe fazia parte do meu perfil. Conhecer novas pessoas é muito interessante e trabalhar com venda direta nos dá oportunidades de fazer muitos contatos. Nós desenvolvemos a mesma atividade, mas eu nunca conseguiria concorrer com a minha mãe. O legal é que, mesmo estando muito próximas, podemos vender os produtos para pessoas completamente diferentes e em diversos pontos da cidade', conta.

Mães que se consideram companheiras de suas filhas, filhas que tomam as mães como exemplo. A psicologia explica as diferentes justificativas para esse processo de identidade que se dá quando a mãe tem uma proximidade grande com a filha, a ponto de se colocar no lugar de amiga e confidente. 'Este tipo de relacionamento é resultado do próprio contexto atual em que vivemos. A modernidade deixou o mundo mais perigoso e, através dessa proximidade com as filhas, as mães se tornaram mais atentas e protetoras', explica a psicóloga clínica Marta Santos. 'Além disso, as mães desejam participar ativamente da vida de suas filhas, querendo saber quem são seus amigos, onde moram, onde é a balada do final de semana e o que aconteceu de interessante. Isso não quer dizer que o intuito delas é de controlar ou invadir a privacidade das jovens, e sim, uma forma de cuidado e proteção', pondera a psicóloga.

Marta ainda diz que é saudável o fato da filha querer parecer com a mãe, pois é através dela que a jovem vai se definir como mulher. Porém, a psicóloga alerta: 'os papéis não podem se perder por conta do exagero. As mães podem ser amigas, cúmplices e confidentes, mas também devem proteger e fazer cobranças, como toda a mãe faz. E o fato das filhas tomarem as mães como exemplo é natural, desde que as características próprias de suas personalidades e suas preferências particulares não se anulem durante o processo'.

Email: redacao@orm.com.br