Há também qualificação aos patrões para aprimorar o trabalho das babás
Pais e mães da capital paraense contam com uma entidade que seleciona e qualifica babás, aprimorando os conhecimentos de quem busca de trabalho e renda, tenha vocação para lidar com crianças e esteja interessadas em aprender. No início do semestre letivo, a demanda babás é crescente, já que as mães modernas, com um tempo apertado devido aos afazeres profissionais, precisam de colaboradoras para cuidar dos pequenos. Escola kanguruh - Filial Belém oferece, gratuitamente, um curso de duração de dois dias para as trabalhadoras que acreditam que a capacitação pode ser um diferencial no mercado.
A entidade também oferece um serviço de qualificação aos patrões que querem aprimorar o trabalho das babás que já trabalham, porém, não possuem conhecimento formal sobre a atividade. Para tanto, os contratantes pagam R$ 80. As que fazem o curso, voluntariamente, e são selecionadas para o mercado passam pela checagem de referências através de um amplo bancos de dados. A consulta é feita pelo Programa de Proteção à Criança (PPC), um sistema que é capaz de descobrir se a tal babá já cometeu algum ato criminoso ou tem passagens pela polícia.
A coordenadora da Escola em Belém e psicóloga, Amanda Couceiro, diz que muitas profissionais não valorização a qualificação. Ela entende que é uma questão cultural, muito comum na capital paraense, já que muitos acreditam que a atividade não exige conhecimentos específicos. 'Alguns patrões, inclusive, entendem que não é preciso saber muito para cuidar de uma criança, observa. A escola tem oito meses de funcionamento em Belém e já qualificou cerca de 200 mulheres, das quais cerca de 90 conseguiram se inserir no mercado de trabalho. A instituição funciona como um banco de cadastros, qualificando as babás para ofertar a mão-de-obra conforme a solicitação de quem precisa do serviço.
O curso de capacitação e formação aborda assuntos voltados à criança e a família. As babás podem aprender como lidar com recém-nascidos, como ajudar uma criança com obesidade precoce, a melhor forma de lidar com crianças especiais, noções de nutrição, entre outros. Em Belém, a filial da escola possui, atualmente, 50 vagas de babás para as profissionais que apresentarem carteira assinada ou carta de referência na área. As inscrições para o curso podem ser feitas na Rua Almirante Wandenkolk, 1243, sala 706, no bairro do Umarizal.
A informação que o mercado de babás ou baby sitters é crescente está fundamentada em recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope): cerca de 56% das mães têm uma atividade profissional, das quais 68% consideram difícil conciliar o trabalho, a maternidade e o casamento. A gestora empresarial Andréa Martins, 35 anos, confirma os dados apontados. Sem nunca ter largado o emprego, ela criou Muriel, hoje com 13 anos, e Izabelle, com 7 anos. 'É difícil encarar a rotina de trabalho e se desdobrar para dar atenção às filhas', conta.
Quando a filha mais velha ainda era muito pequena e nos primeiros anos de Izabelle, Andréa utilizou dos serviços de babás. Mas, sempre com cuidado e monitorando de longe e com a ajuda das avós. 'A gente tem que confiar, porque não tem outro jeito. Mas, sempre fica aquela preocupação, porque por mais que a profissional seja dedicada e competente, é sempre difícil. Minha mãe e minha sogra me ajudaram nessa parte, orientando para que as meninas fossem cuidadas da melhor maneira possível.
Mãe zelosa, ela nunca abriu mão de participar da educação e estar presente em todos os momentos da vida de Muriel e 'Belinha', como a caçula é chamada. Mas, não nega as dificuldade de se dividir entre os deveres maternos e o mundo do trabalho. 'Hoje estou mais tranqüila. Fico de manhã em casa. Elas vão para escola na parte da tarde. A Muriel já sabe bem das responsabilidade e ajuda a mais nova no que é preciso. Mas, é ruim ter que dividir o tempo. Principalmente, na primeira infância, pois passa muito rápido', diz. (A.L.A.)