Alunos não estão expostos a riscos 'adicionais' além dos que já existem
A Câmara de Ensino do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará enviou carta à redação de O LIBERAL analisando a 'Importância da análise de sêmen fresco para os cursos de Ciências Biológicas e da Saúde'. A reportagem foi noticiada na edição de ontem, neste caderno, intitulada: 'UFPA vai investigar coleta de sêmen', que relata o fato de a professora Adriana Guimarães ter solicitado aos alunos a retirada de sêmen para análise microscópica.
'Em todos os cursos das áreas de Ciências da Saúde e Ciências Biológicas as aulas práticas são fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem e sua inclusão nos projetos pedagógicos é estimulada pelo Ministério da Educação', dizem os professores do CCB da UFPA.
Eles ressaltam que 'parte dessas aulas pode ser ministrada com material vivo criopreservado ou com material de coleções biológicas, onde as peças são preservadas em meio líquido (álcool e formol) ou a seco (taxidermia, dessecagem). Todavia, algumas aulas só podem ser ministradas com material vivo, como é o caso daquelas onde são analisados alguns aspectos de sêmen e sangue'.
Na carta, os professores lembram a opinião do professor Dr. Otávio Mitio Ohashi, especialista em Biotecnologia da Reprodução, que defende que 'diversos tópicos só podem ser observados em sêmen recém-coletado e, aqui, incluem-se aspectos físicos e fisiológicos, tais como: cor, volume, odor, mobilidade, motilidade e tempo de vida fora do organismo'. 'Sobre a alegação de constrangimento e hostilização aos alunos: a Comissão de Sindicância, instituída pela direção do Centro de Ciências Biológicas, fará a apuração dos fatos e os apresentará ao Conselho do CCB propondo as medidas cabíveis'. Na carta, os professores dizem ainda que 'poucos alunos manipularam o sêmen e todos usaram acessórios para proteção individual. Esses alunos participaram da preparação das lâminas que foram submetidas à análise microscópica por toda a turma quanto a motilidade, estruturas celulares e morfologia, comparando o sêmen fresco humano com o de búfalo criopreservado'. Os professores também observam que 'sobre as condições de higiene em que foi realizada a coleta: os alunos não foram expostos a riscos adicionais além daqueles quando do uso dos banheiros para outras necessidades fisiológicas'.
Assinam a carta os professores: Julio Cesar Pieczarka, coordenador acadêmico e vice-diretor do Centro de Ciências Biológicas, Isabel Rosa Cabral, coordenadora do Curso de Biomedicina e Maria Lúcia Harada, coordenadora dos Cursos de Biologia.