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Atualidades
Amazônia terá voz ativa no Fórum Social Mundial 2009

Edição de 02/11/2007

Em pauta

Entidades de países que integram região devem definir os temas prioritários

O Fórum Social Mundial será sobre as águas e terá como protagonistas os povos tradicionais dos nove países que compõem a Amazônia. Assim os integrantes do Comitê Internacional que está organizando o evento, que acontecerá em Belém em janeiro de 2009, resumiram a expectativa para a programação, que terá uma prévia em 26 de janeiro de 2008, com o Dia de Mobilização e Ação Global.

A decisão de realizar o evento em um país da Amazônia foi unanimidade entre a representação das mais de 80 mil entidades e organizações que compõem o Fórum Social Mundial e a novidade da programação é que no primeiro dia do evento todos os temas do encontro serão voltados para a problemática da região. 'Uma das propostas é que o Fórum de 2009 comece com um dia em que a Amazônia fale o que considera importante. Essa é uma inovação que estamos construindo, mas a definição dos temas não é feita de cima para baixo. Serão as entidades que definirão o que será debatido', informou Francisco Whitacker, membro da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e um dos idealizadores do fórum.

A informação foi divulgada ontem durante a coletiva de imprensa com o comitê, no encerramento da primeira rodada de reuniões para os preparativos do fórum e dos eventos que acontecerão ao longo de 2008. De acordo com Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), entre as 150 pessoas que integram o comitê, as propostas são muitas. Já existe inclusive a idéia de se organizar, alguns dias antes do início do fórum, um encontro de cientistas que debaterão questões sobre a região.

Os três membros internacionais do comitê que falaram aos jornalistas afirmaram que gostaram muito da cidade e que, apesar de admitir as dificuldades para trazer até Belém um grande número de delegados de seus países, será extremamente importante para a região que o próximo fórum aconteça em uma cidade amazônica. Rafaela Bolini, da Itália, explicou que a mobilização para o fórum acontecerá em todo o mundo. 'A idéia é que cada um possa organizar uma ação em seu povo, sua cidade, seu país. Pode ser uma marcha, concertos, festas, conferências, fóruns. Pequenas iniciativas para demonstrar o quão grande e forte é a organização para fazer um mundo diferente', afirmou. Para dar visibilidade aos eventos simultâneos, será montado um mapa virtual na página do Fórum Social Mundial, na internet, que sinalizará cada uma das iniciativas do Dia de Mobilização. 'É uma maneira de fortalecer o fórum de Belém', completa.

A coordenação regional do fórum trabalha para que os rios amazônicos tenham um espaço de destaque durante o evento. Como explicou Luiz Arnaldo Campos, um dos representantes das entidades locais no comitê, pelo menos 90 organizações dos movimentos sociais já estão se mobilizando para chegar em grandes comitivas, a maioria delas usando os rios como meio de transporte. Os barcos podem funcionar também como dormitórios, na falta de hotéis na cidade. Ele também informou que existe a idéia de se alugarem grandes balsas, que seriam utilizadas como espaços de discussão e barcos para que os visitantes possam também passar por algumas comunidades nos rios próximos a Belém. 'Já estamos fazendo discussões sobre o fórum e queremos levar o debate para os povos indígenas, os assentamentos rurais, as ocupações urbanas. E nossa idéia é já começar com 2008, fazendo um grande lançamento, com várias atividades por um dia inteiro, como marchas, desfiles, debates, iniciando com uma grande alvorada', adiantou.

A indiana Meena Menon, da Focus on the Global South, relatou um pouco da experiência do fórum em seu país e afirmou que os problemas enfrentandos pela população da Amazônia interessam a todo o mundo hoje. 'Belém é importante como sede porque poderemos entender quais as questões que preocupam hoje a Amazônia e o resto do mundo'. Já o americano Michael Leon Guerrero, da Grassroots Global Justice Aliance, afirmou que a região é política, econômica e ecologicamente importante. 'Tanto que a soberania desses países está ameaçada por conta da política militarista e de apoio às multinacionais mantida pelos Estados Unidos', afirmou.

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