Edição:Ano LXIV - nº 32.950 Belém, Quinta, 02/09/2010   
Busca
ok
CLASSIFICADOS
Anuncie Online
Classimais
Lib Online
NOTÍCIAS
Atualidades
Magazine
Esporte
Poder
Polícia
ESPECIAIS
Auto & Cia
Concursos
Mulher
Resp. Social
COLUNAS
Alyrio Sabbá
Amapá
Aposentados
Belém Tem Disso
Bernardino
Carlos Ferreira
Editorial
Isaac
Ismaelino
Ivo Amaral
Market.com
Panorama
Pio Netto
Por Dentro
Previdência
Repórter 70
Samuel Câmara
Show Biss
Tutti Qui
Zoom
LIBERALZINHO
Capa
Cartinha do Leitor
Contanto um Conto
Curtas e Curiosas
Game 10
Matéria da Capa
Quadro Infantil
TROPPO
Alda
Capa
Cine Troppo
Notícias
Rejane
BOM DIA
Denis Cavalcante
Edson Coelho
João Carlos Pereira
Paloma Amorim
Raimundo Sodré
Vera Cascaes
OPINIÃO
Art. da Semana
Art. do Dia
Haroldo Pinheiro
Humor
Juriscrônica
Cartas na mesa
CONTATO
Fale Conosco
SERVIÇOS
Assinaturas
Ed. Anteriores
Esporte
Uma pipa, um buggy e a praia para voar baixo

Edição de 26/11/2007

No Pará

O kitebuggy, uma espécie de kitesurf terrestre, ainda é pouco praticado

LEANDRO LAGE

Da Redação

O nome é estranho, mas faz sentido: kitebuggy. Kite de pipa, em inglês, e buggy de buggy mesmo, como são chamados os triciclos. Esporte novo e ainda pouco praticado no Pará, o 'KB' é semelhante ao kitesurf. A diferença é que é feito em terra. O truque, segundo Alexandre Ferreira, que se diz o 'kitebuggeiro' solitário de Belém, é saber controlar a pipa (ou vela).

'No kitebuggy, a vela serve de tração para puxar o buggy, no qual o praticante fica acomodado. Em Salinas, já consegui chegar a 60 quilômetros por hora, mas isso depende do vento. Na verdade, da vela. Quanto maior ela for, maior será a tração. Mas também é preciso um buggy especial para diminuir o atrito', explica Alexandre, sobre o fundamento da modalidade.

Mas, para ele, a graça do esporte não é tanto a velocidade, e sim a oportunidade de curtir a paisagem, sentir o vento batendo no rosto e, de vez em quanto, fazer uma manobra para aumentar a adrenalina. 'Sem dúvida, é um esporte para quem gosta de praia e de viagens. Duas ou três vezes no mês, para me livrar do estresse, me mando para Salinas', conta Alexandre.

Não tem erro, basta olhar a tábua de marés, que praia não falta por aqui. O kitebuggy não precisa de combustível ou preparo físico. Bastam minutos de paciência para montar o equipamento e disposição para percorrer quilômetros de praia. 'No máximo 25 minutos, para quem não têm a prática. E o carro é todo desmontável. Cabe na mala do carro', diz.

O buggy é controlado pelos pés. E não há freios. 'Isso depende do posicionamento da vela. Se o objetivo é aumentar a tração, faz-se o que chamamos de ‘jogar a vela para o vento’. Se a intenção é frear, aí deixa-se a vela em cima, onde não há tanto vento e a tração diminui', explica Alexandre. As pipas podem ter até 15 metros quadrados, o que aumenta a velocidade, pondendo ultrapassar 100 quilômetros por hora.

As condições para praticar o kitebuggy, segundo ele, são melhores em Salinas. 'Não é só no Atalaia. Tem a praia das Corvinas, que é bem calma, e vou tentar no Farol Velho', diz. No Brasil, o KB ainda perde para o kitesurf em número de praticantes, mas na Europa não. 'Esse esporte é mais famoso no Rio Grande do Sul. Até porque é onde tem mais praias como as de Salinas, extensas e planas', explica Alexandre.

Essa divisão entre o kitebuggy e o kitesurf também confundiu Alexandre que, por motivos econômicos, preferiu o primeiro ao segundo. 'Estava querendo comprar há quatro anos, mas fiquei assustado com o valor dos equipamentos para o kitesurf. A parafernália toda custava mais de R$ 4 mil. Aí, descobri o Kitebuggy, que dá para praticar com R$ 1.500. O preço alto é por causa da vela', explica.

Na modalidade, o vento dita a velocidade. O buggy não tem freios.

Embora seja um esporte simples de se praticar, a velocidade é sempre motivo de manter o pé atrás e primar pelos cuidados, consigo e com os outros. 'São os chamados ‘Dez Mandamentos dos esportes de vela’ porque são, basicamente, os mesmo do kitesurf', explica Alexandre. 'A linha da pipa, quando é puxada pelo vento, pode causa ferimentos graves, por isso é sempre bom se afastar dela'.

Como não há sistema de frenagem, o praticante deve saber dominar a vela, pois é dela que tudo depende. A falta de experiência já rendeu tombos para Alexandre. 'Uma vez, quando não tinha tanta habilidade com a pipa, o buggy virou. E é perigoso porque os pneus podem bater na gente. Peguei uma vela maior, ainda sem conhecimento, e quando o vento puxou o buggy veio comigo, mas não me bati', conta.

Alexandre aprendeu sozinho o kitebuggy. Comprou tudo, leu manuais pela internet e se mandou para Salinas. Resultado: 'Não aconselho ninguém. Essa não é a forma mais correta. Ter alguém que conheça e saiba dar dicas sobre o esporte é sempre bom, embora o KB seja praticado sem muitos problemas e riscos', diz o esportista.

De acordo com Alexandre, a adrenalina do KB pode ser ainda maior do que a do kitesurf. 'Só de você poder olhar a paisagem ao seu lado, é maravilhoso. No kitebuggy, o praticante pode usar o esporte para passear, fazer manobras e até praticar corrida', explica. 'Mas não existe diferenças entre os dois esportes. Eles partem do mesmo princípio e não faz sentido ter competição'.

A idéia de usar uma pipa para tracionar um veículo é antiga. De acordo com Paulo Sérgio Grandizolli, praticante e membro do Kitebuggy Clube, criado por Alexandre, esse mecanismo foi usado no começo do século 19, George Pocok, na Inglaterra. Mas as velas tiveram de esperar a criação dos buggys. No Brasil, os primeiros começaram a aparecer no início dos anos 1990. (L.L.)

Por dentro do Kitebuggy

Dicas de segurança

O kitebuggy não é um esporte perigoso, segundo Alexandre. Mesmo assim, ele ressalta que alguns cuidados devem ser tomados, até para que o esporte fique mais prazeroso:

Deve-se preservar uma distância de pelo menos 50 metros do público.

Evitar praias com postes, fios elétricos e muitos obstáculos.

Não se deve 'voar' em dias de chuva.

Coloque areia ou um objeto sobre a pipa para que ela não decole sozinho.

Quanto menor for a experiência, mais curtas devem ser as linhas da pipa. No início, o comprimento ideal varia de 18 a 20 metros. Para praticantes experientes, elas podem ter até 45 metros.

Mecanismo de velocidade do kitebuggy

De acordo com Alexandre Ferreira, a velocidade do kitebuggy é totalmente controlável, embora o carro não tenha freios. Para isso, basta que o praticante saiba controlar bem a pipa. Para aumentar a tração e, conseqüentemente, a velocidade, a pipa deve ser deitada na direção do vento. E para diminuir ou parar o carro, a pipa deve ser colocada sobre o buggy, no sentido vertical, em que o vento não a leve para nenhuma direção.

Leia Mais
Papão encara Moisés no TRT
Leão muda equipe contra Vila Aurora
Email: redacao@orm.com.br