No Pará
O kitebuggy, uma espécie de kitesurf terrestre, ainda é pouco praticado
LEANDRO LAGE
Da Redação

O nome é estranho, mas faz sentido: kitebuggy. Kite de pipa, em inglês, e buggy de buggy mesmo, como são chamados os triciclos. Esporte novo e ainda pouco praticado no Pará, o 'KB' é semelhante ao kitesurf. A diferença é que é feito em terra. O truque, segundo Alexandre Ferreira, que se diz o 'kitebuggeiro' solitário de Belém, é saber controlar a pipa (ou vela).
'No kitebuggy, a vela serve de tração para puxar o buggy, no qual o praticante fica acomodado. Em Salinas, já consegui chegar a 60 quilômetros por hora, mas isso depende do vento. Na verdade, da vela. Quanto maior ela for, maior será a tração. Mas também é preciso um buggy especial para diminuir o atrito', explica Alexandre, sobre o fundamento da modalidade.
Mas, para ele, a graça do esporte não é tanto a velocidade, e sim a oportunidade de curtir a paisagem, sentir o vento batendo no rosto e, de vez em quanto, fazer uma manobra para aumentar a adrenalina. 'Sem dúvida, é um esporte para quem gosta de praia e de viagens. Duas ou três vezes no mês, para me livrar do estresse, me mando para Salinas', conta Alexandre.
Não tem erro, basta olhar a tábua de marés, que praia não falta por aqui. O kitebuggy não precisa de combustível ou preparo físico. Bastam minutos de paciência para montar o equipamento e disposição para percorrer quilômetros de praia. 'No máximo 25 minutos, para quem não têm a prática. E o carro é todo desmontável. Cabe na mala do carro', diz.
O buggy é controlado pelos pés. E não há freios. 'Isso depende do posicionamento da vela. Se o objetivo é aumentar a tração, faz-se o que chamamos de ‘jogar a vela para o vento’. Se a intenção é frear, aí deixa-se a vela em cima, onde não há tanto vento e a tração diminui', explica Alexandre. As pipas podem ter até 15 metros quadrados, o que aumenta a velocidade, pondendo ultrapassar 100 quilômetros por hora.
As condições para praticar o kitebuggy, segundo ele, são melhores em Salinas. 'Não é só no Atalaia. Tem a praia das Corvinas, que é bem calma, e vou tentar no Farol Velho', diz. No Brasil, o KB ainda perde para o kitesurf em número de praticantes, mas na Europa não. 'Esse esporte é mais famoso no Rio Grande do Sul. Até porque é onde tem mais praias como as de Salinas, extensas e planas', explica Alexandre.
Essa divisão entre o kitebuggy e o kitesurf também confundiu Alexandre que, por motivos econômicos, preferiu o primeiro ao segundo. 'Estava querendo comprar há quatro anos, mas fiquei assustado com o valor dos equipamentos para o kitesurf. A parafernália toda custava mais de R$ 4 mil. Aí, descobri o Kitebuggy, que dá para praticar com R$ 1.500. O preço alto é por causa da vela', explica.
Na modalidade, o vento dita a velocidade. O buggy não tem freios.
Embora seja um esporte simples de se praticar, a velocidade é sempre motivo de manter o pé atrás e primar pelos cuidados, consigo e com os outros. 'São os chamados ‘Dez Mandamentos dos esportes de vela’ porque são, basicamente, os mesmo do kitesurf', explica Alexandre. 'A linha da pipa, quando é puxada pelo vento, pode causa ferimentos graves, por isso é sempre bom se afastar dela'.
Como não há sistema de frenagem, o praticante deve saber dominar a vela, pois é dela que tudo depende. A falta de experiência já rendeu tombos para Alexandre. 'Uma vez, quando não tinha tanta habilidade com a pipa, o buggy virou. E é perigoso porque os pneus podem bater na gente. Peguei uma vela maior, ainda sem conhecimento, e quando o vento puxou o buggy veio comigo, mas não me bati', conta.
Alexandre aprendeu sozinho o kitebuggy. Comprou tudo, leu manuais pela internet e se mandou para Salinas. Resultado: 'Não aconselho ninguém. Essa não é a forma mais correta. Ter alguém que conheça e saiba dar dicas sobre o esporte é sempre bom, embora o KB seja praticado sem muitos problemas e riscos', diz o esportista.
De acordo com Alexandre, a adrenalina do KB pode ser ainda maior do que a do kitesurf. 'Só de você poder olhar a paisagem ao seu lado, é maravilhoso. No kitebuggy, o praticante pode usar o esporte para passear, fazer manobras e até praticar corrida', explica. 'Mas não existe diferenças entre os dois esportes. Eles partem do mesmo princípio e não faz sentido ter competição'.
A idéia de usar uma pipa para tracionar um veículo é antiga. De acordo com Paulo Sérgio Grandizolli, praticante e membro do Kitebuggy Clube, criado por Alexandre, esse mecanismo foi usado no começo do século 19, George Pocok, na Inglaterra. Mas as velas tiveram de esperar a criação dos buggys. No Brasil, os primeiros começaram a aparecer no início dos anos 1990. (L.L.)
Por dentro do Kitebuggy
Dicas de segurança
O kitebuggy não é um esporte perigoso, segundo Alexandre. Mesmo assim, ele ressalta que alguns cuidados devem ser tomados, até para que o esporte fique mais prazeroso:
Deve-se preservar uma distância de pelo menos 50 metros do público.
Evitar praias com postes, fios elétricos e muitos obstáculos.
Não se deve 'voar' em dias de chuva.
Coloque areia ou um objeto sobre a pipa para que ela não decole sozinho.
Quanto menor for a experiência, mais curtas devem ser as linhas da pipa. No início, o comprimento ideal varia de 18 a 20 metros. Para praticantes experientes, elas podem ter até 45 metros.
Mecanismo de velocidade do kitebuggy
De acordo com Alexandre Ferreira, a velocidade do kitebuggy é totalmente controlável, embora o carro não tenha freios. Para isso, basta que o praticante saiba controlar bem a pipa. Para aumentar a tração e, conseqüentemente, a velocidade, a pipa deve ser deitada na direção do vento. E para diminuir ou parar o carro, a pipa deve ser colocada sobre o buggy, no sentido vertical, em que o vento não a leve para nenhuma direção.