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Polícia
Bando faz Viseu viver dias de terror

Edição de 29/05/2008

Intimidação

Supostamente a mando de prefeito, carro de vereador é atingido por 15 tiros

O município de Viseu, localizado no nordeste paraense, está enfrentando dias de violência. Domingo, 25, o carro do vereador Edvaldo Gonçalves (PR) foi atingido por 15 tiros. No carro estavam o motorista, que foi operado anteontem em Brgança, com a esposa e o filho de um ano e meio, ambos internados em estado grave em Belém, no Hospital Metropolitano.

O carro, que foi levado para a delegacia delegacia do município para ser periciado, foi incendiado na madrugada de ontem. Quando os peritos do Instituto Médico Legal de Bragança chegaram, fizeram a perícia do que restou do veículo, segundo informações prestadas pelo investigador Sérgio Silva, de plantão ontem na Delegacia de Viseu.

O crescimento da violência em Viseu é atrbuído a um grupo de motoqueiros armados que teria ligações com o prefeito da cidade, Alfredo Amin (PMDB). A denúncia consta de um processo de apuração em ação penal sugerida pelo Ministério Público.

O clima de terror em Viseu foi levado ao conhecimento do secretário de Segurança Pública do Estado, Geraldo Araújo, por sete dos 10 vereadores da cidade. Na comissão, estavam Paulo Barros (PDT), Avelino Siqueira (PR), Izaias Neto (PPS), Fernando Banpará (PPS), Francisco Gomes (PSDB), Tereza Medeiros (PT) e Edvaldo Gonçalves (PPS).

Edvaldo Gonçalves, o vereador que teve o carro atacado domingo, 25, já havia registrado um boletim de ocorrência por ameaça de morte no dia 16 de abril deste ano.

LIGAÇÕES

O vereador Izaias Neto diz que as ligações entre o bando que anda armado em motos e prefeito da cidade, Alfredo Amin, são inevitáveis, já que alguns integrantes do grupo foram nomeados como servidores da Prefeitura de Viseu.

'O prefeito anda com parte desse grupo, que atua como segurança, mas essas pessoas recebem na folha de pagamento da prefeitura e utilizam motos dos programas de saúde, entre outras situações já constatadas pelo Ministério Público, mas que estão até hoje à espera da conclusão do processo penal', ressalta.

O vereador Paulo Barros e sua família também foram ameaçados na semana passada por um homem que estava numa moto e atirou combustível sobre o carro do parlamentar para provocar um incêndio.

'Só não aconteceu o pior comigo e minha família porque arranquei com o carro', relatou o vereador. Ele acrescentou que, com o clima de violência, os trabalhos do legislativo estão paralisados. 'Todas as segundas-feiras os homens armados bloqueiam a entrada da Câmara, sem que nada seja feito', critica o parlamentar.

As sessões dos dias 15 e 25 de abril aconteceram sob proteção do destacamento da Polícia Militar de Bragança. A primeira sessão destituiu o presidente da Câmara, Nilson Moreira, por improbidade; a segunda nomeou o substituto, vereador Francisco Gomes.

O Major César Vieira, comandante de policiamento militar de Bragança, informou que conhece a realidade instalada em Viseu, mas não dispõe de efetivo suficiente para atender quatro municípios. São apenas 140 policiais para fazer a seguança de Bragança, Augusto Corrêa, Traquateua e Viseu. Segundo o major, seria necessário pelo menos o dobro do efetivo, além de viaturas para fazer frente à gravidade da situação de insegurança nos municípios.

SEGUP

Ontem, a assessoria de Imprensa da Segup informou que o grupo de vereadores foi recebido pelo secretário de Segurança Pública, Geraldo Araújo, que deverá tomar medidas para acabar com a violência contra vereadores supostamente patrocinada pelo prefeito de Viseu, Alfredo Amin. As medidas não serão divulgadas para não atrapalhar as ações.

A reportagem tentou falar com o prefeito Alfredo Amin, que não estava na prefeitura. O telefone celular informado esteve por toda a tarde fora de área, assim como o celular de seu advogado, Samuel Cruz, que não atendeu nem retornou às chamadas.

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