Edição:Ano LXIV - nº 32.950 Belém, Quinta, 02/09/2010   
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Mobilização por oxigênio

Edição de 05/06/2008

VEREQUETE
Informado sobre o show, ele quer porque quer subir ao palco.

Zezé Costa e Alan Carvalho já sabiam, há algum tempo, que o Mestre passava por dificuldades financeiras e perceberam a coisa piorar após a internação dele. 'Eu conversei com a minha filha, Lucélia, sobre o assunto, começamos a pensar em como poderíamos fazer algo para ajudar. Eu, o Alan e o Nazo Silva sempre fazemos shows no teatro do Ccbeu e eu falei com o Alan sobre a possibilidade da gente fazer algo parecido para ajudá-lo, e ele topou na hora. Só que a idéia cresceu, conseguimos reunir um bom time de artistas, saímos ligando para todo mundo e, quando nos demos conta, era tanta gente para um show só que a programação iria ficar cansativa. Decidimos fazer dois!', conta.

Enquanto Zezé fazia os contatos, Alan se encarregou de conseguir os espaços. 'Eu liguei para quem podia dar a camisa, os lanches, ele ia atrás dos teatros. O legal é que todo mundo topou na hora, gostou da idéia de ajudar o Mestre, até porque todo mundo sabe do quanto ele está precisando. Se ele precisar do balão de oxigênio, a família vai ter que gastar algo em torno de R$ 1.800 só com isso', explica. 'Verequete merece todo esse trabalho, toda a nossa preocupação, a obra dele, ele próprio é um patrimônio desse Estado, não pode ficar de qualquer jeito, ao Deus dará. Me perguntaram várias vezes porque eu não tentava articulações com as secretarias do Estado mas, por incrível que pareça, temos dificuldades em alcançá-las e ficar de porta em porta, mendigando, não é a idéia. E acho que esse é o caminho mesmo porque acabaram chegando até nós a própria Secretaria de Estado de Cultura (Secult), o Ná Figueiredo, que é empresário, e a própria Fundação Tancredo Neves, através do pessoal do Margarida Schivasappa, que foi muito legal com a gente', relata. 'E o pessoal está procurando muito para saber os dias, os horários, preço de ingresso. Esperamos que vá bastante gente, quanto mais pessoas, mais poderemos ajudar o Mestre'.

Além do shows, todos estão mesmo é na torcida para que Verequete volte logo para casa. 'Sabemos que ele canta no hospital, reúne o grupo da enfermaria e o carimbó rola solto por lá. Não contamos para ele sobre o show porque ele ia ficar louco querendo participar, e quando ele participa, quer cantar o tempo todo. Queremos vê-lo cada vez melhor, estamos na torcida para que os exames confirmem que ele está bem.

Ele já está super estressado por estar tantos dias internado', revela Zezé.

GRATIDÃO

De acordo com a filha de Verequete, Lucimar Rodrigues, que acompanha o dia-a-dia do pai no hospital, apesar dos esforços do grupo que organiza a programação, ele sabe, sim, dos shows e ficou irritadíssimo... por não poder participar. 'Ele ficou feliz quando minha mãe contou para ele tudo o que o pessoal estava organizando, mas disse logo: ‘como vocês vão fazer um show para mim sem eu estar lá? Eu tenho que estar lá’! Aí explicamos que isso era uma ajuda, que a gente tinha mais era que ficar alegre por termos tantos amigos. Tem gente ali que eu não conheço, como o próprio Alan, que só fala comigo por telefone e é muito gratificante para nós perceber o carinho e o respeito que eles têm pelo meu pai', comenta Lucimar.

Pela filha de Verequete, o show nem ia sair, afinal, como organizar um evento de dois dias e ainda dar conta do pai precisando de cuidados no hospital? 'Quando a Zezé me falou, eu quis, mas disse que não tinha como dar conta de organizar, então ela disse que tomaria à frente junto com o Alan e que só me consultaria sobre algumas coisas. A Lucélia, filha da Zezé, é do Sancari, um grupo que sempre apoiou o meu pai nas dificuldades, mobilizaram gente para doar sangue quando ele precisou. E foi muito bom, o pessoal arranjou tudo, patrocinador, esse dinheiro chega em boa hora. A dieta dele vai mudar toda, estamos reformando o quarto dele, construindo um banheiro dentro porque, na casa, o banheiro é fora e ele não pode pegar chuvisco ou sereno agora de jeito nenhum. Estamos confiantes de que ele vai sair na próxima semana e de que não vai precisar do balão de oxigênio. Meu pai está bem, não está no soro, só faz as medicações nos horários certos. Após o exame que falta ele fazer nos pulmões, dando tudo certo, ele volta para casa', anseia a filha.

serviço:
Shows 'Verequete Chama!' nos dias 6, no Margarida Schivasappa do Centur (Gentil c/ Rui Barbosa), e dia 12, no Estação Gasômetro do Parque da Residência (Magalhães Barata c/ Três de Maio), sempre às 20h. Ingresso: RS 10. Informações: 3266-8407.

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