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Bons ventos do litoral paraense embalam o kitebuggy

Edição de 07/12/2008

Uma espécie de kitesurf terrestre, a modalidade atrai adeptos no Pará. O vento dita a velocidade e a vela comanda os movimentos dos praticantes do desse esporte radical

Por Cybele Puget

Fotos: GQ Estúdio e divulgação

O Kitebuggy, para quem não conhece, é um esporte radical praticado em um triciclo (buggy) manobrado pelos pés e puxado por uma pipa (kite). É semelhante ao kitesurf, a diferença é que é por terra. O kitebuggy não precisa de combustível ou preparo físico, bastam minutos de paciência para montar o equipamento e disposição para percorrer quilômetros de praia. Dependendo da qualidade do buggy, do tamanho do kite e do vento, chega a alcançar velocidades elevadas, próximas dos 100 Km/h, como explica Alexandre Ferreira, um praticante paraense apaixonado pela emoção e sensação de bem-estar que o esporte proporciona.

No kitebuggy, a vela serve de tração para puxar o buggy, onde o praticante fica acomodado. 'Em Salinas, consegui chegar a 60 quilômetros por hora, mas isso não depende do vento, mas da vela. Quanto maior ela for, maior será a tração. Também é preciso um buggy especial para diminuir o atrito', explica Alexandre. Mas, para ele, a graça do esporte não é tanto a velocidade, e sim a oportunidade de curtir a paisagem, sentir o vento batendo no rosto e, de vez em quando, fazer uma manobra para aumentar a adrenalina.

‘'Sem dúvida, é um esporte para quem gosta de praia e de viagens. Duas ou três vezes no mês, para me livrar do estresse, me mando para Salinas', conta Alexandre, que é precursor na prática do esporte no Pará. Ele explica que não há freios no buggy e as ações dependem do posicionamento da vela. 'Se o praticante pretende acelerar a velocidade é só ‘jogar a vela para o vento’. Se a intenção é frear, aí deixa-se a vela em cima, onde não há tanto vento e a tração diminui', orienta.

No Pará, as praias de Ajuruteua, em Bragança, e do Atalaia, das Corvinas e do Farol Velho, em Salinas, possuem as condições ideais para a prática do kitebuggy. Mas, numa enquête promovida pelo site www.kittebuggyclube.net, 62% dos praticantes paraenses elegeram a Praia do Atalaia como o melhor local do Brasil para o kitebuggy. No restante do país, o esporte é difundido no litoral de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No Brasil, o esporte ainda perde para o kitesurf em número de praticantes, mas na Europa não. Por aqui, a opção por praticar o kitebuggy trouxe vantagens econômicas para Alexandre. 'Primeiro me interessei pelo kitesurf. Mantive este desejo por quatro anos, porém, o valor dos equipamentos é elevado, mais por causa da vela. A parafernália custava mais de R$ 4 mil. Aí, descobri o kitebuggy, que dá para praticar com R$ 1.500', explica.

De acordo com Paulo Sérgio Grandizolli, 54 anos, praticante e membro do Kitebuggy Clube há 15 anos, o mecanismo usado na modalidade esportiva começou no século 19, na Inglaterra, com George Pocok. No Brasil, o advento da modalidade ocorreu no início da década de 1990. Paulo foi um dos primeiros praticantes e diz que a sensação 'é de liberdade, de poder usar a natureza através do vento para a diversão', descreve . Além disso, Paulo afirma que o kitebuggy é um esporte corretamente ecológico, pois não polui o meio ambiente, já que usa apenas o vento para sua pratica.

O Gaúcho, Rafael Kurtz Bianchessi, 31 anos, pratica a modalidade há dois anos. Ele ratifica que o maior benefício desse esporte é a integração do indivíduo com a natureza. 'A Sensação de liberdade e a adrenalina pura que o kitebuggy propicia, através do vento, são maravilhosas.Além disso, é possível atingir velocidades e percorrer terrenos que muitas vezes pessoas e máquinas raramente percorrem', comenta. 'A principal vantagem do kitebuggy é que o esporte mostra pro ser humano que ele é muito pequeno em relação à força da natureza, e ainda ajudar a fortalecer a musculatura e dá um ótimo preparo físico, tanto nos braços como nas pernas, além de exigir um raciocínio rápido para que seja praticado com segurança', acrescenta.

Alexandre Ferreira cometa que o número de praticantes vem crescendo a cada ano, e hoje já existe até Campeonato de Kitebuggy, realizado em praias e em campos, onde se pode percorrer grandes distâncias. Porém, a prática exige muito treino para saber controlar a pipa, já que não há sistema de frenagem. 'É preciso aprender a dominar o kite no vento, fator fundamental para uma boa prática. E para garantir a segurança, é aconselhável o uso de equipamentos, tais como joelheira, cotoveleira e capacete', orienta. Embora seja um esporte simples de se praticar, a velocidade é sempre motivo para redobrar os cuidados consigo e com os outros.

Dicas de segurança para a prática do Kitebuggy:

Deve-se preservar uma distância de pelo menos 50 metros do público.

Evitar praias com postes, fios elétricos e muitos obstáculos.

Não se deve ‘voar’ em dias de chuva.

Coloque areia ou um objeto sobre a pipa para que ela não decole sozinha.

Quanto menos experiência tiver o praticante, mais curtas devem ser as linhas da pipa, que varia de 18 a 20 metros. Para os mais experientes, elas podem ter até 45 metros.

Serviço

Quer saber mais sobre a prática do kitebuggy, acesse o site www. Kitebuggyclubenet, de autoria de Alexandre Ferreira.

Email: redacao@orm.com.br