CELEBRAÇÃO
Junto à Trasladação, paraense aproveita a alegre e tradicional programação profana.
GUTO LOBATO
Da Redação
Quando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré passar na frente do Bar do Parque, na avenida Presidente Vargas, durante a Trasladação, será dado o ponto de partida a uma das mais tradicionais programações profanas da Festa do Círio. Há exatos trinta anos, toda a diversidade e tolerância de gêneros e tendências são celebrados lado a lado com a maior expressão da fé católica na Festa da Chiquita, noitada GLBT que começa à noite de hoje e atravessa a madrugada com muita música, premiações e performances divertidas de artistas, intelectuais e drag queens do Estado. A programação tem entrada franca e só termina ao amanhecer do domingo.
Neste ano, a expectativa é que a região do Bar do Parque receba cerca de 100 mil pessoas para celebrar a trigésima edição da Festa da Chiquita. A estrutura para receber este público, de acordo com o coordenador geral do evento, o cantor Eloy Iglesias, será especial - além do tradicional palco de apresentações, que já está montado no local, haverá um mesanino para os desfiles e shows -; o que não significa, no entanto, que a festa esteja ganhando ares de superprodução.
'A marca da Chiquita é justamente seu caráter espontâneo, de total liberdade e abertura para os segmentos da nossa sociedade. Claro que a gente sempre se prepara para receber um público cada vez maior, mas a idéia é deixá-la sempre aberta, com clima de improviso. Quem quiser vir colaborar na programação artística, por sinal, sabe que está convidado de antemão', brincou Eloy, que concedeu entrevista à reportagem em meio ao corre-corre dos preparativos.
Toda a programação começa com a passagem da berlinda com a imagem da Virgem pela Presidente Vargas. Após a passagem do último carro temático, a festa inicia com a apresentação de diversos grupos folclóricos amazônicos - com destaque para o Borboletas do Mar, de Marapanim -, que trazem o melhor do carimbó e demais ritmos regionais ao público. Em seguida, vem o tradicional show de drag queens, que reunirá dezenas de desfiles de transformistas paraenses e nacionais, tudo ao som do melhor da música eletrônica internacional. A melhor será coroada ao final da festa.
Mas o momento mais esperado de todos os anos é a entrega dos prêmios Veado de Ouro e Rainha do Círio, que homenageia personalidades e intelectuais de destaque no Pará. Um detalhe para o qual Eloy chama a atenção é que, ao contrário do que muitos pensam, a premiação não é voltada apenas a homossexuais, e sim a pessoas cujo trabalho em prol do segmento GLBT seja relevante. 'Neste ano, por exemplos, vamos homenagear uma profissional da política. O que queremos mesmo é fazer uma homenagem singela a pessoas que trabalhem a favor da diversidade, da felicidade e do bem viver da sociedade paraense, independente das crenças, opções e modos de vida de cada um', comenta o cantor.