O Centro de Memória da Amazônia, coordenado pela Faculdade de História da Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza, até amanhã, o Seminário 'A memória de Severa Romana: de mulher a Santa Popular' para lembrar os 108 anos da morte da jovem de 19 anos, que foi brutalmente assassinada pelo cabo Ferreira quando estava prestes a dar a luz, no dia 2 de julho de 1900. Este é o primeiro evento realizado pelo Centro desde que foi criado, em 2007. O Seminário tem entrada gratuita e está sendo realizado no Auditório do Salão Transversal do Museu do Estado – Palácio Lauro Sodré. O tema do Seminário também abre espaço para discussões sobre a violência contra a mulher e a devoção popular.
A comoção causada pela morte de Severa Romana, sepultada no Cemitério Santa Izabel, em Belém, fez da jovem uma mártir, que inspira devoção. O processo judicial referente ao julgamento do assassino de Severa Romana é uma das relíquias em exposição no Centro de Memória da Amazônia, que tem a cessão e guarda da documentação de natureza civil e criminal que integrava o arquivo inativo do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. São documentos do final do século XVIII, até 1970, que versam sobre assuntos variados da sociedade paraense, como questões religiosas e familiares, transações comerciais, conflitos fundiários, migração e imigração na Amazônia. O acervo também apresenta documentos sobre a presença do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição na região.
Um dos documentos mais consultados pelos usuários dos arquivos do Centro é, justamente, o processo que diz respeito à Severa Romana. Segundo o professor da Faculdade de História, Maurício Costa, vice-diretor do Centro de Memória, Severa Romana é um assunto que desperta muito interesse. 'Há uma produção extensa de documentários, livros, pesquisas, peças de teatro e cordeis, em Belém e no restante do Pará, tendo Severa como inspiração. A intenção é ter toda essa produção reunida nesse evento', afirma. O evento conta com palestras, exibição de filmes, bate-papo com autores de peças e documentários, dramatização de cordel e a exposição 'A Belém de Severa Romana', que trará imagens referentes à época em que viveu a 'santa'.
A expectativa é também contar com a presença dos 'devotos' de Severa, pessoas que promovem, semanalmente, no Cemitério Santa Izabel, o que denominam de 'corrente de culto aos mortos'. A previsão é a de que o evento tenha como resultado a publicação de um livro que reúna todos os relatos e testemunhos produzidos sobre Severa Romana durante o Seminário, artigos de pesquisadores e a íntegra do processo judicial que inspirou a realização da programação.
Serviço
Seminário 'A memória de Severa Romana: de mulher a Santa Popular'. Hoje e amanhã, de 14 às 18:30h
Local: Auditório do Salão Transversal do Museu do Estado – Palácio Lauro Sodré
Mais informações no Centro de Memória da Amazônia, que está aberto para visitação, localizado na Trav. Rui Barbosa, 491. Fone: 3252-2843.