Para ela, o parto humanizado deve ter o atendimento centrado na mulher. Então, se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo.
Thayssa já participou como doula em sete partos em Belém. Um deles foi o da bióloga Andreza Pinheiro, que conheceu o grupo pela internet e começou a freqüentar as reuniões. Ela fala da dificuldade de conseguir um médico que trabalhe com o parto humanizado. 'Fui em dois médicos antes de achar um que aceitasse. Já conheci pessoas que trocaram de médico cinco vezes'. Sobre o parto, Andreza relata a mesma sensação de segurança com a presença da doula. 'Ela me passou tranqüilidade, o que é muito importante na hora do parto. O apoio e a presença dela foram fundamentais. Ela entendia o que eu estava passando'.
As doulas podem auxiliar no momento do parto apoiando com palavras, dando suporte emocional e também ajudando a mulher a lidar com as 'temidas' dores do parto. Com o uso de métodos não-farmacológicos de alívio da dor - como massagens, banhos, posturas ou simplemsente um abraço quando a mulher estiver se sentindo mais fragilizada ou amedrontada -, elas fazem uma grande diferença.
Pesquisas mostram que partos com acompanhamento de uma doula, além da equipe médica, podem reduzir em 50% as taxas de cesárea, em 20% a duração do trabalho de parto, em 60% os pedidos de anestesia, em 40% o uso da ocitocina (hormônio que tem o papel de promover as contrações uterinas durante o parto) e em 40% o uso de fórceps. Além disso, a mulher assistida por uma doula tem uma experiência mais positiva do parto, a auto-estima e auto-confiança elevadas, recupera-se melhor e amamenta mais.
A médica que atendeu Andreza foi Neyla Dahas, uma das poucas especialistas que apóiam as mães a optarem pelo parto humanizado. O parto do primeiro filho dura em média doze horas, por isso, o profissional precisa dispor de tempo e dedicação. Com médicos melhor remunerados, tanto pelos convênios quanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a situação poderia ser diferente.
Segundo a médica, as pacientes que passam primeiramente pelo grupo de apoio a gestantes são muito mais seguras na hora do parto. 'Elas já estão preparadas e chegam a ficar muito tristes quando em um procedimento de emergência precisam recorrer a uma cesariana', afirma Neyla Dahas. Ela diz que não é contra a cesariana, apenas não aprova o uso indiscriminado da técnica. O parto humanizado também é feito dentro do hospital. Caso haja alguma complicação, pode ser feita uma intervenção cirúrgica, mas ela conta que quase nunca é necessário.