Edição:Ano LXIV - Nº 32.744 Belém, Terça, 09/02/2010   
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“Tô indo!”.

Edição de 30/12/2008

Já faz bom tempo que a gente se 'fala' aqui no Liberal. Estive tagarelando semanalmente, desde julho de 2003, sem interrupção (inclusive nas poucas viagens).

Essa história começou muito antes, nos tempos do guaraná de rolha, levada pelo saudoso Isaac Soares para Folha do Norte, onde tive uma coluna chamada 'Taí', apesar de ser só uma criança metida à adolescente. Na festa das debutantes da sede campestre da AP, adorei ser chamada de 'confreirinha' pelo Edwaldo Martins (saudade!) ao lado da querida xará Vera Castro (companheira de TV Liberal, numa outra deliciosa etapa). Pouco depois estava na Rádio Liberal (rádio é tudo!) e a seguir na TV. O 'Astro' Chico César e eu demos o 'Boa noite, está no ar a TV Liberal', ainda no período experimental! Aos dezoito, era jornalista profissional, (uma figura praticamente extinta, mas da qual me orgulho!) com DRT e sindicalizada.

Tempos depois, voltei como essa cronista teimosa, primeiro por obra, graça e confiança da Clara Costa (obrigada!), que na época era editora do Caderno Mulher. Adoro falar ‘de e para’ mulheres. A princípio meio tímida; depois ‘me achando’, falei de relacionamentos, sexo e falta de paixão, amores, trabalho. Cutuquei homens, impliquei com ‘mulherzinhas’. E fofoquei ninguém é de ferro! Uma crônica sobre as vantagens de preferir mulheres de quarenta às de vinte, me rendeu (uau!) quase trinta e-mails, muitos de balzaqueanas de bem com a vida; e apenas um, malcriado, de uma menina de 21 que namorava um sessentão, tadinha. (Hoje ela sabe que eu tinha razão!). Aventurei-me num arremedo de poesia e falei mal do Lula, claro.

Um dia o Bernardino Santos, ‘padrinho’ dessa segunda aventura no jornal, convocou-me para um time que assinaria crônicas durante a semana. Não podia estar em melhor companhia! Vim para o Bom Dia e até fiz graça de vez em quando, apesar dos meus próprios preconceitos. (Nossa nunca percebi o quanto sou ‘rodada’ na casa!)

Por todos esses anos, fui trans-pa-ren-te. Deixei sangue, lágrimas e DNA em cada palavra; esqueci de me preservar e até sofri por isso. Quem ‘me lia’, sabia da minha saúde, de quem falava em quem votaria em quem seria capaz de dar um cascudo. Ou de pedir desculpas, publicamente. Não fiz tipo, nunca. Talvez devesse ter feito, enfim.

Cinco anos e cinco meses! Um tempo e tanto. Maior que uma legislatura, que muitos casamentos, que o intervalo entre as copas do mundo. Fosse uma criança, já saberia ler.

Tempo suficiente para escrever três livros - e não publicar nenhum. Para ser magra, loura, voltar a ser gorda, morena, ruiva e loura de novo. O bastante para fazer novos amigos e desistir de outros; de acreditar mais em Deus e menos nos outros. De mudar de idéia e permitir que mudem. De experimentar. De perdoar e tentar esquecer - isso sempre mais difícil. A impetuosidade se foi e deixou uma paciência de monge. Não fiquei melhor nem pior. Apenas amadureci; nem bem, nem mal.

E chega à hora de dar ‘um tempo’ (sempre ele); para balanço, para ler mais, aprender mais.

Não, não tenho nenhum projeto, não estou doente, não vou para Dubai, nem morar na praia e pescar o almoço. Não assumi uma nova e desafiadora função, não recebi nenhum convite irrecusável. Nada grande ou incrível.

Todos precisamos desses recessos, de renovar as idéias e vocês já devem estar cansados do meu blá-blá-blá. Aproveitem para poupar-se da minha verborragia até que volte, cheia de opinião sobre tudo. (Bem, opinião e ‘aquilo’ é o que não me falta.)

Por enquanto é isso, vou indo, ‘desculpem qualquer coisa’, até a volta!

Um beijo, um enorme abraço; obrigada a todos, do Bom Dia, ‘da casa’ e ‘de casa’. Como dizem por aí... Fui!

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