Em alta por oito dias consecutivos, o dólar à vista subiu 7,35% e voltou ao seu maior patamar desde o início de setembro. A moeda americana fechou em alta de 1,65% nesta sexta-feira, cotada por R$ 2,335 na compra e R$ 2,337 na venda. No acumulado da semana, a alta foi de 3,77%. Às 17 horas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subia 0,56%, aos 33.380 pontos.
O ciclo de altas iniciado pelo dólar no dia 7 tem como principal responsável o Banco Central. Com compras agressivas nos mercados à vista e de derivativos, o BC levou os bancos a enxergar o perigo embutido em suas apostas na queda do dólar montadas no mercado futuro. Foram comprados mais de US$ 8 bilhões com a venda de contratos de 'swap reverso', contrato no qual se negocia diferenciais entre juros e dólar. No mercado à vista, as compras se aproximam de US$ 10 bilhões desde outubro.
- O mercado queria uma trégua nessas compras de dólares, mas o BC está mostrando que os leilões vão continuar. Quem apostava que R$ 2,30 seria o teto do dólar teve uma surpresa - disse Hideaki Iha, da corretora Souza Barros.
Segundo Iha, o fato de o dólar ter superado com facilidade o patamar dos R$ 2,30 levou parte do mercado a iniciar operações de 'stop loss' (interrupção de perdas). Para ele, é o BC quem determinará até onde vai a alta do dólar. Por enquanto, é certo que se ele se retirar da ponta compradora, a tendência do dólar é cair.
As projeções dos juros negociadas no mercado futuro acompanharam a alta do dólar e foram ajustadas para cima. Dois dias depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado futuro de juros não chegou a apresentar sobressaltos. A decisão de cortar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual ficou dentro do esperado.
O Depósito Interfinanceiro (DI) de abril de 2006 fechou com taxa de 17,37% ao ano, contra 17,36% do fechamento de quinta-feira. O DI de outubro teve a taxa elevada de 16,57% para 16,62% anuais. A taxa do DI de janeiro de 2007 subiu de 16,41% para 16,46% anuais. A taxa Selic é hoje de 18% ao ano.