Em pouco mais de 30 minutos, a juíza Clarice Maria de Andrade quebrou o silêncio e falou sobre o caso da adolescente que ficou presa, durante quase um mês, na mesma cela com 20 homens na Delegacia de Abaetetuba, nordeste paraense. Durante entrevista coletiva concedida na sede da Amepa (Associação dos Magistrados do Pará), na tarde desta sexta-feira (4), a juíza respondeu 12 perguntas e voltou a afirmar que é inocente.
'Não tinha conhecimento que a adolescente estava presa na mesma cela com homens', disse Clarice Maria. Segundo ela, a partir do momento que soube, tomou todas as medidas necessárias para que a situação se resolvesse. 'Encaminhei ofício ao corregedor de Abaetetuba solicitando a remoção da jovem', completou. A juíza também negou que soubesse que a jovem era menor de idade. 'Se soubesse disso, o caso nem seria encaminhado a mim. Seria endereçado a outra vara de Abaeteteuba', afirmou.
Segundo a juíza, durante as visitas mensais que fazia à delegacia, ela sempre solicitava a lista de presos. 'O nome dela nunca esteve presente em nenhuma listagem e nem eu vi nenhuma mulher presa durante as visitas', disse Clarice Maria.
A juíza também se disse surpresa com o fato de a adolescente ter ficado presa na mesma cela com homens, já que a delegacia possui duas celas. 'Lá tem uma cela grande e outra menor, que é usada para presos de alta periculosidade ou para situações como essa. Não sei porque não colocaram ela na cela menor', indagou a juíza.
Durante a coletiva, a juíza voltou a alegar inocência e apresentou documentos para comprovar sua versão. Entre a documentação, estão a defesa da magistrada apresentada no TJE (Tribunal de Justiça do Estado), documentos enviados para o Conselho Tutelar de Abaetetuba e ofício pedindo a remoção da presa.
A magistrada informou ainda que o processo é público e pode ser consultado por qualquer pessoa interessada. 'Sou inocente, pois não tinha conhecimento do fato. A justiça foi feita com a decisão do Pleno do TJE', finalizou Clarice Maria de Andrade.
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