A Avenida Presidente Vargas, em Belém, ficou mais colorida neste domingo (27), com a realização da 8ª Parada Gay, que este ano teve como tema 'Um novo mundo só é possível sem machismo, racismo e homofobia'. Segundo balanço da Polícia Militar, entre 80 e 100 mil pessoas participaram do evento. Apenas três pessoas haviam sido presas até o início da noite. As ocorrências foram de furto.
Coloridos, divertidos, engraçados eles chamam atenção com roupas extravagantes, fantasias brilhosas, mas engana-se quem pensa que o objetivo de tudo isso é só o glamour. Foi uma forma de cobrar uma sociedade mais justa, não só para os homossexuais, mas para todos que sofrem preconceito, como explica o coordenador do Apolo (Grupo pela Livre Orientação Sexual), Paulo Lessa, que organiza o evento. 'Estamos aqui hoje para lutar contra todo tipo de preconceito, seja contra as mulheres, os negros, gays, quem for. Não queremos que a sociedade nos aceite, mas que nos respeite porque temos o mesmo direito de todos', diz.
Seguindo esse objetivo os participantes do evento desfilaram em seis trios elétricos, regados a muita música eletrônica, pelas ruas da Avenida Presidente Vargas, Assis de Vasconcelos, até a Praça Waldemar Henrique, onde um grande show musical já os aguardava. Entres eles, havia figuras inusitadas como José Souza, que veio para a marcha vestido de aeronauta. 'Vim assim porque quero mostrar que em todo lugar tem homossexual, até nas forças armadas! Somos como qualquer outra pessoa e temos nossos direitos!', dispara.

Assim como ele, a cabeleireira Nicole Lins escolheu um visual especial para acompanhar o evento. Vestida de 'Diva', como apelidou carinhosamente sua indumentária. Ela elogiou a realização do evento.'Todas nós sofremos algum tipo de preconceito alguma vez na vida por isso é bom que haja eventos como esse para abrir a cabeça das pessoas', diz.
Segurança- Para garantir a segurança do evento, o efetivo policial foi dobrado, com 255 homens, entre a Cavalaria, Comando de Missões Especiais, Batalhão de Choque e Ronda Tático Metropolitana. A polícia também estabeleceu horário para a realização do evento- somente até a meia-noite- e recomendou moderação no consumo de bebida alcóolica. 'Essa é a principal causa de brigas e confusões, por isso é melhor evitar', orientou o Comandante do Políciamento Metropolitano, Coronel Edvaldo Sarmanho.
Mesmo com orientação da Polícia, inclusive para que os participantes evitassem levar objetos de valor à Parada, alguns furtos foram registrados. Até o início da noite três pessoas haviam sido presas por envolvimento em furtos dentro da programação. Eles foram encaminhados à Seccional do Comércio.
Luta- A luta dos homossexuais é antiga, principalmente contra a violência. Dados de uma ONG baiana que luta pela defesa dos direitos dos homossexuais mostram que a cada três dias um homossexual é morto no País. Enquanto isso, eles pressionam o Senado para aprovação da PLC 122/ 2006, pela criminalização da homofobia. 'O projeto já passou na Câmara, mas está emperrado no Senado. Enquanto isso a cada dia surgem novos casos', denuncia Paulo Lessa, citando uma das principais questões abordadas na Parada de 2009.
De acordo com a associação não há dados específicos de agressões e violência sofrida por homossexuais no Pará, mas o estado já dispõe de um centro de atendimento às vítimas.
Inaugurado em abril deste ano, através de parceria com orgãos do governo, como Secretaria de Justiça, Defensoria Pública, o Centro de Referência e Combate à Homofobia oferece atendimento psicológico, assistência social e jurídica às vítimas de violência. 'Lá são encaminhados os casos para que seja cobrado em todas as esferas que providenciem punição aos culpados dentro das leis que existem, já que não temos uma lei específica. Apesar disso ainda estamos engatinhando porque o centro é muito novo', comenta Lessa.
Saúde- Dentro da programação da Parada Gay houve campanhas de saúde realizadas pela Secretaria Estadual de Saúde, com a distribuição de mais de 100 mil preservativos, gel lubrificante, camisas, bolsas, cartazes, banner e bandeiras. Houve também a 'Campanha do Fique Sabendo', com aconselhamento e testagem para o HIV. Mais de 10 profissionais da Coordenação Estadual de DST e Aids participaram das ações.
Proibição- O juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude da Capital, José Maria Teixeira do Rosário, determinou que a presença de crianças e adolescentes na oitava edição da 'Parada do Orgulho Gay de Belém' fosse fiscalizada pelo Setor de Comissariado. A medida, conforme descreve o despacho do juiz, atende a 'pleitos formulados ao Juizado por entidades interessadas em proteger menores dos riscos em ambientes e eventos incompatíveis com as respectivas faixas etárias'. O Juizado ainda não divulgou balanço da fiscalização.