Uma comissão formada por sete representantes dos trabalhadores do transporte alternativo foi recebida, nesta terça-feira (24), pelo diretor superintendente da CTBel (Companhia de Transportes do Município de Belém), Alfredo Sarubby e a assessora de gabinete do prefeito Duciomar Costa, Duth Monteiro. A reunião aconteceu após carreata da categoria, que terminou em frente à Prefeitura de Belém. Os perueiros pedem regulamentação do transporte alternativo na capital paraense.
De acordo com a Prefeitura de Belém, os trabalhadores apresentaram um projeto para a formação de um consórcio, que deverá garantir a atuação da categoria em linhas alimentadoras, operando em áreas que ainda não são atendidas por linhas de ônibus. 'Pela primeira vez a categoria apresentou uma proposta que pode viabilizar a regulamentação do serviço, cujos moldes atuais vai de encontro à lei orgânica do município de Belém, que determina que o transporte público de passageiros seja realizado por empresas habilitadas', disse a Prefeitura em nota enviada à imprensa.
Os perueiros já apresentaram à CTBel um projeto que prevê a união de 26 cooperativas em torno de uma única empresa, que depois de criada poderá receber autorização para atuar no transporte de passageiros na capital.
Dados - Hoje, Belém conta com cerca de 2.100 perueiros cooperados. No próximo dia 9 de dezembro, a categoria se reúne novamente com técnicos da CTBel para estudar a aplicabilidade do projeto. O encontro será realizado na sede do órgão municipal de trânsito.
Manifestação - Cerca de 450 perueiros saíram, ainda de madrugada, em carreata pelas ruas de Belém até a sede da Prefeitura. Com a manifestação, as praças Felipe Patroni e Dom Pedro I, além de dois estacionamentos da sede da Prefeitura ficaram ocupados pelos veículos.
De acordo com o presidente do Sicootrans (Sistema Integrado das Cooperativas de Transporte Alternativo), Francinaldo Barros, a luta da categoria é antiga, desde de 2005. 'Queremos legalizar o transporte alternativo e legitimar nosso serviço. Gastamos muito com este trabalho e não recebemos nenhum apoio por isso', disse.
Ele compara a situação da categoria no Pará com a de outros estados. 'Em lugares como Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Goiânia e Manaus o transporte alternativo já é legalizado. Aliás, em Ananindeua e Marituba já está tudo regulamentado desde 2007. Queremos que seja assim também aqui em Belém', argumentou.
Estatísticas- Segundo os números do Sincootrans, nos anos de 2006 e 2007, foram investidos cerca de R$ 20 milhões no setor com a troca de 300 kombis por 300 vans. Além disso, nos dois últimos anos, o valor chegou a R$ 120 milhões, graças às trocas de 123 vans por 123 microônibus. 'Estamos dispostos a investir mais, porém precisamos da regulamentação para ter algum tipo de apoio', informou. Em relação a combustíveis, Francinaldo estima que cerca de 12 mil litros, por dia, de diesel sejam consumidos pelo transporte alternativo.