A estratégia do Governo Federal em diminuir a concentração de álcool na gasolina para aumentar sua demanda no mercado e, consequentemente, diminuir o preço do combustível derivado da cana-de-açúcar não surtiu efeito no Pará. Uma semana após a entrada em vigor da nova concentração (passou de 25% para 20%), o litro do álcool ficou mais caro nos postos de Belém.
Segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), esta realidade pode ser verificada em pelo menos 80% dos postos da capital. Na última semana de janeiro, o preço do litro do álcool era comercializado, em média, a R$2,205. O menor valor encontrado foi R$ 2,049 e o maior, R$ 2,345.
Já nesta primeira semana de fevereiro, o preço médio do litro do combustível voltou a subir e foi comercializado, em média, a R$ 2,270, com um reajuste de 2,94% em relação aos preços praticados na última semana de janeiro. O menor preço encontrado em fevereiro foi R$ 2,129 e o maior a R$ 2,394.
Já no caso da gasolina, as alterações no mesmo período foram mínimas. Na última semana de janeiro, as pesquisas do Dieese mostram que o litro da gasolina foi comercializado, em média, a R$ 2,773. O menor preço encontrado foi R$ 2,650 e o maior, R$ 2,895. Nesta primeira semana de fevereiro, o litro do combustível foi vendido a R$ 2,781. O menor preço encontrado foi R$ 2,679 e o maior a R$ 2,895.
'Com a redução da mistura do álcool a gasolina, o Governo está tentanto baixar o preço do álcool no mercado, que em 2009, em função de problemas de produção, exportação e sazonalidade, aumentou mais de 20%. Só que com a diminuição da mistura, a gasolina ameaçava subir cerca de 4% nas bombas de todo o Brasil. Para fazer frente a esta situação, o Governo fez uma compensação, baixando o valor da CIDE (Contribuição de Intervenção do Dominio Econômico), que cai de R$ 0,23 para R$ 0,15 por litro de gasolina. Esta situação começou a vigorar na sexta-feira (5) e vai até abril, quando começa a safra da cana-de-açúcar. Com isso, as esperanças são de que, de fato, o álcool diminua de preço e que a gasolina não suba', explicou o economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese.