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Fascículo
4
A Catedral de Nossa Senhora da Graça recebe
Maria de Nazaré
A igreja da Sé, tal como a Basílica, também
nasceu modesta. Era uma construção pequenina,
de barro, coberta de palha, edificada logo após a
fundação de Belém. Os padres da Companhia
de Jesus restauraram-na em 1653 e durante 96 anos, graças
a uma série de reformas, funcionou como matriz. Com
a constituição do Bispado no Pará, no
início do século XVIII, a então igreja
de Nossa Senhora da Graça ganhou direitos e honra
de Sé episcopal.
O rei D. João V ordenou, em 1723, que, no mesmo local,
fosse edificada a Catedral. A pedra fundamental, contudo,
só foi lançada em 3 de maio de 1748. O prédio
ficaria concluído em 8 de setembro em 1771, data da
natividade de Nossa Senhora. O arquiteto italiano Antônio
José Landi acompanhou uma parte da obra e teria feito
uma interferência no desenho original da fachada. A
construção da Catedral demorou 18 anos e houve,
inclusive, temores infundados de que as paredes não
sustentariam a abóbada da capela-mor. Um século
se passou entre a inauguração e o trabalho
de embelezamento, empreendido pelo décimo bispo do
Pará, D. Antônio de Macedo Costa. De 1882 a
1892, D. Macedo Costa tornou o prédio mais atraente
e deu à Catedral o imponente órgão Cavaille-Coll,
que funciona até hoje.
O Bispo também escolheu peças de ferro, na época
a preços bem em conta, disponíveis em catálogos
estrangeiros, para ornar o interior da Catedral. Entre elas
estão os púlpitos, que ganharam uma pintura
imitativa de madeira e dão a impressão de terem
sido entalhados e não fundidos. O altarmor foi um
presente do papa Pio IX e do imperador Pedro II, em 1886,
com a assinatura de Luca Carimini.
Embora seja dedicada à Nossa Senhora da Graça,
sob o altar-mor o ícone existente é o de Santa
Maria de Belém. Parte da decoração da
Sé foi feita por De Angelis e Capranesi. Depois deles,
outros artistas trabalharam no templo, introduzindo a pintura
que imita mármore e é conhecida pelo nome de
escaiola. A sagração da Catedral A igreja da
Sé recebe a imagem da Padroeira na noite de Trasladação
e, no dia seguinte, vê o Círio patir aconteceu
no dia 30 de abril de 1892.
Uma basílica européia, na Amazônia,
em honra de Nossa Senhora
Os caminhos do Círio, há décadas, são
os mesmos. Nas duas extremidades do grande rio de fé há marcos
da religiosidade do povo do Pará, que podem ser vistos,
simbolicamente, a um só e mesmo tempo, como a nascente
e a foz da confiança na Senhora de Nazaré.
Os marcos de partida e chegada são os templos que
acolhem a imagem peregrina. A Basílica, edificada
no local onde a imagem “verdadeira” foi encontrada
e está até hoje, é o ponto final do
Círio. A Catedral é a Igreja Mãe. Para
ela se dirige a Trasladação e de lá saí o
Círio, no segundo domingo de outubro. Basílica
e Catedral assinalam momentos especiais da festa de Nazaré e
contam, na imponência silenciosa de sua arquitetura,
parte da história de uma devoção.
O templo que abriga a imagem “verdadeira” de
Nossa Senhora de Nazaré foi construído ao lado
da antiga igreja, que era simples e cuja finalização
aconteceu entre 1874 e 1875. A cidade não gostou do
prédio e uma grande Basílica foi construída.
O padre barnabita Emílio Richeter, que recebeu a paróquia
empobrecida, determinou que se fizesse uma grande economia
para tocar a obra. Em 1908, o visitador da Ordem dos Barnabitas,
padre Luiz Zoia, veio a Belém e deu a idéia
de edificar um novo templo, mais apropriado às proporções
já alcançadas pela devoção, ao
lado do que já existia, para não interromper
as funções religiosas.
A proposta era construir em Belém um prédio
inspirado na Basílica de São Paulo Extramuros,
de Roma. O desenho foi feito em Gênova por Coppedé e
pelo engenheiro Pedrasso. A decoração recebeu
assinatura do professor Grolla e do engenheiro Tiago Bola.
No dia 24 de outubro de 1909, o arcebispo D. Santino Coutinho
colocou a primeira pedra da basílica, que foi edificada
sobre uma cripta, necessária para a elevação
do terreno, que protegeria o prédio da umidade e daria
ao estilo basilical a imponência que ele exige.
A cerimônia foi prestigiada pelo governador Augusto
Montenegro, pelo prefeito Antônio Lemos, por autoridades
de vários setores e pelo povo. Sete anos mais tarde
estavam prontos a cripta, as paredes, o telhado e uma torre.
Padre Affonso de Giorgio embelezou a basílica, mandando
colocar os vitrais,os forros, os mosaicos, as estátuas,
os altares, os estofamentos, as portas de bronze e a fachada.
No frontão da Basílica, a Senhora reina sobre
personagens da história
Quem olha a Basílica, a partir da Praça Santuário,
vai identificar, na parte superior da fachada, um painel
triangular, de 19 metros, todo confeccionado com pedrinhas
coloridas, numa técnica chamada “mosaico”.
Como o frontão, criado na Casa de Mosaicos Gianese,
em Veneza, está muito distante dos olhos, não é fácil
identificar quem é quem na composição,
mas sabendo quais são as personalidades homenageadas,
com um pouco de esforço será possível
distingui-las.
O tema da peça é a glorificação
de Nossa Senhora pela gente e pela terra amazônicas.
O grande rio, a floresta e a luz a reverenciam, em nome da
natureza. Para quem está na frente da Basílica,
o lado esquerdo, que dá para a avenida Nazaré,
abriga as figuras de frei Henrique Soares de Coimbra e do
padre Antônio Vieira, acompanhados de índios,
as criaturas para as quais voltaram sua atenção
de catequistas.
No outro lado vêem-se Pedro Álvares Cabral,
que traz, no peito, a cruz portuguesa; Francisco Caldeira
Castelo Branco, carregando uma maquete; o primeiro Bispo
do Pará, D. Bartolomeu do Pillar; Plácido José de
Souza – o Plácido, que achou a imagem e a tem
nas mãos – e que, talvez, por ter sido caçador,
aparece acompanhado de seu cão; o padre barnabita
Afonso di Giorgio; o intendente Rodrigues dos Santos e o
governador Dionísio Bentes, além de uma família
de imigrantes.
O templo tem 62 metros de comprimento, 24 de largura e 20
de altura. As duas torres alcançam 42 metros. Quase
todas peças decorativas foram construídas na
França e na Itália. As portas de bronze e o órgão
vieram do Rio Grande do Sul. O interior da igreja possui
cinco naves, 32 colunas em granito maciço, 54 vitrais,
38 medalhões em mosaico de 1,5 m de diâmetro
(com passagens da vida de Nossa Senhora e as aparições),
19 estátuas de mármore de Carrara, 2 candelabros
de bronze, vindos de Milão, 24 lampadários
venezianos, um órgão eletrônico, com
três teclados e 1.100 tubos, 10 altares laterais, uma
capela com os restos mortais de padre Affonso di Giorgio
e um batistério.
Nas torres estão instalados 9 sinos: o maior fica
na torre direita e pesa 2,8 toneladas, com 1.80 m de diâmetro.
Os demais estão na torre esquerda e cada sino traz
a imagem e nome do padroeiro para a nota musical. Lá (São
José), Mi (Sagrado Coração), Ré (Imaculada
Conceição), Fá (São Miguel),
Sol (São Gabriel), Si (São Joaquim), Dó (Sant
Ana), Ré (Santa Rosa de Lima) e Ré (Santa Isabel).
Juntos, eles formam o conjunto mais antigo e completo do
Brasil, movimentado através de um console. Nos anos
60, o vigário, padre Miguel Giambelli, ransformou-os
nos primeiros sinos eletrônicos do país.
Fascículo 1 - O Início
Fascículo 2 - Procissões
Fascículo 3 - Carros e Promesseiros
Fascículo 4 - Basílica de Nazaré
Fascículo 5 - O Almoço
Fascículo 6 - Arraial, Miriti e Festa
Fascículo 7 - Eventos, Imagens e Diretoria
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