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Fascículo
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Muitos eventos marcam os quinze dias da festa da Padroeira
O primeiro ato da Festa de Nazaré é a missa do Mandato, celebrada pelo Arcebispo de Belém, na Praça Santuário, em setembro, quando os Diretores, suas esposas e a comunidade recebem a outorga: “ide e evangelizai”, através dos livros das peregrinações (em 2005, foram cem mil!). Há a entrega simbólica, a uma pessoa da comunidade, de uma imagem, entre as centenas que serão levadas de casa em casa, em procissão. Os dirigentes de peregrinações recebem formação e, em seguida, os livros e os cartazes começam a ser distribuídos. A peregrinação da imagem foi criada em 1972, pelo padre Giovani Incampo, para que acontecesse melhor preparação espiritual ao Círio. Hoje, essa prática foi levada ao interior do Estado e a algumas capitais onde exista colônia paraense. A imagem “verdadeira” de Nossa Senhora de Nazaré foi tirada do Glória, para ficar mais perto do povo, durante a quadra nazarena, em 1969. Ela é colocada na Berlinda de ferro e cristal, que foi utilizada – e imediatamente rejeitada – em 1963. As primeiras cerimônias de descida da imagem aconteciam a portas fechadas, às 23 horas, após a chegada da Trasladação. A partir de 1992, tornou-se pública.
Nos últimos anos, a imagem é retirada por um Diretor da Festa que calça luvas, a fim de evitar o contato direto com a peça e, desse modo, retardar o processo de envelhecimento. A Basílica fica superlotada de fiéis, que chegam das procissões realizadas na manhã do sábado da Trasladação. A subida da imagem ao Glória acontece às 6 horas da manhã, antes da Missa da
Despedida, na segunda-feira do Recírio.
Para que as homenagens à Padroeira sejam cada vez mais bonitas, durante a quinzena são realizadas queimas de fogos às 5 da manhã, ao meio-dia e às 18 horas. Até 1988 os fogos eram fabricados na cidade da Vigia. A partir de 1989, chegam do Mato Grosso do Sul. À meia-noite do último domingo da festa, um show pirotécnico ilumina os céus do bairro de Nazaré e adjacências. As luzes da fachada da Basílica são apagadas e a noite ganha cores especiais. Na manhã da segundafeira, uma multidão acompanha o retorno da imagem ao Colégio “Gentil”. Ela é levada num andor decorado com flores naturais,conduzido por Diretores da Festa. O povo acena com lenços brancos, numa cerimônia de adeus que, na verdade, significa até o ano que vem.
Cinco Berlindas já conduziram a Santinha do coração dos paraenses
Honras de Chefe de Estado, concedidas por lei, para a imagem de Nossa Senhora de Nazaré Foto 4 - chefes de Estado peregrina, ela tem os pés assentados no que seria o chão. A “verdadeira” flutua sobre uma nuvem, da qual sai uma cabecinha de anjo.
A terceira imagem, a “peregrina”, é a que sai no Círio. Foi esculpida na Itália, por Giacommo Mussner, a pedido do padre Miguel Giambelli. Como a “verdadeira”, possui cabelos soltos, castanhos, caídos em cacho de um lado do ombro. Nossa Senhora guarda o semblante de uma moça que tem mais ou menos 17 anos. Nessa fase de sua vida, Jesus estava com, aproximadamente, dois anos. Ele aparece sentado no braço esquerdo e tem os traços de uma criança amazônica: nariz redondinho, cabelos negros e olhos puxados.
Para embelezar ainda mais a imagem que saía no Círio, devotas de Nossa Senhora confeccionavam o manto, como forma de pagar promessa, até que o compromisso de fazê-lo passou, definitivamente, para a irmã Alexandra, da Congregação Filhas de Sant’Anna. Quando irmã Alexandra morreu, em 1973, uma ex-aluna residente no Colégio “Gentil”, senhora Ester Paes França, assumiu a tarefa. A missão de confeccionar o manto, depois da morte de dona Ester, em 1992, é passada, a cada ano, a profissionais da costura, que se entregam com amor ao bordado. A imagem encontrada por Plácido, sua coroa e seus mantos foram tombados pela Lei nº 5.629, de 20 de dezembro de 1990. Também por Lei – a 4.371, de 15 de dezembro de 1971 – Nossa Senhora tornou-se merecedora de honras de Estado e foi proclamada Patrona do Estado do Pará. O Governador era o engenheiro Fernando
Guilhon.
Um dos mais bonitos ícones do Círio é a Berlinda. Ela foi introduzida na procissão, em 1855, para substituir o palanquim que era puxado por cavalos ou bois e sobre o qual ia um religioso, com a imagem no colo. A segunda Berlinda foi preparada por ordem de D. Macedo Costa, em 1880, e trazia como novidade um oratório envidraçado, chamado de maquineta, onde a imagemera colocada. Em 1926, D. Irineu Joffily substituiu a Berlinda por um andor. Cinco anos mais tarde, a Berlinda (a terceira) foi reintroduzida no Círio, para ser substituída, em 1963, por uma chamada de funcional (a quarta), confeccionada em ferro e cristal, que conseguiu desagradar a todos. Como a terceira Berlinda já havia sido doada para a cidade de São Miguel do Guamá, uma nova (a quinta) foi esculpida pelo artista João Pinto. O trabalho foi iniciado no dia 1º de junho de 1964 e durou quatro meses. O cedro vermelho utilizado veio da cidade de Ourém e a peça, em estilo barroco clássico, recebeu três mil folhas de ouro.
Na parte interna, o teto é forrado com cetim drapeado e, ao centro, há um dispositivo para fixação da imagem. Elaé colocada sobre um carro com pneus, possui tubos em volta e um timão, onde os guardas de Nazaré seguram. A primeira restauração foi realizada 28 anos após sua construção, pelo neto do autor, o artista plástico Pinto Neto. Houve um tempo em que a decoração era feita com flores artificiais. Quando se passou a usar flor natural, a responsabilidade pela compra ficou com a primeira dama do Estado. Até 1968, as flores eram sempre brancas. Em 1969, a Berlinda ganhou ornamentação colorida. Hoje, milhares flores são utilizadas por profissionais de decoração, que oferecem seu trabalho para a Padroeira dos paraenses.
A Senhora de Nazaré pode ser vista em três diferentes imagens
As imagens que os devotos de Nossa Senhora de Nazaré vêem, seja no Círio, seja na Basílica, seja no Colégio “Gentil Bittencourt”, guardam muitas semelhanças, mas não são tão parecidas assim. Às vezes, o amor é tanto que nem se presta atenção a “detalhes”, mas é preciso destacar algumas diferenças.
A mais admirada e amada entre todas as representações da Virgem Maria de Nazaré está guardada na Basílica. É a chamada “verdadeira”, que Plácido encontrou, em 1700. Ela é pequenininha: tem 28 cm, foi esculpida em madeira, aparenta ter 30 anos e é uma senhora de traços portugueses. Os cabelos caem sobre o ombro direito e, no colo, o menino Jesus, despido e sentado, brinca com o globo terrestre. Já passou por três restaurações e, no dia 9 de julho de 1980, o papa João Paulo II, em visita a Belém, abençoou o povo, tendo a imagem nas mãos. O manto de cetim, com aplicações de ouro, recebido no Congresso Eucarístico Nacional, em 1953, já foi trocado duas vezes, porque ficou amarelado.
A imagem que pertence ao Colégio “Gentil Bittencourt” foi entalhada em madeira e, durante muitos anos, saiu no Círio. Como a que está no Glória da Basílica, protegida por uma redoma, também é uma figura gordinha e traz no colo, deitado, envolvido em panos, o Menino Jesus recém-nascido. Seus cabelos estão protegidos por uma touquinha. Há quem veja nela os traços de Nossa Senhora do Livramento, mas o escultor fez questão de colocar na base da peça a inscrição “Nossa Senhora de Nazaré”.
Diferentemente da “verdadeira” e da peregrina, ela tem os pés assentados no que seria o chão. A “verdadeira” flutua sobre uma nuvem, da qual sai uma cabecinha de anjo. A terceira imagem, a “peregrina”, é a que sai no Círio. Foi esculpida na Itália, por Giacommo Mussner, a pedido do padre Miguel Giambelli. Como a “verdadeira”, possui cabelos soltos, castanhos, caídos em cacho de um lado do ombro. Nossa Senhora guarda o semblante de uma moça que tem mais ou menos 17 anos. Nessa fase de sua vida, Jesus estava com, aproximadamente, dois anos. Ele aparece sentado no braço esquerdo e tem os traços de uma criança amazônica: nariz redondinho, cabelos negros e olhos puxados.
Para embelezar ainda mais a imagem que saía no Círio, devotas de Nossa Senhora confeccionavam o manto, como forma de pagar promessa, até que o compromisso de fazê-lo passou, definitivamente, para a irmã Alexandra, da Congregação Filhas de Sant’Anna. Quando irmã Alexandra morreu, em 1973, uma ex-aluna residente no Colégio “Gentil”, senhora Ester Paes França, assumiu a tarefa. A missão de confeccionar o manto, depois da morte de dona Ester, em 1992, é passada, a cada ano, a profissionais da costura, que se entregam com amor ao bordado. A imagem encontrada por Plácido, sua coroa e seus mantos foram tombados pela Lei nº 5.629, de 20 de dezembro de 1990. Também por Lei – a 4.371, de 15 de dezembro de 1971 – Nossa Senhora tornou-se merecedora de honras de Estado e foi proclamada Patrona do Estado do Pará. O Governador era o engenheiro Fernando Guilhon.
Diretores e Guardas realizam um trabalho que é pura devoção
No momento em que o Círio chega à Praça Santuário, têm início, praticamente naquele instante, os preparativos para a procissão do ano seguinte. Quem cuida de todos os detalhes para o Círio e tudo que a ele está ligado é a Diretoria da Festa, que foi criada em 1910. Hoje, trinta diretores, sendo cinco beneméritos, participam da organização da festa. Até 1979, a Diretoria era formada apenas por homens. Naquele ano, foi feita tesoureira da festa a irmã Marta Bechir Elias.
Os diretores e suas esposas trabalham com agendas próprias e não recebem remuneração alguma. Todo esforço é doação de tempo e talento para Nossa Senhora de Nazaré. Em 1974, o coordenador da Festa, Nélson Ribeiro, e o padre Giovani Incampo criaram a Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, que é formada apenas por homens com mais de 20 anos, católicos militantes e
com reputação ilibada. O Presidente da Guarda é o Vigário de Nazaré e o Coordenador e o Vice são eleitos por votação majoritária. Mais de seiscentos homens atuam nas procissões, na Basílica e na Praça Santuário, garantindo a ordem e o respeito às práticas e aos locais.
Fascículo 1 - O Início
Fascículo 2 - Procissões
Fascículo 3 - Carros e Promesseiros
Fascículo 4 - Basílica de Nazaré
Fascículo 5 - O Almoço
Fascículo 6 - Arraial, Miriti e Festa
Fascículo 7 - Eventos, Imagens e Diretoria
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