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  Brinquedos de miriti - Os brinquedos do Círio são um espetáculo à parte durante as festividades de Nossa Senhora de Nazaré e se tornaram elemento indispensável da quadra nazarena. São serpentes, aves, barcos, carrosséis, bonecos, feitos de caranã - a polpa dos galhos de uma palmeira, ''Mauritia Vinifera'', conhecida por miriti ou buriti e pintados com as cores fortes da Amazônia.

Os brinquedos são fabricados em Belém e outras localidades, mas a maior parte vem do município vizinho de Abaetetuba. A chegada dos brinquedos em Belém já se transformou num ritual para muitos belenenses. No sábado, chegam as embarcações com os vendedores que se reúnem no Largo do Carmo, no bairro da Cidade Velha, primeiro bairro da capital. Lá os brinquedos são colocados em girândolas. Os vendedores ganham as ruas da cidade, dando um colorido único à festa.

Na praça da Sé é montada a "feirinha do miriti".

Carro dos milagres - O carro dos milagres foi introduzido no ano de 1805, por pedido da Rainha de Portugal, dona Maria I, para lembrar o primeiro milagre relatado da Virgem de Nazaré, que salvou o fidalgo dom Fuas Roupinho da morte num abismo. O carro dos milagres é o depositário das ofertas feitas à Virgem pelos fiéis, em reconhecimento pelas graças alcançadas: réplicas de casas que o romeiro conseguiu, de embarcações salvas do naufrágio, de partes do corpo humano em cera, curadas por intervenção da santa.

Corda - A corda foi uma das primeiras modificações sofridas pela procissão do Círio de Nazaré. Nos primeiros círios, a imagem da santa era carregada no colo do bispo, num carro puxado por juntas de bois. Em 1866 o carro com a Santa atolou, sendo necessária a intervenção do povo, que tirou o carro do atoleiro com uma corda. Desde 1868 a corda foi incorporada à procissão. Depois a corda passou a separar a berlinda da multidão.

Este é o sacrifício maior para o fiel que acompanha o Círio: segurar a corda. Mulheres e homens, todos descalços, vão se empurrando, pisando, esmagando ao longo de todo o trajeto. Ao final, cheios de calos e feridas nos pés, são os fiéis mais realizados, por terem cumprido o sacrifício prometido. A corda sempre foi motivo de polêmica, havendo aqueles que procuram eliminá-la da procissão, pela enormidade do sacrifício exigido.

Em 1926, o arcebispo de Belém, dom Irineu Joffily, baixou uma bula proibindo o uso da corda e determinando outras alterações na procissão. Foi o Círio mais tumultuado da história, tendo sido necessária a intervenção da polícia para cumprir as ordens do arcebispo. Até 1931 prevaleceu a vontade de dom Irineu, apesar das reações populares e dos protestos da imprensa.

Neste ano, assumiu o governo do Pará o interventor Magalhães Barata, que apelou para o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e para o Núncio Apostólico da Igreja Católica, para que fosse permitido o retorno da corda. Magalhães Barata conseguiu o que queria, para a enorme satisfação do povo. Desde então, sempre há alguém querendo eliminar a corda, sem nunca obter sucesso.

Em alguns Círios, a corda foi desatrealada da berlinda, para dar mais agilidade à procissão. Uma decisão da diretoria da festa que gerou polêmica.

Fogos - A queima de fogos é outro elemento intimamente ligado ao Círio de Nazaré. O traslado da imagem da Virgem do Colégio Gentil Bittencourt (onde fica durante o ano a imagem que participa da procissão, porque a original encontrada por Plácido fica permanentemente na Basílica) é saudado com fogos. Durante a procissão, os vendedores do mercado do Ver-O-Peso queimam fogos durante a passagem da berlinda, assim como os estivadores, que tradicionalmente fazem a maior queima de fogos de toda a quadra nazarena.

O encerramento das festividades, que acontece dois domingos depois, também é marcado por fogos de vista. Os fabricantes mais tradicionais são famílias de fogueteiros da cidade de Vigia, a cidade mais antiga do Pará. Numa tradição que passa de pai para filho.

Os fogos de artifício são outro elemento quase imutável do Círio de Nazaré. Desde o início, a procissão é precedida por foguetes e houve até o Carro Dos Fogos que vinha à frente. Com o tempo, o Carro dos Fogos passou a representar um elemento perigoso e foi eliminado, mas a passagem da pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré sempre vai ser saudada com muito barulho.