Círio é marcado por ícones da fé
30.09.2009 Às
16h21 em
Simbologia nazarena
-
Corda
Gratidão, promessas feitas, graças alcançadas. A Corda surgiu no Círio de 1855, quando, devido às enchentes no Ver-o-Peso, foi preciso atar cordas à Berlinda que conduzia a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, para que fosse puxada do atoleiro. Mas, em 1885, trinta anos depois, é que a Corda foi introduzida oficialmente na Procissão do Círio. Entre os anos de 1926 e 1930 foi retirada e em 1931 voltou definitivamente à procissão. Mais de cem anos depois ainda é um dos mais fortes elementos do Círio. -
Corda - Gratidão
A corda fica disposta de forma linear à berlinda. Nela milhares de devotos de Maria se revezam durante todo o percurso para tocar no símbolo e, em média, 12 pessoas enfrentam diversos sacrifícios para segurar na corda durante todo o trajeto. Segundo cálculos da Diretoria da Festividade, mais de sete mil promesseiros tocam no símbolo da fé incondicional à Nossa Senhora. A corda usada é de 800 metros: 400m para a Trasladação e 400m para a Procissão do Círio é confeccionada em Salvador. -
Berlinda
O altar de Maria no meio da multidão. O altar de Maria no meio da multidão. A berlinda começou a fazer parte do Círio em 1855, em substituição a uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois. É nela que a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é conduzida na Grande Procissão do Domingo e na Trasladação. A atual berlinda foi esculpida em cedro vermelho em estilo barroco. É usada há mais de 40 anos e recentemente passou por uma restauração total. Ornamentada com flores naturais na véspera do Círio, a berlinda é colocada sobre um carro com pneus, que na procissão é puxado pela corda conduzida pelos devotos. -
Berlinda
Na parte interna é coberta por cetim drapeado e pingentes de cristal. A berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré na procissão do Círio já é a quinta da história. No Círio 217, nove mil flores são usadas na ornamentação durante as procissões. A berlinda trará flores brancas, cor de rosa e algumas de cor lilás. São angélicas, orquídeas, gipsofilas, gérbera, cravos, crisântemo bola. Pela primeira será usada a Palma de São José para enfeitar. Em 2009, na Trasladação serão usadas flores brancas para destacar a beleza da Imagem da Santa durante a noite. -
Manto
O Amor à Maria materializado pelas mãos devotas. Segundo a lenda do achado da Imagem da Virgem de Nazaré, ela já estava com um manto no momento em que foi encontrada pelo caboclo Plácido. A tradição foi mantida e, ao longo dos anos, ela foi ganhando vários outros. Em 1953, a imagem autêntica recebeu um manto bordado a ouro e pedras preciosas, durante o 6º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém, ocasião em que recebeu a Coroa Pontifícia. -
Manto
A confecção dos primeiros mantos é atribuída à irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant'Ana, do Colégio Gentil Bittencourt. Ela confeccionava o manto e o promesseiro doava o material. Foi assim até sua morte, em 1973. Depois disso, quem assumiu a missão foi a ex-aluna e ajudante, Esther Paes França. Até 1992, ela já tinha feito 19 mantos. Daí em diante, vários católicos passaram a confeccionar o manto. Estilistas famosos também têm desenhado e confeccionado os mantos anualmente. -
Carros
História de fé contadas nos carros da procissão. História de fé contadas nos carros da procissão. Além da berlinda, outros treze carros acompanham a procissão do Círio. Eles são um símbolo importante da devoção mariana, onde os romeiros depositam objetos de promessa que carregam durante a procissão. Um desses carros – o dos Milagres – se refere ao milagre que teria ocorrido no ano de 1182, quando o fidalgo português Dom Fuas Roupinho, prestes a despencar num abismo com seu cavalo, recorreu à Nossa Senhora de Nazaré e foi salvo do acidente. Há, também, o Carro do Caboclo Plácido, o Barco dos Escoteiros, a Barca Nova, Carro do Anjo Custódio, Barca com Velas, Carro do Anjo Protetor da Cidade, a Barca Portuguesa, o Carro dos Anjos I, Barca com Remos, Carro dos Anjos, o Carro da Santíssima Trindade e o Cesto das Promessas. -
Promesseiros
Mar de fiéis invade as ruas da capital. Até o dia da Grande Procissão, a estimativa é que a Imagem Peregrina tenha visitado cerca de 100 mil lares paraenses. Quando o assunto é culto mariano, o número de romeiros na festividade nazarena sempre impressiona. O que não falta é devoto participando das 11 romarias nazarenas que compõe a festividade. Há anos esses números superam mais de três milhões, entre turistas e romeiros. Em um percurso fantástico, aproximadamente 126 km são percorridos em quase 40 horas de caminhadas. As maiores são o Traslado ao município de Ananindeua, com 11h30 de romaria. Depois o domingo do Círio, com quase sete horas e a Trasladação, com cerca de seis horas de duração. -
Promesseiros
Com tanta gente nas procissões, todos os rostos são anônimos, mas isso não impede que cada um traga uma história e uma emoção única para Maria. Muitos levam durante todo o trajeto objetos que materializam os pedidos e as graças alcançadas. Os objetos carregados pelos fiéis são selecionados e parte deles vai para o Museu do Círio. Os objetos de cera danificados durante a procissão são derretidos e a cera é comercializada. -
Miriti - lúdico na procissão
O colorido e o lúdico na procissão. O lúdico e a cultura popular encontram espaço durante a festividade. Os brinquedos de miriti há muitos anos dão o colorido e fazem a alegria das crianças e adultos. Os brinquedos são feitos de uma palmeira conhecida como isopor da Amazônia. -
Miriti - lúdico na procissão
Do material se aproveitam muitas coisas na comunidade ribeirinha. Durante o Círio, os artesãos fabricam diversos brinquedos que retratam a realidade amazônida. São expostos em girândolas, uma espécie de cruz com vários braços, também feita de miriti, onde são espetadas ponteiras da casca do próprio miriti para amarração de cerca de uma centena de brinquedos. A venda é feita pelos próprios artistas ou amigos que trabalham neste período. Os brinquedos de miriti sempre refletem o universo caboclo, suas influências urbanas e afetivas. -
Anjos
As crianças nas homenagens à Mãe Maria. No colo dos pais, andando na procissão. As crianças vestidas de anjo são símbolos e caracterizam o período. Com suas asas de papel e roupas brancas, elas representam a fé no divino em seu estado mais puro. No carro em que acompanham a procissão, acabam sendo as guardiãs das velas (círio) dos devotos que recorrem à Santa. Os pequenos anjos são mais uma das inúmeras imagens da fé em Nossa Senhora.
Ave, Ave, ó Senhora da Berlinda
Ave-Maria, este é o meu grito de fé
Ave, Ave, Deus te fez a flor mais linda
Ave-Maria, Senhora de Nazaré