As sociedades Brasileira e Paraense de Pediatria, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia do Pará e especialistas em saúde infantil dos Estados do Amazonas, São Paulo e Pernambuco, concluíram, ontem, o curso Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Pals), que teve como objetivo ampliar os conhecimentos de pediatras, médicos e enfermeiros que atuam em saúde pública sobre os procedimentos de prevenção contra parada cardiorespiratória em crianças a partir de 1 mês de idade e jovens de até 18 anos.
O curso é regulamentado e certificado pela Associação Americana do Coração. Durante a qualificação, 25 profissionais dos municípios de Marabá, Tucuruí, Abaetetuba e Belém, além de acadêmicos da Universidade Estadual do Pará (Uepa), médicos do Ophir Loyola e da própria Santa Casa aprofundaram os conhecimentos teóricos e práticos no atendimento da criança gravemente enferma, na prevenção da insuficiência respiratória e no choque, principalmente o hipovolêmico decorrente de diarréia aguda e vômitos na criança.
Segundo a pediatra neonatalogista e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Aurimery Gomes Chermont, um dos grandes benefícios do curso foi o de associar os conteúdos com os aspectos práticos, por meio de exercício em manequins de reanimação (fotos), o que permitiu vislumbrar uma proximidade da relação médico e paciente em situação de risco e facilitar a consolidação de um diagnóstico efetivo mais eficaz.
Segundo ela, 'o conhecimento adquirido, a eficiência em defesa da vida, as condições estruturais para o exercício profissional, além do equilíbrio do trabalho em equipe, são fatores fundamentais para evitar a falência dos órgãos e salvar uma vida', pondera Aurimery. Para a enfermeira Yara Kimiko Sako, do Hospital Albert Einstein de São Paulo, uma das ministrantes do curso, a troca de informações permitiu reciclar o conhecimento dos profissionais e contribuirá para qualificar o atendimento e reduzir a mortalidade infantil na região.
'As estatísticas mostram que as chances de vida de crianças e jovens de até 18 anos podem ser maiores dependendo do local em que ocorre a adoção de medidas protocolares. A sobrevida de uma criança com parada cardíaca fora do hospital é de 5% a 12% e de 6,4% para os adultos. Neste contexto, o atendimento presencial, o conhecimento e o manuseio correto do instrumental de trabalho podem reduzir os números da mortalidade infantil no Brasil', alerta.