Rio de Janeiro
ALAN BORDALLO
Enviado especial
Todo santo tem os seus apóstolos e os do São Raimundo mostraram fidelidade ontem. Tanto na hora de comparecer ao jogo no Rio de Janeiro quanto para incentivar "pagãos" a se juntar à paixão. No Engenhão, até os torcedores do Botafogo, em número pequeno se comparado à capacidade do estádio, se espantaram com a presença de tantos torcedores do Pantera, todos crentes no milagre de reverter a punição recebida pelo STJD. A ONG Saúde e Alegria, sediada em Santarém, teve seu papel na hora de agregar os alvinegros mocorongos. Com a parceria com a empresa Vivo, que cedeu ingressos, angariou cariocas, na maioria "secadores", para torcer pela equipe paraense por uma justa causa: chamar a atenção para a necessidade de preservação da Amazônia.
O fanatismo desconhece limites e fronteiras, sejam elas estaduais ou regionais. É o que comprova Sérgio Damasceno Marcelino, representante dos "Loucos Alvinegros", de Santarém, no Rio de Janeiro. Ele conta que enfrentou mais de dez horas de voo para chegar à capital carioca, exclusivamente para ver o Pantera jogar. "Vale tudo pelo São Raimundo, até perder aula, dias de trabalho. Fiquei surpreso de encontrar tanta gente no estádio", confessa ele, que também arrisca seu palpite. "Um a zero já está de bom tamanho".
Entre os "secadores" estava o estudante de economia Tiê. Ele conta que foi convidado por um amigo para vir ao jogo e azucrinar os botafoguenses. "Vim para curtir e apoiar o Pantera aqui no Engenhão", conta ele, que é torcedor do Vasco. O estudante, que trouxe um cartaz alusivo à Amazônia, conta que, brincadeiras à parte, sabe da importância de levantar o tema. "Claro que esse é um tema que tem que ser abordado. Gosto da Copa do Brasil por causa disso. São clubes de lados opostos do País, uma miscelânea".
Até botafoguense estava infiltrado na torcida do alvinegro santareno. Caso do fotógrafo André Pamplona. Ele foi alvo da "preleção" do presidente da ONG Saúde e Alegria, Eugênio Scannavino, que o falou sobre a campanha pró-Amazônia que aconteceria no jogo. A galera abriu uma faixa com os dizeres "nós amamos a Amazônia". Antes irredutível, André acabou cedendo. "Se é para vocês ficarem felizes, eu torço pela Amazônia", disse. Sincero mesmo foi Gabriel Coelho, que, ao entrar na van que o levaria ao estádio e jurar amor ao São Raimundo, confessou: "Já estou com um frio na barriga".