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    Belém 17 de Maio de 2010
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Dia de manifestação contra a homofobia
 
 
 

Os homossexuais, bissexuais, transexuais, lésbicas e travestis de todo o mundo celebram hoje o Dia Mundial Contra a Homofobia. No entanto, nesta data não se tem tantos motivos para se comemorar, já que a luta por direitos humanitários e, principalmente, para que o preconceito e a discriminação contra a população GLBT diminua está bem longe de um desfecho positivo. Em Belém, a data será comemorada na praça da República, onde o movimento 'Consciência, Orgulho e Respeito' (COR) vai coletar assinaturas virtuais para tentar acelerar o Projeto de Lei 122/2006, já aprovado na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado Federal, que prevê a criminalização para a homofobia.

Escolhida pelo francês Louis-Georges Tin, autor do Dictionnaire de l’Homophobie (Dicionário de Homofobia), o Dia Mundial Contra a Homofobia foi criado há 17 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que decidiu retirar a homossexualidade de sua lista de doenças mentais. A causa já foi adotada por organizações em mais de 30 países, incluindo o Brasil.

'O preconceito ainda é ativo. Muito grande. Porém, de maneira lenta, ele vem diminuindo. O que acontece é que não conseguimos garantir nossos direitos', afirma Marcelo Carvalho, coordenador do COR e do Movimento GLBT do Estado. Marcelo explica que a mobilização de hoje acontece em todo o País, como forma de chamar a atenção para acelerar a criminalização da homofobia junto ao Senado. 'Queremos reunir o maior número de pessoas. Aqui em Belém, teremos três computadores instalados no hall do Teatro Waldemar Henrique, onde será possível acessar o site www. Naohomofobia.com.br e se cadastrar. Assim, é possível fortalecer um abaixo-assinado que pede a aprovação da lei', diz o coordenador do movimento.

Entre os benefícios que a população GLBT cobra do governo, segundo Marcelo Carvalho, estão o direito a contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para casos de união estável e a criminalização das agressão a homossexuais. 'Assim como o racismo é crime, a agressão aos homossexuais também deveria ser, da mesma forma que os crimes contra a mulher são conduzidos pela Lei Maria da Penha', compara.

Transexual destaca conquistas

Morando em Paris, na França, há cinco anos, a transexual Ana Paula Karter conta que saiu de Belém quando tinha 18 anos. O destino escolhido para começar a trabalhar em um salão de beleza foi São Paulo, onde ela conheceu uma outra realidade. 'Lá, nem é assim como as pessoas acham que é. É claro que existe muita droga, muita promiscuidade. Eu, por exemplo, passei algumas dificuldades, claro, mas como meu objetivo sempre foi a Europa, lutei muito e segui um caminho diferente', diz Ana Paula.

Quando percebeu que as amigas começaram a ganhar dinheiro se prostituindo, Ana Paula afirma que desistiu de ser cabeleleira e foi para as ruas de São Paulo. 'O que eu ganhava no salão me dava uma falsa estabilidade. Eu já estava cansada, abatida e nem tinha tempo para cuidar de mim. Me sentia gorda e velha. Foi quando decidi sfazer programas. E, mesmo assim, não achei que fosse ser uma transsexual. Eram tantos homens lindos oferecendo dinheiro que acabou se tornando um vício. Ganhei muito dinheiro e fiz várias plásticas. Coloquei silicone', revela.

Atualmente, Ana Paula faz shows de dança em boates de Paris. 'Mas não faço programas. Meu marido não permite. Ele me dá tudo o que eu quero, paga todas as contas só para eu não fazer isso', garante ela que, vaidosa, faz questão de dizer que lutou para ser uma transsexual perfeita. 'Sempre vivi muito bem. Sempre tive roupas e perfumes bons. Maquiagem de boa qualidade. Tudo para ser uma trans perfeita', observa.

O quarteto Roberto Pinto, Wagner Brilhante Júnior, João Batista e Antônio Silva é homossexual assumido. É claro que, como grande parte da população GLBT, os quatro, que trabalham como cabeleireiros, são unânimes em dizer que o preconceito existe e ainda é forte. 'Até hoje me sinto discriminado por algumas pessoas. Tem gente que não aceita de jeito nenhum, olha torto. Já tive até uma cliente que chegou aqui no salão e disse que só seria atendida se fosse por uma mulher. Como não tinha, já que todos nós somos gays, ela foi embora, com o cabelo horroroso', diverte-se Roberto.

Estado inclui data no calendário

O Pará vai ter o primeiro Dia Estadual de Combate a Homofobia, que através da Lei nº 7.261/2009, definiu para hoje a data comemorativa. A lei foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 21 de abril e é de autoria da deputada estadual Bernadete ten Caten (PT). Aprovada na Assembleia Legislativa do Pará e sancionada pela governadora Ana Júlia Carepa, a lei integra a data ao calendário oficial do Estado para que se torne uma referência na realização de amplo debate sobre o tema.

'A violência contra os homossexuais vem crescendo no Brasil. Já somos o país que mais agride esse segmento, no mundo. Isso tem que acabar. É uma questão de respeito às opções de orientação sexual, e, sobretudo, uma questão de direitos humanos. O Dia Estadual de Combate a Homofobia é o momento da sociedade refletir sobre o tema junto com o poder público, cobrando solução', ressalta Bernadete, que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

Para fortalecer as ações GLBT no Estado e atender vítimas de homofobia, a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Seju-DH), através da Coordenação de Livre Orientação Sexual, criou o Centro de Recuperação e Combate à Homofobia, que vai prestar atendimento psicológico e acompanhar grupos que necessitem de auxílio. 'O objetivo do centro é trabalhar a cidadania dessas pessoas, que, na maioria dos casos, tem uma considerável baixa-estima', destaca Ivon Souza Cardoso, coordenador do Centro.

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada dois dias um homossexual é morto no Brasil. Em 2008, foram 190 homicídios de homossexuais no País. De janeiro a abril deste ano, já foram contabilizados 51 casos. 'O Brasil é um dos países que mais mata homossexuais', afirma o coordenador do Consciência, Orgulho e Respeito (COR), Marcelo Carvalho. Em 2008, os Estados Unidos registraram 25 assassinatos de homossexuais, de acordo com dados do governo.

 
   
 
   
   
     
 
 
 
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