Comprar ou contratar serviços em Salinópolis, nordeste paraense, exige dinheiro e astúcia do freguês. Nas férias, parte dos comerciantes decide garantir a lucratividade dos próximos seis meses em 30 dias. Para alcançar os ganhos fáceis, eles adulteram balanças no mercado; dois tipos de cardápio nos restaurantes; e até o ato de ludibriar visualmente quem não está suficientemente atento. Vale ressaltar que o turista, durante suas férias, quer mesmo é relaxar, esquecer o ritmo frenético das cidades. Entretanto, se o destino for Salinas, a despreocupação deve ficar em Belém.
A exploração do turista no mercado local é prática recente na região do salgado paraense. Comerciante recém-chegado à cidade, que se identifica como Paulo, conta como funciona a "economia da tapeação" em Salinas. "Não faltam vendedores espertos aqui. Porém, neste período do ano, os olhos crescem. No mercado municipal, por exemplo, é preciso ficar bem atento na hora de pesar o pescado, pois, em praticamente todos os casos, o peso real é inferior ao que foi pago", adverte. Ele lembra que, normalmente, o freguês está com alguém e conversando com o acompanhante. "É neste momento que eles se aproveitam para pesar. Neste instante, o cliente de férias nem pensa que pode estar sendo enganado. Mas, se ele pegar este pescado e pesar em outra balança, no setor de hortifrutigranjeiros, por exemplo, vai perceber a diferença de peso", assegura.
Paulo veio do Sul do País e escolheu se estabelecer em Salinas pela qualidade de vida. Ele diz que já foi diversas vezes enganado, até conhecer o modus operandi dos vendedores locais. Ele lembra que, certa vez, após comprar dois quilos de pescada amarela, percebeu que em sua sacola só constavam 1,8 quilo, ou seja, 200 gramas a menos do que o combinado. A situação acabou em muito bate-boca. Até na hora de comprar caranguejo, a atenção deve ser redobrada. O consumidor deve observar as duas mãos do vendedor: ao mesmo tempo em que ele mostra um crustáceo graúdo com a mão direita, ele coloca um miúdo na sacola com a mão esquerda. A mesma situação vale para o camarão, que tem sempre os mariscos mais bonitos na parte de cima do mostruário. Embaixo, estão os camarões pequenos e nada atraentes. A solução, para os dois casos, é o cliente escolher o que vai levar.
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