Mulheres de até 19 anos, negras, sem religião declarada e com filhos. Este é o perfil mais comum das brasileiras que já fizeram aborto, segundo os resultados de uma pesquisa inédita realizada em Belém e em outras quatro capitais brasileiras. A pesquisa é de autoria da antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), e o sociólogo Marcelo Medeiros, também da UnB e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O artigo com os resultados da pesquisa será publicado na edição de julho da revista científica "Ciência e Saúde Coletiva", da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Pública (Abrasco), sendo que a edição deste mês será específica sobre o tema do aborto. Ao todo, 122 mulheres de Belém, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador foram entrevistadas entre 2010 e 2011.
A pesquisa, de caráter qualitativo, é a segunda etapa da Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), desenvolvida pelos pesquisadores da UnB. Há dois anos, em 2010, a primeira fase da pesquisa revelou que uma a cada cinco mulheres de 40 anos já fez pelo menos um aborto na vida. Esta segunda etapa, de caráter qualitativo, buscou identificar quem é a mulher que aborta e quais os caminhos percorridos por elas ao longo do processo.
O aborto é considerado crime pela legislação brasileira, mas é uma prática comum entre as mulheres, conforme sinalizam as pesquisas. De acordo com o sociólogo Marcelo Medeiros, um dos principais resultados da pesquisa mostra que a mulher que faz aborto é a mulher comum. "Hoje, embora existam alguns perfis de maior incidência, o aborto é comum entre todos os tipos de mulheres. Este é um ponto que deve ser encarado", afirma o pesquisador, que conversou com a reportagem pelo telefone. O estudo não explorou os motivos que levam as mulheres ao aborto.
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