Quatro anos depois da mortandade de recém-nascidos na Santa Casa de Misericórdia - a maior maternidade do Pará -, a instituição continua no centro de denúncias de pacientes e médicos. Em 2008, dezenas de bebês morreram em dois meses, crise que chocou o Brasil. Hoje, superlotação, falta de estrutura e quadro profissional reduzido são alguns dos problemas que ainda fragilizam a instituição. O LIBERAL fez uma entrevista exclusiva com uma das médicas da Santa Casa, que fez duras críticas à estrutura da maternidade, como a criação de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de fachada, apenas para mascarar a crise da instituição. "Para nós foi uma vergonha, acho que o governador tem que se posicionar", disse o diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia, que alerta para o investimento insuficiente na maternidade e, principalmente, na atenção básica. Essa seria, para o sindicato, a única forma de reestruturar a Santa Casa. Nas duas últimas semanas, sete crianças morreram na maternidade.
Após a visita de senadores, deputados, intervenções estatais diversas e sindicâncias de entidades médicas, em 2008, por que a instituição não consegue atender de maneira satisfatória seus pacientes? Na última semana, dois médicos tomaram coragem de alertar que, mais uma vez, a Santa Casa de Misericórdia pode estar à beira de um colapso. "Em 2008, acontecia a mesma situação de hoje, só que na época teve divulgação dos índices, mas agora não. Mas, com certeza absoluta, os índices devem estar maiores, não só de mortalidade, como de infecção hospitalar", afiança Gouveia.
Na semana passada, uma médica pocurou a assessoria jurídica do Sindmepa para alertar à situação de crise da Santa Casa. Com o celular, ela registrou vídeos e fotos de tudo o que o governo nega estar acontecendo na instituição. Sem ser identificada, por temer represálias, ela falou a O LIBERAL. Pediatra, com ênfase em neonatologia, concursada e com 17 anos de carreira na Medicina, contou que, na última sexta-feira (20), mesmo dia em que o governador visitou a Santa Casa para inaugurar a ala de UTI de fachada, a sala de parto servia de UTI e enfermaria, a despeito do que afirma o governo estadual. "Mães nos corredores, por exemplo. Uma mulher está parindo e, logo em seguida, é colocada no corredor. Faltam leitos e, assim, as crianças já nascem em meios contaminados", denuncia a médica, que tem fotos e vídeos da situação. "No dia da visita do Jatene, não havia leitos para pegar
crianças", diz ela.
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