Belém 29 de Julho de 2012
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Violência virou espetáculo ao ar livre
 
 
 

BANALIZAÇÃO

Curiosos fazem de tudo para filmar e fotograr corpos de pessoas mortas

DILSON PIMENTEL

Da Redação

Sempre que ocorre um assassinato, muitas pessoas vão ao local do crime para ver o corpo da vítima, mesmo não tendo qualquer vínculo com a pessoa que acabou de perder a vida. São cidadãos que saem de suas casas para, muitas vezes, acompanhados de suas crianças, ver o trabalho dos policiais e dos peritos criminais. A curiosidade, porém, não resulta em informações que ajudem a solucionar o homicídio. É a banalização da violência.

Lotado no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, o perito criminal Ivanildo Rodrigues diz que, certa vez, presenciou mães, com seus filhos pequenos, caminhando durante 15 minutos para olhar o corpo de uma pessoa que fora assassinada, em Marituba.Para ele, que há dois anos faz perícias em locais de crimes, a falta de acesso a uma educação de qualidade contribui para esse tipo de comportamento. "Parece que se tornou um espetáculo", diz. Há aqueles que usam seus celulares para fotografar e filmar o cenário do crime. Outros conversam sorridentes e indiferentes ao que está em volta, inclusive ao sofrimento de quem acabou de perder um
ente querido.

As pessoas também apagam as pegadas deixadas pelos suspeitos ou, então, às misturam às suas, adulterando, assim, o local. É comum, ainda, elas recolherem projéteis de arma de fogo e os entregarem os peritos. Acham que, assim, estão colaborando com as investigações. Mas, na verdade, estão "contaminando" a área a ser periciada. Ainda conforme Ivanildo, a maioria desses casos ocorre nas áreas mais afastadas. "É sobretudo na periferia da cidade. O que reforça nossa ideia da falta de acesso a uma educação de
qualidade", afirma.

 

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