Belém 10 de Agosto de 2012
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Sem fiscais, desmate aumenta no Pará
 
 
 

GREVE

No Pará foram detectados 57 Km de degradação florestal em apenas 4 dias

O estado do Pará bateu recorde de desmatamento nos quatro primeiros dias de agosto, quando 57,44 km² de florestas foram desmatados, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado vai de encontro à tendência dos últimos anos, de redução da devastação no estado. O aumento no desmate pode ter sido causado pela falta de fiscalização do último mês, já que os servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão em estado de greve desde o dia 21 de junho, o que paralisou as ações de campo. Para reverter o quadro, na próxima semana, o órgão realiza uma operação emergencial, a partir de um acordo firmado junto ao comando de greve local. Os trabalhadores se comprometeram a compor as fiscalizações a partir de segunda-feira (13).

Os funcionários da "operação emergência" devem se dirigir para os municípios de Dom Eliseu e Ulianópolis, no nordeste do Estado, e São Félix do Xingu e Novo Progresso, no sudeste do Pará, onde estão os maiores focos de desmate, segundo o chefe do departamento de fiscalização do Ibama no Pará, Paulo Maués. "A gente entende que a falta da fiscalização é um dos vetores do aumento no desmatamento no Pará. A devastação vem diminuindo ao longo dos anos e o único fator diferente, desta vez, foi a greve do Ibama", reconheceu o chefe de fiscalização, ressaltando que as demais instituições competentes, como Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e secretarias municipais, "não têm capacidade para fiscalização".

O alto índice de destruição florestal no Estado foi detectado pelo "Deter", um sistema que avalia os índices de desmatamento em tempo real. O sistema interpreta imagens de satélite, de modo a apontar a perda vegetal na Amazônia. Um aumento causado pelos protestos dos servidores, também na opinião da Associação dos Servidores do Ibama no Pará (Asibama/PA). Por causa do estado de greve, os funcionários do órgão executam apenas expediente interno e operações-padrão em portos e aeroportos, deixando de atuar em operações de campo. Das quatro operações planejadas para o mês de julho, por exemplo, nenhuma saiu do papel. "Essa paralisação parcial pode, sim, ser um dos fatores do aumento no desmate", referendou o vice-presidente da Asibama, Antônio Melo.

 

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