Belém 16 de Setembro de 2012
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Alan Fonteles é homenageado em Belém
 
 
 

Paralímpiadas

Medalhista de ouro em Londres, atleta paraense desfila em carro dos Bombeiros

Destacado pela presidente Dilma Rousseff e pelo Comitê Paralímpico Brasileiro como o principal símbolo de superação do País nos Jogos de Londres 2012, o velocista paraense Alan Fonteles chegou ontem a Belém. Ele foi recebido com festa por volta das 13h30, no Aeroporto de Val-de-Cans, onde recebeu o carinho dos fãs e desfilou em carro dos Bombeiros pelas ruas de Belém. No aeroporto, ele recebeu do governo do Estado a comenda de "Cavaleiro" do Estado. Alan confessa estar realizando um sonho ao ver seu nome reconhecido em todo o mundo e por poder se sentir um herói brasileiro, principalmente, do povo da sua terra natal.

"A sensação é de dever cumprido de toda a realização. Desde quando eu era criança, que disse que eu ia entrar na seleção brasileira e que eu iria dar muito orgulho para o meu Estado e para o meu País, conquistando muitas medalhas. Graças a Deus, tudo isso que eu falei está se tornando realidade. Consegui levar o nome Alan Fonteles pelo mundo todo. E todo paraense, todo brasileiro pode se sentir representado", comemora o paratleta, ainda surpreendido pelo carinho que tem recebido desde a vitória histórica na prova dos 200 metros rasos da classe T44 (para amputados), superando o recordista mundial e um dos ícones do paradesporto, o sul-africano Oscar Pistorius (único atleta biamputado que disputou as Olimpíadas em 2012).

O coração do jovem paraense começou a bater mais forte em Brasília, na quinta-feira, durante a cerimônia de lançamento do plano Brasil Medalhas 2016, onde ele foi exaltado como um modelo de superação para o sucesso do Brasil nas Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. Na capital federal, em entrevista exclusiva ao repórter Thiago Vilarins, da sucursal de O LIBERAL, Fonteles disse que sua nova meta é brilhar ainda mais daqui a quatro anos no Rio de janeiro, assegurando o seu título nos 200 metros rasos e conquistando outro ouro nos 400 metros.

Alan Fonteles também comentou sobre a polêmica com Pistorius, que atribuiu a sua vitória à regra que permite o aumento das próteses, desde que na forma proporcional ao corpo do atleta. "O que eu tenho a dizer é que todo atleta erra e, infelizmente, ele errou naquele momento da minha medalha. Ele quis tirar um pouco do meu brilho, mas o que importa é o meu resultado dentro da pista", disse.

De origem humilde, o medalhista de 20 anos, morador de Ananindeua, que, com apenas 21 dias de vida, teve a parte inferior das duas pernas amputada (decorrente de uma infecção geral no organismo, originada no intestino), ainda deixou o seu recado para o sucesso. "A vida não é fácil, sempre há barreiras, então sempre busque fazer o seu melhor. Não desista nunca, vá em frente, e saiba que se você estiver fazendo o seu melhor, tenha certeza, que Deus vai te recompensar por tudo isso", disse. Confira a entrevista:

n Ainda criança você prometeu trazer muitas medalhas para o Brasil. Agora que isso é uma realidade, qual a sensação?

o A sensação, no momento, é de dever cumprido de toda a realização. Desde quando eu era criança, que disse que eu ia entrar na seleção brasileira e que eu iria dar muito orgulho para o meu Estado e para o meu País, conquistando muitas medalhas. Graças a Deus, tudo isso que eu falei está se tornando realidade. Estou muito feliz. A minha vida mudou muito. Hoje sou reconhecido por todo o mundo. O meu nome e o meu rosto está em todas as capas de jornais do mundo. Isso eu pude perceber em Londres. E o carinho do povo pelo reconhecimento que tiveram com a minha medalha de ouro é fantástico. Eu agradeço bastante a todos. Isso era sempre o que eu sonhava e eu conquistei. Consegui levar o nome Alan Fonteles pelo mundo todo. E todo paraense, todo brasileiro pode se sentir representado. Recebi muitas mensagens do povo brasileiro, mas, principalmente, de paraenses que disseram estar muito orgulhosos pelo grande feito que eu fiz. Estou muito grato pela torcida de todos e espero elevar ainda mais o nome do Pará, o nome do Brasil e o meu nome também.

n Já que você é bom de cumprir promessas, quais são as próximas?

o A gente vai começar um novo trabalho agora. Ano que vem tem o mundial, na França, as grandes competições estão vindo, mas o que eu projeto nesses próximos quatro anos são as Paralimpíadas de 2016. Vou trabalhar forte nas provas de 200 metros e 400 metros, que é para defender o meu título na prova dos 200 metros e também conquistar uma medalha de ouro, se Deus quiser, na prova dos 400 metros.

n Você tem sido muito homenageado desde que retornou ao Brasil. Qual a sua expectativa ao chegar ao Pará?

o A expectativa é a maior possível. Estou doido para chegar logo e ver a festa que todos vão fazer. Quero ver minha família, minha namorada, enfim, todos que estarão me esperando no aeroporto. Estou sabendo em parte, que vai ter passeio pela cidade, em carro do Corpo de Bombeiros e tudo. Eu estou muito ansioso para que sábado chegue logo para que eu possa aproveitar muito isso.

n A presidente Dilma Rousseff e o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, destacaram você como o maior símbolo de superação dos Jogos de Londres 2016. Como você recebe esses elogios?

o Eu fico muito feliz. São duas grandes pessoas. O Andrew eu posso falar, abertamente, que é um grande amigo. Eu o admiro bastante, justamente por esse carinho que ele tem por mim. E eu tenho o mesmo carinho por ele. E não é porque ele é o presidente, é pela pessoa que ele é. E da Dilma, a nossa presidenta, eu me sinto muito engrandecido em receber os elogios dela. Eu só tenho a agradecer e dizer a ela que sempre que eu entrar na pista eu vou buscar fazer o meu melhor pelo País. Pode ter certeza disso.

n O que você sentiu em superar a estrela da competição, o sul-africano Oscar Pistorius?

o Na verdade, não superei só ele, superei todos os outros atletas. Não adiantaria nada eu só ter ganhado dele e não ter ganhado a prova. Mas estou muito feliz e agora é treinar muito para defender os meus títulos e fazer sempre o meu melhor.

n Mas um dia após a sua conquista, você revelou que estava muito feliz por deixar de ser o "Pistorius brasileiro". Então, ganhar dele deve ter um gosto especial.

o Isso mesmo. Eu sempre quis elevar o meu nome o quanto ele elevou o nome dele. E hoje, graças a Deus, eu posso dizer que o nome Alan Fonteles ou Alan Oliveira, como é conhecido, é bastante conhecido no mundo. E isso me faz muito feliz. Era esse o meu sonho.

n Como você avaliou a reação dele diante da sua derrota?

o Eu não tenho muito a dizer sobre isso. Ele entrou com protesto contra o Comitê Paralímpico Internacional, mas o importante é que eu estava dentro das regras e ele sabia disso antes de competir. O Comitê Paralímpico Internacional ficou do meu lado. Mas repito o que eu tenho dito em todas as reportagens, eu estou dentro das regras e é isso o que importa. Não tenho que dar satisfação a nenhum atleta dentro das pitas, apenas tenho que passar pelas regras, pelos árbitros. A partir do momento que já estou na pista está valendo tudo. E tenho a certeza que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez um grande trabalho para que isso pudesse acontecer, para que a gente não tivesse nenhum problema que pudesse me prejudicar para participar da corrida.

n E você aceitou as desculpas dele?

o Aceitei. O que eu tenho a dizer é que todo atleta erra e, infelizmente, ele errou naquele momento da minha medalha. Ele quis tirar um pouco do meu brilho, mas o que importa é o meu resultado dentro da pista.

n Você hoje é um herói para o povo brasileiro, sobretudo para a população do Pará. Qual o recado que você gostaria de deixar para todas essas pessoas que sentem orgulho de você?

o Eu tenho a dizer que se você tem um sonho, seja no esporte, ou na sua vida, vá em busca desse sonho. Coloque uma meta para poder realizar e nunca desista, seja qual for as suas dificuldades. A vida não é fácil, sempre há barreiras, então sempre busque fazer o seu melhor. Não desista nunca, vá em frente, e saiba que se você estiver fazendo o seu melhor, tenha certeza, que Deus vai te recompensar por tudo isso.

 

 
   
 
   
   
     
 
 
 
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