Belém 20 de Julho de 2012
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Norte precisa de regras próprias para seguros
 
 
 

A indústria de seguros para automóveis estima que apenas 22% da frota nacional de veículos possui alguns tipo de cobertura. Com o aumento nas vendas de carros nos últimos anos, subiu também o número de consumidores, que adquirem produtos pensados para uma realidade que nem sempre é a sua. É o que acontece, por exemplo, para os moradores da região Norte. A cobertura ineficaz gera clientes insatisfeitos e as empresas já despertaram para as peculiaridades deste mercado lucrativo e em plena expansão.

"A região Norte tem se desenvolvido muito, como um todo, e as empresas buscam acompanhar esse desenvolvimento e conhecer a fundo as necessidades dos habitantes desta região, que são, com certeza, diferentes daquelas do Sul e Sudeste", explicou o diretor executivo comercial da Allians Seguros, Ramon Gomez.

Ele cita entre os principais problemas a serem enfrentados, as grandes distâncias no estado. "Por exemplo, as apólices costumam oferecer reboque com quilometragem determinada em contrato, esses números são planejados com base em distâncias menores, que funcionam no Sudeste, mas aqui, as distâncias são muito grandes. Enquanto 50 quilômetros resolvem o problema lá, aqui seriam necessários 200 quilômetros!", ponderou.

Outras questões, como tempo de carro reserva cedido ao segurado em caso de sinistro e o nome dado às ocorrências que necessitam de intervenção da seguradora, geram grande insatisfação nos consumidores. "Eu tive um problema com meu carro e acionei a seguradora. Meu contrato previa 15 dias de carro reserva, mas o meu carro acabou passando dois meses e meio na oficina. Ou seja, pago um seguro caro, que não me assiste. A seguradora é a primeira a se isentar de responsabilidade, dizendo logo que pode fazer apenas o que está no contrato! Pretendo observar isso com cuidado na hora de renovar a apólice", disse a contadora Dalva Martins, de 57 anos.

O problema da advogada Marília Gomes, de 47 anos, foi parecido. "A oficina onde o carro estava era um horror! Eu precisei ficar ligando o tempo inteiro para acompanhar o serviço. As peças demoraram demais a chegar e acabei passando quase três meses sem carro. A gente se sente lesado quando contrata um serviço e só tem transtornos", desabafou.

Ramon afirmou que estes problemas ocorrem pela própria distância da região. "A logística é bem difícil. As fábricas estão todas para o Sudeste e o transporte é feito, na maior parte das vezes, por via terrestre. Então, é realmente difícil esperar que 15 dias de carro reserva baste para o segurado do Pará. Mas para resolver isso, podemos pensar em um contrato, por exemplo, com 30 dias de carro reserva, o que já melhoraria a situação", disse. Para ele, conhecer a região de perto resultará produtos ainda melhores para o consumidor paraense.

"O Pará hoje tem um mercado muito aberto e disputado. Todas as maiores empresas de seguros já perceberam que o Brasil é um excelente lugar para os negócios. Aliás, devido à crise no mercado europeu, a receita gerada no país vem servindo para cobrir prejuízos e garantir a sobrevida de empresas mundiais", observou Gomez.

 
   
 
   
   
     
 
 
 
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