Belém 27 de Outubro de 2013
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Empreendedorismo é saída para jovens
 
 
 

MERCADO

Investir em serviços inovadores ajuda a driblar as exigências do mercado formal

Difícil, exigente, competitivo, com vagas restritas... É o que se ouve sobre o mercado de trabalho, principalmente, quando se quer o primeiro emprego. O mesmo pode se dizer para a disputa em concursos públicos. A cada novo semestre cresce o número de pessoas qualificadas procurando trabalho. Jovens recém-formados encontram-se em situação ainda pior. A concorrência para ingressar no mercado é maior que a disputa pelo vestibular. Em geral, a preferência na admissão recai nas pessoas com mais escolaridade e, claro, experiência profissional. A notícia boa é de que o ensino convencional começa a abrir espaço para a educação empreendedora, o que pode inverter a lógica atual. Em vez de suar a camisa para ser empregado de alguém, o jovem pode empregar os outros.

O Sebrae Pará - serviço social autônomo, integrante do Sistema S, cujo objetivo é auxiliar o desenvolvimento de micro e pequenas empresas - se prepara para lançar edital em 2014 com vários níveis de ações estimulando o empreendedorismo no Estado, o que inclui parcerias com universidades e faculdades da capital paraense, a exemplo da Unama e Cesupa. "Queremos disseminar a cultura empreendedora’’, diz a gerente do Sebrae Pará, Renata Rodrigues.

De fato, para muitos jovens o empreendedorismo é peça-chave para driblar os desafios dos novos tempos, e quanto antes se preparar, melhor. Essa é a aposta de Rafaela Cunha Baía, 21 anos, estudante do último semestre do curso de Terapia Ocupacional. Ela se prepara para abrir sua própria clínica de reabilitação pediátrica. "Daqui há 10 anos quero estar autorrealizada. Isso, para mim, significa ser reconhecida pelo profissionalismo e por fazer a diferença na vida das pessoas’’, diz a jovem formanda.

Rafaela sabe que além da vontade e da visão de futuro, é necessário o mínimo de condições financeiras para se dar os primeiros passos no universo empreendedor. "Todo sonho exige um esforço’’, diz ela, que afirma que não vai parar os estudos. "Preciso primeiro passar num concurso público. Depois, com estabilidade, vou me concentrar para abrir o meu negócio. Tenho a ajuda da minha família’’.

Os planos de Rafaela legitimam os dados mais atuais do Sebrae no país. De acordo com a gerente Renata Rodrigues, o resultado da Global Entrepreneurship Monitor, Pesquisa GEM 2012, apoiada pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), o empreendedorismo feminino é destaque do estudo. A porcentagem de mulheres no comando das empresas está praticamente igualada à de homens.

"Empreender é identificar oportunidades e visar os meios para executá-las. As mulheres são o público que mais cresce e ocupa um espaço mais significativo’’, afirma Renata Rodrigues. E ela tem razão. Em 2002, 58% das empresas tinham à frente pessoas do sexo masculino. No ano passado, esse índice ficou próximo de 50%. O nível de escolaridade das empreendedoras também é maior. "As mulheres também aparecem com o maior tempo de escolaridade’’.

Outro dado interessante é o da taxa de empreendedores por necessidade, que caiu de 7,5% em 2002 para 4,7% em 2012. A pesquisa envolve 69 países e analisa a atividade empreendedora no âmbito mundial. No Brasil, foram entrevistadas dez mil pessoas, entre 18 e 64 anos, sendo duas mil em cada região do território nacional.

"Se você pensa em ser empreendedor, deve buscar capacitação em gestão, criar um plano de negócios, consolidar um conjunto de informações sobre a concorrência, os pontos forte e fracos do empreendimento. Verificar o local , levantar subsídios e refletir. Isso não garante que tudo vai dar certo, mas, com certeza, minimiza os riscos’’, assegura a representante do Sebrae, garantindo que a taxa de mortalidade dos empreendimentos em dois anos está em curva decrescente.

 
   
 
   
   
     
 
 
 
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