Uma crítica explícita à banalização do corpo negro brasileiro como produto de exportação foi o caminho escolhido pelo ator Luiz de Abreu ao montar o espetáculo teatral “O samba do crioulo doido”, produzido com subsídios do Programa Rumos Itaú Cultural Dança. A montagem entra em cena no palco do teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, no próximo dia 28, às 21h, com entrada franca.
Em cena, tem-se um cenário tomado por bandeiras do Brasil, formando uma tela transparente iluminada por trás. Vê-se a silhueta de um corpo se movimentando no palco sob um som lento e tribal. As luzes se acendem e vê-se que é um dançarino negro nu, calçado apenas com longas botas prateadas altas, numa referência à carnavalização, traduzindo o estereótipo da mulata em espetáculo de samba.
Neste momento a música muda (parte mecânica, parte executada ao vivo por um percussionista) e o dançarino vai mostrando com seu corpo várias facetas do estereótipo do negro na cultura mundial.
Neste solo Luiz de Abreu usa o seu corpo negro para discutir a dança, a mulata-exportação e o preconceito. A nudez reflete as questões étnicas, do negro visto como objeto e da sua participação na construção da identidade do país.
A bandeira do Brasil, que veste o bailarino no final do espetáculo, simboliza um abraço ao País, o samba cria o ritmo que transgride, resiste e aponta para uma crítica à visão estereotipada que se tem do Brasil no exterior.
O espetáculo tem direção, interpretação, figurino, trilha sonora, pano de fundo e autofotografia de Luiz de Abreu; iluminação de Alessandra Domingues e Luiz de Abreu; trilha sonora de Teo Ponciano e Luiz de Abreu.
Carreira - Luiz de Abreu começou a dançar nos anos 60 em terreiros de umbanda em Araguari (MG). Em 86 mudou-se para Belo Horizonte (MG), onde trabalhou em grupos profissionais. Nos anos 90 foi para São Paulo e começou carreira solo. Em 97 fundou a Companhia Wlap. Na TV Cultura apresenta o personagem Soleck do infantil Ilha Rá-Tim-Bum.
Serviço- O espetáculo teatral “O samba do crioulo doido” será apresentado no teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, no próximo dia 28, às 21h, com entrada franca. Mais informações pelo telefone: 225-5784/5877 (ramais 228/231).