Macrodrenagem - Mudando a face de Belém
line.gif (1008 bytes)

Macrodrenagem - Mudando a face de BelémBelém, a maior cidade e portão de entrada da exuberante Amazônia vai comemorar, em 1999, seu 388º aniversário muito mais bonita e humanizada. Será um novo tempo na vida de 600 mil habitantes da "Cidade das Mangueiras", que estarão dispondo em suas avenidas, travessas, ruas, passagens e vilas de serviços de esgoto e água potável, além de redes de drenagem e melhorias no sistema viário, após décadas sobrevivendo em palafitas e andando sobre estivas, nas chamadas áreas de baixadas. E isso tudo não é resultado de nenhum milagre. Atende, sim, pelo nome de Macrodrenagem da Bacia do Una, a maior obra de saneamento urbano da América Latina.
Abrangendo nove bairros (Umarizal, Fátima, Marco, Telégrafo, Pedreira, Sacramenta, Marambaia, Souza e Benguí), a Macrodrenagem está retificando 23 quilômetros de canais e galerias, na área da Bacia do Una, a maior de Belém, e fazendo 60 km de rede de drenagem. Com isso, o fluxo das águas pluviais para a Baía do Guajará será normalizado, ao mesmo tempo em que o conserto das comportas do Una impedirá a entrada nos canais da maré alta, o que provocava os constantes alagamentos.

MacrodrenagemMas os números da Macrodrenagem não param por aí. Estão sendo construídos 154 quilômetros de rede de abastecimento de água, 135 de esgotos e 120 de meio-fio, além de 32 pontes de concreto, 13 de madeira, e 24 passarelas metálicas. Apenas do Canal São Joaquim, o maior dos 13 envolvidos na obra, deverão ser retirados 300 mil metros cúbicos de entulho. Para ter idéia dessa montanha de lixo, basta olhar para um prédio de 10 andares.
Segundo o representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Jorge Elena, a Macrodrenagem é um dos projetos mais importantes da instituição, em todo o país. Dos R$ 234 milhões que estão sendo investidos nas obras, R$ 146 milhões estão saindo dos cofres do BID. O restante (R$ 88 milhões) são de responsabilidade do Governo do Estado, através de recursos próprios e financiamentos obtidos junto à Caixa Econômica Federal e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e de verbas do Orçamento da União.

Ocupação desordenada

Macrodrenagem - Mudando a face de BelémNos últimos 30 anos, a política oficial para a ocupação da Amazônia, o êxodo rural e a corrida aos garimpos, trouxe para a Região, em especial ao Pará, grandes levas migratórias. Sem infra-estrutura para absorver a explosão populacional, os núcleos urbanos registraram o surgimento de vastos cinturões de miséria nas áreas periféricas. Belém não fugiu à regra, mas com um agravante geográfico: o fato de quase a metade da sua área continental ser entrecortada por grandes bacias hidrográficas. Sua periferia foi, então, tomada por aglomerados de palafitas, verdadeiras favelas flutuantes, e de estivas _ as pontes de madeira por onde as pessoas transitavam. O lixo e a ocupação desordenada assorearam o leito dos igarapés.
A conjugação dos temporais que desabam sobre a cidade na época chuvosa e das marés lançantes, que alcançam grandes picos em março, se encarregaram de tornar ainda mais dramática essa situação. Devido ao contato direto e cotidiano com as águas poluídas, inclusive a utilizada nos banheiros e sanitários improvisados, a população tornou-se um alvo fácil de doenças como a esquistossomose e a diarréia, a principal causa da mortalidade infantil em todo o mundo. Muitas crianças também morreram afogadas, após caírem nos alagados. Um problema social que precisava ser solucionado, e que só dispunha de uma saída: o total saneamento das baixadas.

Uma longa história

Macrodrenagem - Mudando a face de BelémO Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una começou a ser elaborado em 1983, pela Prefeitura de Belém. De lá até 1996, quando as obras foram retomadas, a Macrodrenagem apenas se arrastou, enquanto a população das baixadas continuava a tremer diante da aproximação das chuvas torrenciais. Em 1993, foi assinado o contrato com o BID, principal financiador do projeto, mas como o Estado não apresentava a sua contrapartida financeira, o banco chegou a ameaçar com o cancelamento do contrato.
Após sanear suas finanças e empreender uma verdadeira maratona de negociações em Brasília e Rio de Janeiro, o Governo do Estad
o conseguiu garantir a contrapartida e as obras foram retomadas. Do total de recursos financeiros investidos pelo Estado, cerca de 80% foram desembolsados nesta última fase do projeto, a partir de 96.
Macrodrenagem - Mudando a face de BelémAtualmente, as obras de Macrodrenagem mobilizam quase mil operários, em várias frentes de trabalho, e vão de vento em popa. A previsão é que estejam praticamente concluídas até o final de dezembro deste ano, ficando para o primeiro trimestre de 1999 apenas uma pequena parcela das microrredes de água e esgoto.
Mas a execução dos serviços não tem sido nada fácil. Dos 13 canais, pelo menos três - Jacaré, São Joaquim e Água Cristal _ exigem atenção especial, por estarem situados em terrenos pantanosos, que literalmente engolem o aterro das margens.
Para evitar desmoronamentos, como os ocorridos no Canal do Jacaré, foi necessária a consultoria de geotécnicos de outros Estados brasileiros. Considerado pelos geotécnicos como um dos piores terrenos do Brasil, o Canal do Jacaré teve de receber estaqueamento em ambas as margens, cuja altura precisou ser rebaixada, para diminuir o peso do aterro. O canal ganhou, ainda, um lastro de areia e um meio-fio de 40 centímetros, para a manutenção das marginais na cota quatro, o nível de segurança contra as enchentes.

Macrodrenagem - Mudando a face de BelémAlém dos problemas derivados da qualidade do solo, as equipes do Governo e das construtoras envolvidas no Projeto de Macrodrenagem tiveram de enfrentar o prolongamento do período chuvoso deste ano, conseqüência direta do fenômeno El Niño, que provocou alterações climáticas em todo o mundo. Mesmo assim, o BID considerou adequado o ritmo dos serviços, que têm sido mantidos dentro do cronograma.

line.gif (1008 bytes)

Voltar a página anterior

http://www.tvliberal.com.br
Sugestões e Criticas para TV Liberal : tvlibcpd@tvliberal.com.br
Desenvolvimento e manutenção - Tv Liberal Ltda. - Departamento de Informática